<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963</id><updated>2012-03-05T17:18:11.032-08:00</updated><title type='text'>Aruanã Bento</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8250470458238517908</id><published>2012-03-01T13:57:00.001-08:00</published><updated>2012-03-01T13:59:12.205-08:00</updated><title type='text'>AMOR COME-DORME</title><content type='html'>Desconfio que é amor porque, não contente em dividir encontros casuais, também sinto vontade de partilhar com ela meus prazeres fisiológicos, que aprendi sem aprender, ainda no ventre da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ama come mais. E os casais que saem para comer não o fazem por falta de criatividade, e sim porque existe uma ligação entre a cama e a mesa, na descoberta dos prazeres. Empapuçar-se em um rodízio não me parece nada romântico mas descobrir o sabor do manjericão, sim. Como também revelar o restaurante da infância o desenterrando de uma ilha imaginária. Quem ama tem prazer em cozinhar mesmo sem fome, para acompanhar, feito voyeur, o outro deleitar-se sem pudor. Livro de receita e kama sutra. Sexo e gastronomia. Quem ama usa o tempo e o tempero a seu favor, usa o paladar quando nenhuma outra palavra basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sai da minha lembrança  a redescoberta da cana-de-açúcar gelada, cortada em palitinhos, que ela avistou na estrada, em uma tarde que o céu tinha a cor de chá-mate na jarra. Não esqueço a fome que sentimos juntos e a lula recheada que deixamos para trás.&lt;br /&gt;Desconfio que é amor desde o dia que a mordida no seu sanduíche revelou mais afinidades que uma tarde inteira de papo furado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ama dorme mais. E os casais não o fazem por exaustão ou monotonia. Fazem porque ao lado do amado é possível sonhar sem limites, encorajados pelo toque sob o lençol. É como se aquele braço embaixo do travesseiro ou aquelas pernas enroscadas simbolizassem um cordão umbilical invisível, que o acompanhará por todos os becos e abismos do inconsciente, te resgatando de bate-pronto para um abraço acolhedor, caso tudo dê errado. &lt;br /&gt;O silêncio da noite inspira, inclusive a trégua, mesmo quando há uma guerra declarada. Dormir profundo com outra pessoa é baixar suas armas, é dividir a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A urgência de estar apto, sem remelas, com um sorriso no rosto, aos poucos cede espaço para mais meia hora de sono. A cama, antes um deserto de dunas feitas por edredon, agora é disputada palmo a palmo quando a temperatura do corpo esquenta e separamos os corpos momentaneamente. Nestas horas me forço a abrir os olhos para vê-la dormir. É como uma paisagem vista da janela, viva porém quase imóvel. A observaria por horas como fazem os pescadores antes de enfrentarem as marés, mas não resisto e, ignorando o calor, volto a me enroscar nela, embalado por seu ressonar de sereia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que é amor porque bebemos, saímos, rimos, dançamos, cantamos, enlouquecemos, mas também comemos e dormimos demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para J.D.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8250470458238517908?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8250470458238517908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8250470458238517908' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8250470458238517908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8250470458238517908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2012/03/amor-come-dorme.html' title='AMOR COME-DORME'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-462978841424352361</id><published>2012-01-26T06:58:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T07:04:10.147-08:00</updated><title type='text'>ESCOMBROS DO DESTINO</title><content type='html'>Catei o isqueiro no bolso e não achei. Deixei na minha gaveta, junto com alguns contracheques, cópias de documentos, um bibelô cafona que ganhei no amigo oculto e minha escova de dente. Vai ser difícil achar meus pertences nesta montanha de escombros. Queria achar Vilma também, que foi a última a ficar. Disse a ela: “você namora no telefone o dia todo e depois precisa virar a noite digitando memorandos.” Não suspeito que vão achar seu cadáver com o celular na mão. Tenho pena porque queria transar com ela e nunca consegui. Não sou bonito, nem novo e trabalho em agência de propaganda porque gostaria de ser criativo. Sou o revisor e entro e saio sem ninguém perceber. Minha ocupação é corrigir os erros dos outros, portanto, sou lembrado apenas quando uma merda acontece. Pelo menos, desta vez, não tive culpa e até me sinto bem por isso. O prédio foi nocauteado e caiu em pé, retinho. O barulho parecia de uma decarga de banheiro, no volume máximo. Assisti a tudo do outro lado da rua, na travessa, onde costumo tomar minha cerveja até o trânsito aliviar. Na verdade, nem me mexi. Pedi apenas para trocar de copo porque a poeira veio até aqui e invadiu bares, hotéis, agências, carros e tudo que mais havia. Devo estar com a cara branca, parecendo um padeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais uma, Raimundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber?Nem ligo. Este trabalho anda me tirando os prazeres da vida. Chego suado para bater ponto, sob a vigiância da nariguda do RH e seu cumprimentar com as sobrancelhas suspensas me irritam. Tenho vontade de fazer o mesmo quando sou chamado para receber meu salário defasado, na sala. Pena que o prédio desabou tarde demais. Assim levaria uns tantos desafetos, que me avaliam de cima em baixo como “excesso de custo”. Essa repórter ali estava atrás de testemunhas do acidente que agora toma conta dos principais veículos de comunicação. Pensei em aparecer na TV e já tinha uma história triste pronta para contar. Não tenho dúvida que eu seria o rosto que simbolizaria a tragédia, ganharia indenização da prefeitura e estaria no camarote, juntos com as personalidades, no carnaval. Mas bastaria estampar esta cara redonda fazendo papel de vítima para que casos sensacionalistas pipocassem por aí. E o pior: seriam todos verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saideira, Raimundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu casamento com a patroa só durou até a primeira gravidez. Decidimos morar no mesmo bairro para manter as amizades e foram elas que me levaram para o mal caminho enquanto minha esposa sofria com inchaços, refrescando a noite com o ventilador amarrado na janela. Para aliviar a tensão, arrumei uma amante. Ela era pobrezinha mas muito carinhosa. Tinha uma carne dura e eu gostava de adormecer entre as suas coxas. Íamos para a quadra na quinta e, no começo, no cinema na quarta. Mas ela engravidou também e seus irmãos decidiram me pressionar. Parei de freqüentar a vila que a minha preta morava e decidi tomar jeito, ser um sujeito pacato. Foi nesta época que descobrimos que meu filho era mudo e uma sucessão de momentos angustiantes tomou conta do nosso lar. O garoto, que já tem nove anos e está com a cara da mãe, me olha com reprovação e quando tento me aproximar, levanta as sobrancelhas, do mesmo jeito que a mulher do departamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode fechar pra mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Sempre quis ser outra pessoa. Se não fosse a falta de recursos para a faculdade e a timidez, teria conseguido ser um redator de sucesso, daqueles que aparecem nos anuários em fotos preto e branco. Poderia também ter investido em outro ramo quando meu cunhado me convidou para abrir um negócio de piscinas de fibra. Com quarenta e um anos me sinto envergonhado de mudar até o corte de cabelo. Até minutos atrás, quando prédio caiu. Acho que alguém em algum lugar ouviu minhas preces e já que não sou capaz de mudar o que está a minha volta, tudo que está a minha volta mudou de direção. Olha essa fumaça, esse cheiro de queimado. Olha aquela a esposa do porteiro chorando. Nunca entrei no Theatro Municipal, que está localizado aqui atrás do bar, mas sinto que esta é a mais importante ópera da minha vida. E como toda ópera merece um gran finale. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raimundo, sabe, mais ou menos, quanto custa uma passagem pra puta que me pariu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-462978841424352361?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/462978841424352361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=462978841424352361' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/462978841424352361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/462978841424352361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2012/01/escombros-do-destino.html' title='ESCOMBROS DO DESTINO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8286330185330164586</id><published>2012-01-02T09:17:00.000-08:00</published><updated>2012-01-02T09:18:59.942-08:00</updated><title type='text'>O QUE VAI E O QUE FICA</title><content type='html'>O QUE VAI FICAR EM 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Minha escolha profissional como redator em agência de propaganda, começa a deixar dúvidas. &lt;br /&gt;2 - Os primeiros amassados do meu pegeout que nem terminei de pagar. &lt;br /&gt;3 - Amigos que foram morar fora, pais que abandonaram seu posto e ninguem para contar história.&lt;br /&gt;4 - Não consigo mais beber nem ficar acordado como adolescente.&lt;br /&gt;5 - Minha tentativa de escrever um livro - mais uma vez - estacionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUE VOU LEVAR PARA 2012&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Batizado, aniversário e andanças de Marysol pelo seu mundo. &lt;br /&gt;2 - Chegada do meu amigo de velha data na Banda e show memorável na Lona.&lt;br /&gt;3 - México de cabo a rabo de carro com cumpadri Washington e minha irmã preta.&lt;br /&gt;4 - Terceiro lugar em concurso nacional para escritores com mais de 1500 obras inscritas.&lt;br /&gt;5 - Pizza, jogo da vida, passeio com o cão e a volta dos prazeres à dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8286330185330164586?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8286330185330164586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8286330185330164586' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8286330185330164586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8286330185330164586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2012/01/o-que-vai-e-o-que-fica.html' title='O QUE VAI E O QUE FICA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6209300567426035136</id><published>2011-11-29T12:50:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T12:59:59.432-08:00</updated><title type='text'>ESCALA</title><content type='html'>Andou dizendo que vai partir fazendo cara de quem quer ficar&lt;br /&gt;Se despediu e não se moveu, cheia de graça tentando enganar&lt;br /&gt;                 As roupas continuam no chão vou tateando neste breu estelar&lt;br /&gt;                 Fronteiras que existem em vão pra quem enxerga tudo do ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cobertor que cobria a janela não impediu a entrada do sol&lt;br /&gt;revelando sua luz amarela e nossas pernas fora do lençol &lt;br /&gt;                Você mesmo dormindo dizia que o tempo era mera ilusão&lt;br /&gt;                 Os tantos atrasados no egito estão adiantados no Japão&lt;br /&gt;                                                   (em Quito)                              (no Gabão) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sim, ontem não. Nunca é cedo ou tarde pra esperar.&lt;br /&gt;Diz que sim, diz que não. Amor pesado é o que não sabe voar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6209300567426035136?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6209300567426035136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6209300567426035136' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6209300567426035136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6209300567426035136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/11/escala.html' title='ESCALA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-229043587376116302</id><published>2011-11-21T12:12:00.000-08:00</published><updated>2011-11-21T12:13:00.979-08:00</updated><title type='text'>CAMPO GRANDE PRA MIM</title><content type='html'>Sou a sexta geração de uma família tipicamente campograndense. Moro nos arredores da igreja Nossa Senhora do Desterro, onde os primeiros habitantes dessa terra estranha fincaram suas facas. Estudei no colégio católico da região e fiz primeira comunhão. Trabalhei em um jornal local e, pela felicidade de ter um avô que foi diretor do teatro do bairro, também vivi – e vivo – seu cenário cultural. Este discurso emburrado e cheio de poeira não me traz nenhuma vantagem a não ser o direito de falar o que quiser de onde nasci. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campo Grande é o quarto de empregada do Rio de Janeiro. É o bairro com maior expectativa de crescimento para a próxima década. Acrianos, alagoanos e mineiros repousam suas malas diariamente no único lugar que ainda tem espaço para sonhar no município. São eles que lotam os transportes públicos onde encontram uma outra família – pelo tanto tempo que convivem indo e vindo - dividindo intimidades até sem querer. &lt;br /&gt;O bairro não está longe o suficiente para ser interior, nem perto o suficiente para ser Rio de Janeiro. Campo Grande está escondido atrás de um vulcão preguiçoso no final de uma reta decadente e monótona chamada avenida Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de ser um paraíso natural, este terreno vasto e plano possui o que restou de sua mata ameaçada pelo tráfico e outra área natural tomada pela especulação imobiliária. Está entre dois bairros: Santa Cruz, que não tem nenhum talento para ser tornar mais desenvolvido e, mesmo tendo todas as oportunidades do mundo no passado, continua com sua mentalidade provinciana, e Bangu, onde o diabo se abana de calor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta gente chegando, inchando os bairros periféricos, em um pulo se tornou curral eleitoral, afastando a utopia de uma emancipação. Cada rua asfaltada, mil votos. Cada parideira com seus quatro filhos no centro social, outros mil votos. Os cariocas de verdade apertam a vista e mal conseguem enxergar onde fica esta quina do Rio. O helicóptero de notícias não chega, pois teria que abastecer pra voltar e os repórteres quando pensam em vir cobrir uma matéria, demoram tanto para regressar a redação, que comprometem o fechamento do periódico. Com esta miopia da opinião pública, compor uma máfia que proteja os comerciantes dos bandidos e permitir que as crianças brinquem no portão com segurança, se tornou mais que um ótimo negócio: virou coisa de super-herói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desenvolvimento econômico das classes baixas e a expectativa que o município vive pelos jogos olímpicos, Campo Grande vive uma nova fase. Tem churrasco todo dia, combos de bebidas para quem quiser, mais carros financiados na rua e a única coisa de metrópole que já conquistamos de antemão foi um trânsito desumano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dinheiro não compra consciência e poder não compra sabedoria, a mentalidade rasa conduzirá esta massa de milhões para o caminho inverso do desenvolvimento. Na verdade, estamos deixando de ser um bairro rural para se tornar subúrbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como meus cantores vieram da lama e meus escritores vieram do caos, esfrego minha terra na mão, com a esperança de lhe tirar toda a crosta e entender o que tem de tão poderoso e invisível em seus domínios. Olho a luz branca da manhã nos montes que ainda se preservam verdes, vejo o padeiro em sua bicicleta vendendo de porta em porta e não saio um dia na rua sem cumprimentar uma dezena de vizinhos. São estas miudezas que me cativam e mesmo conhecendo mais de dez países diferentes, não encontro nada igual. Já são seis gerações da família e três décadas de vida. Cansei de querer um Campo Grande melhor para todos. Vou fazer um Campo Grande melhor só para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-229043587376116302?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/229043587376116302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=229043587376116302' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/229043587376116302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/229043587376116302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/11/campo-grande-pra-mim.html' title='CAMPO GRANDE PRA MIM'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-790581693773433230</id><published>2011-08-30T09:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T15:34:10.874-07:00</updated><title type='text'>O QUERUBIM E AS NOSSAS INVENCIONICES</title><content type='html'>Metido em sua burocracia celestial, Deus lia em cima da mesa o pedido de serviço e montava seres humanos conforme demanda. Mas como não é dado a obedecer ordens, uma vez que não tem ninguém que as dê, vez ou outra transgredia a lógica, pois assim gostava de ser lembrando. A lógica é coisa da mãe natureza, o caos é coisa do todo-poderoso. Resmungou algo aos seus ajudantes quando leu o histórico de um casal que insistia em repetir a mesma fórmula do fracasso:  pais separados, jovens, gravidez inesperada. De certo também repetiria a fórmula pondo no mundo um moleque com olhos de pedinte, voz fraca e grato a ele por ter um prato de comida. Já tinham vários destes pré-montados no estoque, mas, se sentindo desafiado a mudar a roda da vida inventada pelos próprios humanos, decidiu lançar seu cavalo de tróia. Aceitou o desafio que foi confirmado no exame de sangue da moça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando por seu jardim idílico, cruzou toda a avenida até o playground, onde pequenos querubins faziam suas estripulias de andorinha. Escolheu um a esmo e o levou debaixo do braço, o que despertaria imensa inveja aos outros se este fosse um sentimento permitido no céu.  Trancou-se em sua sala, sacou-lhe as asas com a mesma habilidade de veterinários e introduziu – em processo completamente indolor – uma bomba-relógio em seu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado com as invenções dos humanos. Vai e volta voando. Terá minha consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite de agosto, o querubim experimentou pela primeira vez o mundo imperfeito. Depois de um dia todo esperando na placenta, foi posto para fora em líquido amniótico verde, contaminado por suas próprias fezes. Sentiu o salitre no ar e reparou na epiderme imperfeita dos parentes que vinham no vidro olhar o novo rebento. Insistiam que tinha os cabelos do pai, o nariz da mãe, numa tentativa de dar-lhe identificação e personalidade instantânea. Serviu-se de todo elogio durante as horas que esteve no hospital e, se não fosse o incômodo de usar luvas e roupas para cobrir seu sexo, estaria perfeitamente adaptado ao clima tropical da costa verde. Ganhou moradia no meio da mata, onde as borboletas se colidiam no ar e a cachoeira trazia morro abaixo um sortimento de folhas e flores. O querubim, que já havia sido nomeado com inspirações na natureza, descansava inebriado com o leite materno capaz de oferecer uma gama de paladares, quando a bomba-relógio estourou em seu peito, fazendo um estalo abafado, como de uma bexiga debaixo do cobertor. Foi levado ao hospital na cor de um inhame que provavelmente não iria chegar a comer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus aguardava ansioso o regresso do querubim, pronto para ouvir seu relato de espanto sobre àquela gente perecível, que se péla de medo da morte. A família de desregrados e fornicadores não transariam deliberadamente, não se apaixonariam inconseqüentemente outra vez, pois lembrariam desta mácula a cada natal; cada vez que se reunissem na mesa. Mas o querubim não voltou, tampouco mandou recado. Sem poder abrir os olhos sentia o calor da mão da mãe que o amamentou e toda uma legião de gente que vinha dizer-lhe coisas doces. Quando saiu do hospital envolta em tecido branco, bordado com crisântemos recebeu incentivo até de quem não o conhecia. O Senhor, famoso por sua ira, possui recursos infinitos e, como bom filho único, que não suporta ser contrariado, mostrou suas faces. Acionou nova bomba instalada no cérebro do pequeno ser divino, que convulsionou e tremeu seu corpo inanimado. A partir deste dia Deus não teve mais notícias do espião celestial. O querubim, recuperado dos ataques violentos, passou a descansar sob a sombra de árvores centenárias, protegidos em suas copas homogêneas. Assim brincou no chão pela primeira vez, comeu bolo de fubá e descobriu que na verdade seria uma mulher, de cabelos longos e loiros no futuro. Também provou doses fartas de amor, um sentimento novo que só nasce no coração de quem sabe o que  é perder alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestes a completar um ano, o querubim, já adaptado a Terra, distribuía sorrisos generosos aos poucos que ousaram despertar nas primeiras horas de domingo. Na capela de santo Antônio, quase perdida entre árvores e jardins, foi batizado, lavado do pecado original e ingressado, por ironia do destino, na comunidade cristã. Um coral de pássaros foi enviado para saudar a sua saída triunfal e nas horas seguintes foi introduzido a novas invencionices dos seres humanos que acabaram por lhe conquistar completamente. Eu que estava presente no evento e sempre acreditei na profundidade celestial daqueles olhos, vi quando Deus se mexeu sentado no topo da palmeira real. Usava uma túnica com linhas coloridas. Vinha acompanhado de outros querubins e mais dois ou três assistentes. Tentou se passar como desinteressado, fugindo o olhar para as plantas exóticas que moravam ali, mas sei que veio aprender e até estaria com inveja se este fosse um sentimento permitido no céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-790581693773433230?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/790581693773433230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=790581693773433230' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/790581693773433230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/790581693773433230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/08/o-querubim-e-as-nossas-invencionices.html' title='O QUERUBIM E AS NOSSAS INVENCIONICES'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2481736656857769013</id><published>2011-06-13T12:57:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T13:08:51.205-07:00</updated><title type='text'>CORAÇÃO PESQUE E PAGUE</title><content type='html'>Neste lago de águas diáfanas não é preciso vara porque meus sentimentos vão até você. É simples amigo: pegue um olhar, uma mentira bem contada ou qualquer outra migalha, jogue e fique esperando. Logo meus pequenos animais virão comer na sua mão. Tenho de todo tipo, rajados de vermelho, dourados, graúdos e miúdos. Só escolher. Qual recomendo?Aquele grande ali. Come de tudo, cresce rápido mas não digere muito bem. Se chama carência. Tem aquele outro que se chama vingança. Muito ruim de limpar mas tem um sabor inigualável. Escolhe o seu e não me encha mais. A fila deste pesque e pague não pára de crescer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias de feriado é comum acamparem no meu gramado. Já foi mais verde, bem cuidado. Hoje é terra batida com ervas daninhas e capim querendo impor sua natureza pobre. São anos de uso sem qualquer preservação. Neste que passou chegaram em bando e a oferta de iscas foi tanta que alguns sentimentos cresceram demais. A vaidade, a futilidade e a prepotência são raças que não vivem em harmonia dentro de mim e afugentam lá para o fundo do meu lago os sentimentos mais bonitos. Aliás para conhecê-los será necessário mais esforço da outra parte. Não se encantam com os mimos baratos jogados no espelho d´água. Interessado?então mergulhe de cabeça nas profundezas e cavidades do meu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferindo também tenho um brejo onde todas as minhas putarias sobrevivem chafurdadas na lama. Promiscuidades cabeludas, fetiches de quatros patas e outra ordem de bichos que parecem estranhos à luz do sol mas se tornam deliciosos à luz da lua. Rompa a carapaça e terá direito de chupar, lamber e morder tudo que encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À primeira vista ter um pesque pague parece ser um bom negócio porque os clientes viram amigos e sempre aparece gente nova para se divertir. Pensar que você contribui com a vida alheia dá uma leve impressão que se está cumprindo uma missão divina na Terra. Só tenho medo dos recados da mãe natureza. O nível do meu lago a cada ano desce mais e essas águas feitas de lágrimas caídas em um filme bobo de romance ou preenchidas pelo suor de um orgasmo sincero estão cada vez mais difíceis de extrair. Tenho medo de acordar um dia e ver toda espécie rara de ternura, encantamento e lealdade agonizando por um palmo de lago. Justamente estas que viviam em cardume e faziam cócegas no meu estômago quando eu ainda conseguia lembrar o nome de quem se interessava por sentimentos dessa espécie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2481736656857769013?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2481736656857769013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2481736656857769013' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2481736656857769013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2481736656857769013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/06/coracao-pesque-e-pague.html' title='CORAÇÃO PESQUE E PAGUE'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8943290175449613251</id><published>2011-05-02T14:37:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T14:38:26.056-07:00</updated><title type='text'>O VENENO DE MIRANDA</title><content type='html'>Miranda raspava os restos da sua quentinha no lixo da cozinha, rompendo o silêncio. Outros vigilantes almoçavam debruçados na bancada, concentrados no mastigar de pensamentos soltos. O dia cinza tornava o lugar aconchegante pelo calor dos mini-fornos em ação. Seu recipiente de alumínio, que neste dia tinha abóbora cozida e carne seca de mistura, era inadequado comparado aos mais modernos, com divisórias e tampas herméticas. Mas Miranda era tradicional e não se importava em parecer ultrapassado. Tanto que não abandonava sua pochete, ou capanga como gostava de se referir. Impunha um certo respeito por parecer que este tem porte de arma e carregava seu trabuco a tiracolo. Não cansava de contar aos sobrinhos que era confundido como papamaique. O vigilante um dia sonhou ser fuzileiro, bombeiro, polícia civil e ser responsável pela entrada e saída dos carros na fábrica quando já passava da metade da vida lhe parecia razoável. Depois de raspar quase toda marmita no lixo, alguém o interpelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto tiver sem fome assim, passa pra cá que eu como. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era dado ao desperdício mas desde as primeiras horas estava tomado por uma preocupação inédita. Virou-se de costas e enfrentou a passagem entre as cadeiras. Pouco mais de 30 passos. Esticou o primeiro pé concentrado, logo o outro. E foi cadenciando seu andar intermitente. Parecia ter conseguido fingir normalidade mas quando virou na porta pôde ouvir muxoxos e zombarias. Sentiu alívio quando chegou ao seu posto, onde ficava de pé dentro da cabine acionando o botão do portão. Esteve ali imóvel durante todo o tempo e esqueceu sua preocupação que só veio à tona quando o rádio PX tocou e uma voz conhecida do outro lado o relembrou da rodada de carteado, no trailer embaixo do viaduto. &lt;br /&gt;Não poderia ir, mesmo sabendo que havia deixado 50 pratas em aposta. Gostaria de ir direto para casa, deitar na cama sem dizer uma palavra e fechar os olhos, com esperança de que no dia seguinte tudo voltaria a sua normalidade. Mas o trailer era caminho obrigatório e uma angústia estacionou no seu estômago. Pensou em uma saída tão logo abriu o portão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos que almoçavam em silêncio eram capazes de fazer arruaça de crianças no recreio. Espalhavam-se pela calçada em volta do trailer, revezando no jogo de baralho. Um noticiário de boletim policial vindo da caixinha de som dava o tema das conversas. Falavam de suas façanhas, mortes espetaculares, tipos de arma e mulher. O monza vinho de Cardoso parou e Miranda chegou de carona. Seria estranho pegar carona pela distancia ridícula e sua idéia inicial era que pudesse ir direto para a estação de trem e embarcar para casa. Esqueceu-se que Cardoso, apesar de não jogar, tomava sua talagada de conhaque antes de pegar a estrada. Distraídos em suas jogatinas e causos fantásticos não fizeram qualquer comentário por horas. Já estava escuro e a lâmpada esticada com cabo de vassoura mal conseguia clarear a mesa quando Fraga disparou sua ofensa após se eliminado do jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos não sou quem anda rebolando. Só pode estar usando calcinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu olhos concentrados em Miranda e o queixo proeminente exigiam uma resposta. Em outra situação o vigilante  poderia fazer uso de sua capanga e fingir que ia exterminar qualquer otário mas todos sabiam que não possuía sequer uma garrucha visto que ficou sem alternativa a não ser contar a verdade. Disse tudo em curtas palavras e ninguém pareceu acreditar de tão fantástica a história. Já haviam ouvido falar que o veneno deixava paralisado, cianótico e até matava mas nunca influenciaria o modo de andar. Cardoso deixou Miranda na estação de metrô e arqueou suas sobrancelhas na despedida penalizado com tudo que ouviu. Miranda novamente calculou a distância até o vagão e parecia interminável a chegada até lá. Era extremamente cansativo pensar no passo firme, mais nada. Esquerda, direita. Esquerda direita. Teria conseguido se o alto-falante não tivesse anunciado a saída imediata do trem sentido Santa Cruz. Sabia que depois daquele teria que encarar o parador que visitava as 48 estações até sua casa. Olhou para frente com a mesma obstinação de um maratonista e abandonou seu mantra. Correu e enquanto fazia seu quadril passou a dar rebolados de passista. Suas ancas balançavam em exagero para os lados de maneira que nem os maratonistas de marcha lenta conseguiriam tal proeza. Passou pela multidão de trabalhadores cansados e parecia que uma avenida se abria com todos os olhares apontados para ele. Quanto mais tentava se apressar mais rebolava. Sorte que já estava a paisana senão seria identificado e no outro dia não faltariam zombadores na porta. Preferia estar cagado que passar um constrangimento daquele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou no sofá cansado e ligou a televisão só para fazer companhia. Sua mulher saiu do banho e depois das ablução imersa em cremes de essência de morango, contou seu dia na cronologia dos fatos, vez ou outra buscando a opinião do marido. Vendo que não tinha resposta o confrontava exigindo atenção. A mesa estava quase posta quando Miranda não agüentou e gritou com seu urro de macho alfa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vê que eu to sofrendo porra! Não consigo parar de rebolar feito uma bicha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher minimizou o fato explicando que isso para as mulheres era perfeitamente normal e mesmo que tivesse que conviver com esta nova modalidade de andar, se adaptaria facilmente. No final decidiu aplicar a ele o mesmo procedimento de organização de idéias e perguntou a Miranda como foi seu dia. Parou para ouvir atentamente quando este explicou o diagnóstico do doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma espécie rara de lacraia que tem aqui em casa. Deve ter me picado enquanto tomava banho. Seu veneno, contrários dos outros, não mata nem manda ninguém para o hospital. Seu efeito relaxa os músculos da região glútea, deixando-a dormente. Disse que caminhar ajuda na circulação do sangue e na diluição do veneno. Não há outro remédio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miranda limpava as cavidades nazais, assoando seu muco com força quando reencontrou a maldita. Pequena, serelepe, tentava subir pelo azulejo. Quando atingida por um pingo caía na água novamente e serpenteava agitada nadando com dificuldade.  Assim Miranda nadaria, se precisasse. A lacraia se escondeu na brecha da massa que cedeu a infiltração, assim como Miranda que foi direto para cama, com pijama azul marinho e seu rebolado desconcertante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8943290175449613251?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8943290175449613251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8943290175449613251' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8943290175449613251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8943290175449613251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/05/o-veneno-de-miranda.html' title='O VENENO DE MIRANDA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1838807180285578137</id><published>2011-04-18T15:50:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T15:51:16.904-07:00</updated><title type='text'>FAST FORWARD FRIDAY</title><content type='html'>“Uruguaiana né?”. Cem passos até o metrô. Um minuto atrasado. Quantos segundos demoram cada porta ao abrir e fechar? Abre e fecha. Abre e fecha. 8x. 11h17h. Todo dia o mesmo horário. “Bom dia gente”. Coca-cola light de ontem?Bebi e ninguém viu. Ela chegou. Não olhei. Notícias do flamengo. De Realengo. Anoto comprar calça nova na lista que começou segunda. Roupas para o show. Expectativa que dá fome. Ninguém tem biscoito. Word/meus arquivos/repertório. Quanto ta uma hering?Escrevo errado. Google acha. Ela pergunta se vi o email. Hoje tem reunião no cliente. Mais fome. Mais ansiedade. Mais Flamengo. Mais Realengo. Volto na lista e anoto fone de ouvido. Lembro do IPVA. Lembro da nota fiscal do show. Começo a fazer conta do mês e não termino. Melhor achar que tem mais. Falta corrigir todos os layouts. 14H o táxi vem. Mais ansiedade. Mais fome. Não dá para almoçar. Olho a campanha e imagino ganhar a conta. Imagino mais dinheiro. Lembro da lista. Lembro da banda e dos shows. Melhor fazer o repertório. Corrijo rápido. O táxi chegou. Ela está discutindo e vai querer atenção. Quis. Não olhei mas falei. Brinquei. Não vai dar para comprar a calça e vou tocar com a velha. Lembro do lenço novo que comprei. Volto na lista para riscá-lo mas não tinha incluído. Quero riscar alguma coisa. Entro no site da Hering. Alguém me chama no Facebook. Outro alguém. Um terceiro alguém sem foto me ofende. Não tenho tempo para gracinha. Já estão todos prontos. Abro o repertório. Ela pede para corrigir tudo de novo. Outra discussão acontece. A promoção tem um balão. Não acharam um balão?Como assim?Vou verificar. Volto. Abro o repertório. “Você viu o email”Não tinha visto. Estamos atrasados. CTRL C + CTRL V. 7 cópias das mesmas músicas. Deixo por conta do improviso. Levo a mala pra ela. A outra me pede para ir no meio. Não sou cavalheiro e vou no canto. Acordo com riso e com meu ronco. Chegamos na reunião dentro do shopping. Lembro da lista. Toca o telefone. Cadê o baterista?Olá, sou redator da agência. Celular no silencioso. Mando mensagem. Ela começa a falar e ler. Tenho medo de ter erro na apresentação. Falo alguma coisa para descontrair. Bebo água. A mensagem volta com o paradeiro do músico. Outro liga. Número desconhecido também. 17h. Gostam do balão. Lembro da discussão. Bebo água. O diretor parece não gostar. Tudo morno. Começo a imaginar como seriam fora do ambiente de trabalho. Lembro do público que vai me assistir. Quero riscar algo da lista. Será que ali vende brinco?Bebo mais água. To cansado mas não posso. Quero tomar um energético e alguém propõe cerveja. Não vejo loja de calça nem de brinco. Ta escuro. Alguém pergunta da reunião. Tento falar duas vezes mas não querem ouvir porque também querem falar. Bebo cerveja. Elogio o balão. Chega outra cerveja. Falamos todos nos celulares. Ela paga minha cerveja. Tento lembrar o número do ônibus. Ando apressado. Lembro da lista e do fone de ouvido. Lembro que  vou tocar em outro lugar. Quero pensar só na banda mas ainda me vem as idéias do balão. O dinheiro na conta. Tem uma sobra e paro para comer. Não sei montar essa merda de sanduíche. Saio da fila. Compro energético mais adiante e fico no ponto. Muita gente e não posso me distrair. O baterista não chegou?Vão falar mal dele. Procuro relaxar no escuro com ar condicionado. Agenda: a,b,c.. lembro do brinco e das fotos com roupas iguais. Lembro da minha barriga com a camisa branca. Pego o repertório na mochila e tento pensar nos improvisos. Durmo. Acordo com a lata caindo no chão. Durmo, acordo e não conheço o lugar. O ônibus pegou outro caminho. Ligo e ninguém atende. Não vou conseguir chegar na passagem de som. Quero colocar o assunto na lista mas tenho que fazer outra lista de obrigações. Mas duas vai ser demais. “Posso descer ali no sinal?”Corre, corre, banho morno, calça velha, lenço novo na mochila. Cadê o baterista? Tem trânsito. “Alô, to quase chegando”. Passo direto no quebra molas. Lembro do velocímetro e da divida com o mecânico. Mais coisa na lista. E o repertório??Ligo para casa. Separa e alguém busca. Tenho que me identificar como vocalista. Ganho um sorriso simpático. Diminuo o passo. Agora sou o cantor. Agora sou o cantor. Falo com ela. Não aquela, agora outra diretora, outra cliente. Sorrio. Olho o espaço. Tem gente esperando mas é pouca. Duas moças lindas. Penso na primeira vez no que vou fazer depois do show. O baterista aparece. Ajudo a carregar tudo. Me mostra a camisa nova e fico com inveja. Chega gente. Me escondo no camarim e me arrumo cedo demais. To ansioso pela segunda vez no dia. Melhor beber de novo. Vou passar o volume de voz atrás do telão. O baterista foi para casa e fico sozinho. Lembro do balão e mando mensagem para saber se ganhamos alguma coisa. Lembro do repertório e ligo para o baterista. Mais gente chegando. Melhor beber mais. Volto ao camarim. Amarro o lenço. Tiro da cabeça porque acho que estou parecendo o Cazuza. Tento lembrar outro jeito de amarrar. Vi o vídeo do youtube. Não consigo. Lembro do email que não li. Chega o guitarrista e o baixista. Falam da passagem de som. Chega o percussionista e fala alguma piada que já conheço. Rio com todos. Não consigo amarrar o lenço. Melhor fazer do meu jeito. “A diretora quer falar com você”. Não a primeira, a segunda. Quer Roberto Carlos. Libera a comida. Lembro que não almocei e não me cabe agora fazer. Vou beber. Ela não quer no palco. Devolvo o sorriso. Chega o baterista de camisa nova. Chegam os convidados. Melhor começar agora?Nem olho pra frente. Apresso. Apresso. Quero sair dali. Olho para a moça. Tem outras moças. O que vou fazer depois daqui?Contagem regressiva. Tlec, tlec, tlec...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1838807180285578137?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1838807180285578137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1838807180285578137' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1838807180285578137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1838807180285578137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/04/fast-forward-friday.html' title='FAST FORWARD FRIDAY'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1239688423456102723</id><published>2011-03-28T13:27:00.000-07:00</published><updated>2011-03-30T07:50:00.133-07:00</updated><title type='text'>PAUSE E PARABÉNS</title><content type='html'>Acordei sem poder acordar. Mas isso pra mim é normal. Tem gente que fica de preguiça na cama e atrasa uns minutinhos no trabalho. Eu também. A diferença é que não escolho o dia que isso vai acontecer. É o meu corpo que determina meus domingos. Tenho catalepsia projetiva, conhecida por paralisia do sono. Nada diferente do que ter o dedo do pé para fora da sandália ou um bico do peito diferente do outro. Cedo ou tarde, a gente se acostuma. &lt;br /&gt;É mais ou menos assim: você acorda e parece que ainda está dormindo. Nada mexe, no máximo, a bolinha preta do olho. Quando pequena minha avó dizia que eu estava deixando de ser uma boneca para virar menina. Já meu irmão mais novo dizia que eu tinha um encosto. Seja como for não me incomodaria tanto de travar se hoje não fosse meu aniversário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente tenho estes piripaques depois de um dia cansativo. Mas ontem não saí da rotina. O momento mais emocionante foi ter suturado a língua do gato. Sei da importância que ela tem para os seus banhos, por isso fiquei feliz. Convenhamos: ser veterinária em uma clínica é uma realização pessoal nada agitada. O primeiro a me desejar parabéns foi o Cocoroca, meu cachorro. Chegou com andar de xerife, pernas arcadas e focinho amassado. Ouvi seus passos tilintando no piso. Depois de esperar um afago, em vão, tentou pular na cama, presumindo que eu o ajudaria a subir. Seria um dia perfeito, acordar com seu ronco de batráquio fazendo festinha. Mas quis o destino que eu virasse uma samambaia no dia que completo 26 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo olhando a parede. Nas suas imperfeições sempre vejo formar as mesmas figuras. O Don Quixote, onde sujei com o pé. O carro de corrida, na parte áspera. A silhueta de mulher, na rachadura recoberta pela tinta. Estava olhando para elas quando minha amiga, que divide apartamento comigo, apareceu na ponta dos pés. Como todo mundo, achou que eu estivesse dormindo. Entrou com um cartão na mão, que puder ver que era vermelho. O pendurou no mural e ali ficou, olhando, lendo, revisitando detalhes de fotografias que os olhos insistem em esquecer, só para nos devolver o prazer de sentir uma coceirinha na alma. Isso deveria ter um nome mais bonito que nostalgia. Observá-la assim, neste breve momento de encantamento foi meu melhor presente. Sei que naquele instante o mundo para ela também parou. A parte que o cartão disparou seu jingle eletrônico cantando “parabéns pra você” e ela saiu em disparada, deixa pra lá.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o médico que, para sair deste estado em pause, preciso me concentrar na respiração. Tiro pensamentos da cabeça e foco no ar passeando, oxigenando e saindo, com pressão de calibrador de pneu. Começo a inspirar mas logo lembro da comida descongelando fora da geladeira. Lembro dos amigos que se mobilizaram para ajudar nos preparativos. E lembro de alguém que não poderia lembrar. Alguém que faz meu coração disparar, mesmo teimando em não querer. &lt;br /&gt;Putz. Para as favas a respiração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu celular apitou 18 vezes de meia noite para cá. A cada apito, uma mensagem de texto. Como ociosidade é algo obrigatório agora, calculei a média de amigos que lembraram de mim por hora: 2.57. Não é muito se levar em consideração os parentes e o recado da operadora cobrando faturas esquecidas. Mas não me importo, gosto tanto deles. Em breve estarão misturados, fazendo drinques, arriscando piadas e reiterando os votos de amizade eterna. Do telefone da pizzaria, que entrega depois de meia noite, aos sábados sem grana que amanhecemos jogando baralho, são eles que estão por trás de tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei dando um improvável suspiro, o que me anima a possibilidade de voltar ao normal dentro de algumas horas. Já sinto o pé formigando. Enquanto isso tento bloquear a saudade.Talvez só as figuras inventadas na parede saibam como sinto falta da minha mãe e sua maneira peculiar de me acordar fazendo voltinhas em meu cabelo. Sinto também falta dos gritos de domador de urso do meu pai. Mas se não controlo nem o meu tempo, é muita presunção da minha parte querer controlar o destino.  Agora que tenho 26 anos vou olhar para os 30 de rabo de olho tentando não dar ouvido às suas obrigações. Sou veterinária, sou amiga, dona de um cachorro e do meu próprio nariz. Talvez não seja uma boneca e com certeza não tenho um encosto, mas passei a ver com outros olhos essa esquisitice de viver sonhando acordada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para C.C.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1239688423456102723?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1239688423456102723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1239688423456102723' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1239688423456102723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1239688423456102723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/03/pause-e-parabens.html' title='PAUSE E PARABÉNS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-4625026289275490467</id><published>2011-02-09T10:07:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T07:31:01.422-08:00</updated><title type='text'>DIAS DE JANEIRO</title><content type='html'>É caxias esse janeiro. Quando os meses do calendário se reuniram para organizar a fila, foi ele o primeiro a chegar e o primeiro a levar a bandeira do ano recém nascido. Bem feito. Mal sabia que junto da bandeira vinha uma mala sem alça chamada realização. Dezembro fica com os sonhos. Janeiro os transforma em meta. Vigília, disciplina e providência passam a cozinhar em banho-maria para, um dia, se transformarem em atitude. Janeiro pega fogo, não pelo sol de maçarico lá de fora mas pelas ebulições, aqui dentro. Assisto passivo o pocket show da vida alheia de tudo que não vai acontecer para o resto do ano: 30 dias sem por álcool na boca, 30 dias viajando, 30 dias de namoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Janeiro tem inveja das tardes frias de julho, da desimportância de novembro e do humor negro de agosto. Talvez se nessa reunião tivessem comparecido também as estações do ano, as resoluções seriam diferentes. Tudo em seu reino é frívolo e artificial como o bronzeado de domingo. Não se faz amigos, não se encontram amores, tudo que se vê é fruto de miragem causada pela radiação do décimo terceiro salário e a chegada eminente do carnaval. Janeiro não tem árvore, não tem raiz, só pó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cheio de marra esse janeiro. Bate no peito para falar de suas posses, afinal, o Rio é só dele. E seguindo o pensamento vale refletir: São Paulo seria das águas de março?Existe uma magnética doida nesta lógica de estado e calendário pois o Rio e o Janeiro alimentam o tesão um pelo outro e chamam o verão para completar a suruba, cujos os filhos, somos nós, cariocas que temos a certeza de morar no melhor lugar do mundo mesmo sem conhecer o outro lado da rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que soe contraditório, embora pareça ser, isento as praias em sua concepção natural. Nada tem a ver a ignorância surda das ondas e a benevolência das areias. A praia é o portal onde, regando com champagne, enterramos nosso pedidos, moedinhas e lentilhas, para, uma semana depois, deitarmos semi nus sobre eles. Na mesma areia entregamos nossa alma e oferecemos nosso corpo. O sagrado e o profano junto e misturado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que janeiro passe em galope e não deixe uma brisa sequer para balançar meu móbile apanhador dos sonhos. Deste mês, que tem o mesmo destino dos aeroportos e a mesma tristeza das estações de metrô, não ficará uma lembrança no porta-retrato, um bilhete colado na geladeira. Não porque os momentos de sol, sal e suor não foram importantes e sim porque todos os anos eles se repetem, repetem, repetem. Janeiros são sempre iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-4625026289275490467?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/4625026289275490467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=4625026289275490467' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4625026289275490467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4625026289275490467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2011/02/dias-de-janeiro.html' title='DIAS DE JANEIRO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-9009534896446157759</id><published>2010-12-21T12:39:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T12:40:02.915-08:00</updated><title type='text'>O QUE VAI E O QUE FICA</title><content type='html'>O QUE VAI FICAR EM 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - O retrocesso como motorista arranhando meu carro de todo jeito.&lt;br /&gt;09 - Um sol marcado na minha pele em forma de tatuagem com tristes quelóides.&lt;br /&gt;08 - A resposta negativa que a boliviana deu ao me ouvir dizer que estava de malas prontas para revê-la. &lt;br /&gt;07 - Tudo que eu tive que repetir para a minha avó que já não processa informação tão rapído.&lt;br /&gt;06 - Minha total desorganização financeira que me custou seis meses contando moedas. &lt;br /&gt;05 - O abandono total de aventuras mais distantes mediante ao comodismo da fama barata. &lt;br /&gt;04 - Um projeto de romance que terminou em lágrimas mais amargas que o normal. &lt;br /&gt;03 - Dois ou três seres sem luz que trairam e ofenderam a minha amizade. &lt;br /&gt;02 - Perceber que minha mãe não tem o mínimo talento para assumir este posto. &lt;br /&gt;01 - O destino que fez minha filha nascer, mudou de idéia e quase a levou de volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUE VOU LEVAR DE 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - O privilégio de ter o melhor pub do bairro ao lado de casa e fazer parte do seu sucesso. &lt;br /&gt;09 - O pegeout com seu ar condicionado e a trava que faz ele piscar de longe. &lt;br /&gt;08 - Picos nevados, lagos, cidades sagradas, e as mil e uma aventuras nos 3 novos países visitados. &lt;br /&gt;07 - Peso de rapazinho e exame de sangue completo demonstrando que ando comendo menos e melhor.&lt;br /&gt;06 - Shows memoráveis, casas cheias, agenda lotada, lágrimas, assédio, fotos e a Truque subindo a ladeira com velocidade. &lt;br /&gt;05 - As lágrimas que escorreram escondidas com a superação dos 77km de caminhada no Peru em condições precárias  &lt;br /&gt;04 - Os momentos de absoluta intimidade e carinhos nos poucos mas sinceros romances que vivi.&lt;br /&gt;03 - Novos amigos de raça, amigos nobres, amigos intensos, doidos, gente que veio pra ficar.&lt;br /&gt;02 - A convicção ao escolher o padrinho da minha filha que acabou me dando uma nova família. &lt;br /&gt;01 - O momento que minha filha nasceu, me olhou nos olhos e tudo fez sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-9009534896446157759?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/9009534896446157759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=9009534896446157759' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9009534896446157759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9009534896446157759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/12/o-que-vai-e-o-que-fica.html' title='O QUE VAI E O QUE FICA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1642169005696535167</id><published>2010-11-30T07:40:00.000-08:00</published><updated>2010-11-30T07:42:06.258-08:00</updated><title type='text'>O MEU, O MAR</title><content type='html'>Aguardo o rosto dela como observo as nuvens. É preciso ter paciência para reconhecer seus rascunhos. Sei que se revelará com sutileza e determinação, a mesma que espero do seu olhar. Vasculho o céu talhado em branco e azul, enquanto, gradativos, o sal e o sol mudam minha cor, o corpo perde a gravidade e meu ouvido se deixa levar pelos mil sinos das profundezas do oceano. Se não fosse pessoa, hoje eu poderia ser o mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da superioridade de sua mão branca gigante que bate em meu peito, insinuando aprovação, a cada vez que tento invadir seus domínios. Gosto das armadilhas de caça que nos pegam pelo pé e nos arrastam para o fundo. Gosto do seu infinito tridimensional. Se mergulho, deserto de areia e corais. Se flutuo, vôo horas sem pisar no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mar deposito a minha fé, que não tem sexo, nem altar. Um quarto vazio onde jogo todos os desenganos nascidos como ondas para depois viajar até outro continente, onde se chocam, se arranham, se arrebentam e voltam mansos lambendo meus pés em compreensíveis marolas sentimentais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele guarda meu grito de criança, saltando destemido da pedra mais alta. Guarda as conchas que não encontramos para fazer porta-retrato. Guarda as remadas que demos no dia que a tempestade nos trouxe a canoa. Guarda os mesmos peixes que minha mãe desenha até hoje quando encontra uma caneta e um papel em branco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha devoção quase secreta só naufraga quando confundida com pegadas na areia, pôr do sol e amores de verão. Não me importam as praias, os coqueiros, o luar, os sonhos eróticos e as milhões de aquarelas que ornamentam salas de estar e pára-choques de caminhão. Quero um mergulho de alma inteira e corpo inteiro, nada mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o final do dia o céu permaneceu bordado em nuvens, como um centro de mesa, e nenhum rosto apareceu. Tudo bem. Que o vento leve pra longe um grande amor, mas me deixe o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1642169005696535167?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1642169005696535167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1642169005696535167' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1642169005696535167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1642169005696535167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/11/o-meu-o-mar.html' title='O MEU, O MAR'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5399785193281324604</id><published>2010-10-13T14:46:00.001-07:00</published><updated>2010-10-13T14:47:36.864-07:00</updated><title type='text'>OS HERÓIS DO MEU ENCARTE</title><content type='html'>Tínhamos uma fita. Daquelas que enrolam no cabeçote e só a tampa da caneta é capaz de trazê-la de volta a bobina.  Paralamas no lado A e B. Ouvíamos sem o encarte, mas repetíamos o que entendíamos e imaginávamos o resto. Incansáveis, sob a benção da amendoeira na Residência das Flores. Só a bonança do décimo terceiro salário vestido de papai noel me trouxe um aparelho de CD e uns trocados: agora eu poderia cantar todas as canções e ouvir sem gastar ou engasgar. Mas para minha surpresa não haviam letras no encarte pobrezinho. Só fotos coloridas, meia dúzia de novas composições e a ficha técnica. Sem alternativa, me limitei a decorar o que tinha e me abestava em discutir a ficha técnica, como se todos os músicos morassem, e de certa forma moravam, na minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos verões se passaram e eu agora, de mão estendida e coração atrapalhado, olhava para sua careca branca, seu sorriso juvenil de Buda, sentado na cadeira de rodas não prostrado, mas sim flutuante, de alma elevada. Suas músicas, que tomam minha juventude emprestada para chegar com energia aos ouvidos de tantos outros, finalmente estão personificadas em um rosto, um sorriso, um timbre de voz e meia dúzia de perguntas cordiais e inesquecíveis que eram só para mim. Herbert Vianna apareceu assim, na esquina da empolgação com a minha satisfação pessoal de saber flutuar neste ambiente que vai além de croquetes e bebida de graça. João, seu tecladista me segurou com seus dedos de madeira nobre e me guiou feito escavadeira pelo caminho. Aqueles olhos escondidos no meio de sua barba nublada, preta, branca e cinza, tão pequenos feito leds, enxergam em mim algo que não sei o que é porém sou eternamente grato. Temos sintonia, nas viagens, no palco e no gosto pelo bar que escolhemos beber. Entramos no camarim ao lado onde eu, no intimo imaginava ganhar algum tipo de advertência, ou ser apresentado para algum técnico de som morador da região. Mas não. O compositor de tantas canções que arrebata os sentimentos estava ali, pronto para me conhecer. A diferença sutil deste encontro ou dos demais que o destino poderia me reservar por entre as ruas do Leblon ou em qualquer outra onde todo mundo se sente mais carioca, está nas vias que me guiaram até ali. Foi todo o esforço feito pela música pura, toda a batalha pela canção mais certa, pelo detalhe percebido, além de toda a honestidade oferecida a cada show. Foi tudo isso que me levou a conhecer Herbert Vianna. Contei a ele sobre o primeiro CD que comprei, da minha banda de final de semana, do meu gosto por ver um palco cheio de gente. Pude deseja-lo bom show, pude ouvi-lo dizer que deveria me divertir e como nos encontros mais apaixonados me fugiram todos os argumentos e questões interessantes.Não era uma oportunidade de trabalho. Era fã e ídolo. Aquele homem que a tragédia tentou partir ao meio, possui em torno de sua órbita anéis  tão poderosos que desestabilizam até os mais insensíveis cidadãos, incluindo seguranças e empresários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos minutos seguintes chegaram todos os outros do meu encarte. Mais velhinhos, alguns mais carecas, com sua prole e mil assessores, amigos e puxa sacos. Eu sentia uma intimidade solitária por cada um deles e tive que me conter para não puxar assunto sobre seus hobbies e manias. No bololô da empolgação alguns da minha banda furaram o bloqueio e se juntaram a mim. Percebi que não havia regredido quinze anos da minha vida sozinho. Os marmanjos que portam armas de fogo no ofício, arquearam suas sobrancelhas ao ver tantos ícones juntos. Puxaram máquinas, celulares, jogaram sorriso, encolheram os ombros e assistiram ao início de mais um show triunfal de trás pra frente, vendo a intimidade daqueles ídolos de sua época. Lá foram eles, entrando no palco um a um, cada qual com sua crença, com seu herói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei ali no back stage, sem ninguém,  agora sob a benção da Universidade Rural e seus prédios centenários. O contra-regra observava da rampa que dá acesso ao palco e certamente subjugou aquele cara despenteado e sanguessuga de famosos, que aproveitava seus últimos segundos de fama na área vip. Mal sabia ele que aquele era só um garoto, rebobinando sua felicidade, mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5399785193281324604?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5399785193281324604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5399785193281324604' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5399785193281324604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5399785193281324604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/10/os-herois-do-meu-encarte.html' title='OS HERÓIS DO MEU ENCARTE'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5483962115426330251</id><published>2010-09-14T08:38:00.001-07:00</published><updated>2010-09-15T09:22:15.637-07:00</updated><title type='text'>METABOLIZANDO O AMOR</title><content type='html'>Atrás de suas lentes cor de mel existia uma verdade quando dizia me amar. Eu sempre acreditei que esta era sua intenção. Meu silêncio a fazia desviar o olhar, na momentânea falta de reciprocidade. Mal sabe ela que a amei, desde o primeiro sexo, desde o primeiro riso de bêbado. Nunca a disse porque minhas palavras em sua sopa de letrinhas se embaralhavam e acabavam por ganhar outro significado. Aliás, foram quatro meses onde nossas freqüências se atropelavam e as discussões ganhavam conotação de duas rádios piratas  disputando o mesmo canal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a morte de uma fada apaga uma estrela do céu, acredito que Deus castigue quem negue uma paixão. O meu calvário foi me interessar por situações impossíveis onde nem o estudo do genoma daria jeito. Comecei a ter gosto estranho pelo adverso, a admirar o paladar do pecado, me viciei nos venenos mais salgados e, numa das manhãs, me vi incapaz de viver com o coração em paz. Pelo sistema de câmeras da consciência dá pra notar o quanto crio meus próprios monstros e medos.  A menina das lentes de mel surgiu assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde hoje é só terra arrasada plantei com as mãos algumas mudas de esperança. Trouxe para dentro da roda uma personagem de outra cor e outra forma, que causou inveja e espanto. A minha menina tinha um poder intocável e seu farol alto cegava toda as outras belezas. Nem nos momentos de fúria deixei de admirar sua natureza perfeita. Mas logo o tecido adiposo da vaidade se instalou em nossa relação, deixamos espaço para a voz alheia e tudo começou a terminar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento não ter amado com o coração e sim com o fígado. Explico: amar com o coração é jogar tudo numa enorme sala e deixar a panela de pressão gritar pelo seu peito, sentir a temperatura mudar e o sangue cozinhar. Amar com o fígado é metabolizar, filtrar e condensar os sedimentos numa tentativa de descobrir o que é vitamina e o que é excremento. Éramos tão diferentes, tão poderosos e tão amados pelos nossos que seria impossível equalizar os batimentos nessa entrega juvenil. Percebi que éramos amantes e amigos de verdade somente quando estávamos sozinhos, quando os instintos trocavam nossas palavras por afeto e o silêncio do quarto descia seus lençóis sobre nós. Sinto uma saudade chuvosa quando lembro dela tão à vontade, sem público, sem dizer nada, vestida para dormir ou comprar pão. Esta era a minha menina das lentes de mel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso projeto de amor perdeu seus nutrientes pela minha implicância, pela sua vaidade e pela vida que escolhemos levar. Talvez ela necessite de um jardineiro para, todos os dias, regar seus jardins. Talvez eu precise de alguém que  pense somente em aproveitar a viagem do meu lado.  A dois dias suas mãos fugiram das minhas deixando marcas de ciúmes e acusações levianas. Não tive mais forças para segurá-la perto de mim e agora me abano no vento como uma bandeira sem navio, sem mastro e sem propósito. Espero que a minha filha, com sua fragilidade cativante, me ensine a ser novamente subserviente aos caprichos femininos e um dia eu compreenda porque, todas as vezes que a menina das lentes de mel entrava no meu carro, me servindo do seu melhor sorriso, perguntava o porque da cara de bobo. Talvez o amor tenha que ser sempre acompanhado de elogios fartos ou talvez, por ver somente sua própria imagem refletida nas minhas retinas, ela nunca tenha lido aquilo que meus olhos queriam dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5483962115426330251?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5483962115426330251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5483962115426330251' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5483962115426330251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5483962115426330251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/09/metabolizando-o-amor.html' title='METABOLIZANDO O AMOR'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5847115731638798919</id><published>2010-07-23T15:16:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T08:23:41.784-07:00</updated><title type='text'>DIAS SAGRADOS EM TEMPOS MEDÍOCRES</title><content type='html'>Estou há dois dias em silêncio. Incomoda  a mediocridade da minha vida e tento ver nela algo extraordinário que não tem. Me lembro dos hippies colombianos, com seus piolhos e cordões de miçangas e acho que são mais úteis nesse mundo que eu. Pelo menos não esperam um décimo terceiro salário ou suas férias para se sentirem livres. Eu sim. Voltei para meu berço esplendido, cheio de conforto e vencimentos mensais, tentando me restabelecer das máculas deixadas pela viagem. No corpo ficou tatuada a cicatriz de um sol asteca que não resistiu ao poder ultravioleta do próprio sol verdadeiro...como são fracos os deuses perante a verdade dos nosso dias. Na alma, uma vontade tardia de liberdade, ancorada pela paternidade, profissão e outras convenções sociais. Talvez quando o tempo exigir conforto para minhas artrites e artroses, me dê ao luxo de prestar atenção na marca do colchão, na janela em frente ao rio, no paladar sofisticado do porquinho da índia ao creme de milho ou preferirei travessias por cidades mágicas em vagões de luxo. Mas, por enquanto, tento esticar meus braços e abrir meus dedos até me misturar as muitas raízes e trilhas que confundem o mundo, tento ser mais uma artéria comum que recebe e devolve experiências simples e extraordinárias.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 1 – OS EFEITOS E AS IMPRESSÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o boletim reconfortante do comandante me tirou a idéia que algo acontecia de errado com o avião. Dentro do bucho das nuvens, aquela fagulha de aço, que resistia bravamente a  pressão atmosférica, se mostrava vulnerável dentro da frente fria que estacionava em cima do Rio Grande do Sul. O fone, que eu quebrei de nervoso, cantava em um só ouvido músicas sem importância, enquanto o outro ouvia o barulho do vento nas asas e turbinas. “Como esse desgraçado por estar dormindo”, pensei quase em voz alta, ao ver meu primeiro companheiro de viagem dormir fazendo beicinho. O menino grande de alma simples havia soltado seus sonhos em gaivotas de papel que brincavam livres pelo vento enquanto eu me cagava de medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um estágio por Buenos Aires, onde pude revisitar sua elegância coberta de pó e cupim e trocar contatos em um bar que nunca mais vai existir com pessoas que nunca mais  vão encontrar o guardanapo cheio de anotações que dei, chegamos em Cuzco de tarde, sem malas e com um livro em branco inteiro para contar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuzco me lembrou Ouro Preto, me lembrou Santiago de Compostela, me lembrou Mangaratiba. Pequena e engolida pela curiosidade do mundo, adequou em seus prédios de arquitetura espanhola construída sob as ruínas da capital inca, os supermercados, lojas de camping, casas de câmbio e turismo, que municiam os muitos sonhos que iniciam ou se acabam ali. O povo, que ergueu com os músculos de seus antepassados a cidade chamada de “umbigo do mundo”, hoje está limitado a servir os forasteiros e morar no subúrbio cheio de barro e gordura. A nós, que não temos responsabilidade nenhuma sobre esta realidade, nos resta farejar as curiosidades para contar aos parentes ou confrontar as muitas histórias já contadas destas terras por outros viajantes. Vi logo de cara as riquezas do trabalho manual, seus mil badulaques irresistíveis, que contrapõem a natureza seca e sem ar da altitude andina. Queria comprar de tudo, mas, por ora, contentei com um chapéu. O menino de alma simples, não havia sido enfeitiçado pelo poder inebriante das cores e recebia tudo que via e sentia com total normalidade. Jantamos no terraço de um restaurante chique que nos apresentou a melhor comida entre as piores que iríamos experimentar. A essa hora, o efeito da altitude ainda era meu principal cicerone, com tonteiras repentinas e faltas de ar. Havíamos decidido não beber e vimos uma boate com gente muito doida, até para quem já está acostumado com noites e surpresas. Foi bom conhecer  Marilu, tão simples e charmosa bebendo emoliente, foi bom conhecer seu subúrbio e o painel que conta a história dos deuses, mas aquele era o dia de irmos dormir abstêmios e deslocados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;DIA 2 –  CITY TOUR E NIGHT ADENTRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil entender o que o guia estava falando. Não abria a boca e contava mecanicamente suas piadas repetidas sem tesão. Embarcar nos passeios prontos nunca foi meu forte. Me sinto um idiota pronto para ser enganado e explorado por turismólogos sem coração. Gente vendendo DVD, almoço buffet fora da rota, três feirinhas... as ruínas do vale sagrado?Existem, não nego, mas, sem as invencionices que se parecem com uma lhama, que se revelam mágicas sob a luz do sol e que as formações naturais rochosas são na verdade o rosto do inca observador, as ruínas milenares do vale sagrado se tornam apenas restos de uma história muito longe de ser contada com verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu companheiro de viagem amolecia perante a vaidade e se deixava fotografar em poses desengonçadas. Em um destes cliques conhecemos a mineira americana que tinha medo de altura mas não tinha medo da vida. Foi fazer intercâmbio nos EUA e seu inglês livre de “Uai” e “trem bom” nos interpelava para fotos e comentários irônicos sobre o passeio. Não sabíamos que cinco dias depois estaríamos dividindo coxinha e planos de passeio de motoca na espera da ponte aérea em São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já havíamos preparado tudo para o grande dia que começaria nossa caminhada e os efeitos da altitude pareciam ter abrandado suas patas sob o nosso organismo, fomos levados aos mistérios das ruelas de Cuzco, onde oferecem drogas e drinks grátis. Um, dois bares, e nos juntamos aos alucinados da noite anterior, tomando cerveja com gelo por não haver uma gelada em toda a cidade para vender. Quatro horas da manhã, um ônibus de bêbados carregava todos nós rumo a Mollepata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 3 – O PRIMEIRO PASSO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de começar as atividades um tanto quanto embriagado. Tenho facilidade de sentir as pessoas e o que me espera sem o peso do meu pessimismo habitual. Nos fundos de uma cantina o café da manhã foi servido e começamos a caminhada de cinco dias como se fôssemos visitar um amigo na outra rua, andando em grupinhos, todos de preto, praguejando as novidades que amanheciam conosco. Só me dei conta que era uma caminhada sem volta quando entramos na trilha mal cortada  morro acima, nos livrando do asfalto e encarando a primeira subida. Lá em cima, onde uma vendinha parecida com aquelas que ofereciam água sanitária, chinelo havaiana e cachaça perto da minha casa, se podia ver esticando o pescoço, a montanha gelada de humantay. “É ali que vamos acampar” me disse um dos guias gordinhos esticado no chão descansando o cansaço que ainda viria sentir. Parecia tão longe e ao mesmo tempo tão possível. Neste meio tempo conheci Tati, uma americana cheia de dread e simpatia. Tinha couro de cabrito e gostava de se aventurar. Me contou do trekking com a mãe, falamos sobre Alex Supertramp e me senti dentro de uma manada cuja a raça era a mesma, e a busca por pastos verdes estava só começando. &lt;br /&gt;Aos poucos as conversas se espaçaram, os grupos se transformaram em trios, depois duplas, mais adiante, voltavam a ser grupos. Não havia ninguém no comando, só a força que nos empurrava em direção a grande montanha de gelo. Pirambeiras, cachoeiras atrevidas que cruzavam o caminho, paredões de pedras afiadas, tudo que passava por nós era visto, fotografado e comentado. Preocupado em melhorar o diálogo com o meu próprio corpo, me isolei durante uma boa parte e pude ouvir ruídos quase surdos e cheiros tão estranhos para mim. Um deles era de uma plantinha esfregada nas mãos, que produzia frescor pulmão adentro. Me senti pleno, feliz com minha performance e gastava energia incentivando os mais cansados numa zombaria de profeta que falava com Deus, a natureza e suas forças. Pelo caminho que víamos de longe feito um cabelo enroscado no lençol, chegamos cansados e ruidosos ao acampamento onde um frio negativo nos esperava e as primeiras necessidades faziam os mais corajosos colocarem sua bunda em uma latrina suja e gelada. Nesta primeira ceia tínhamos a paz de sobremesa e tirando o ronco assustador do menino de alma simples que dividia comigo a barraca, poderia dizer que tudo terminou perfeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 4 – ALUCINANTE E REVELADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de todos. O assustador. O Dia D. assim todos encaravam o segundo dia. Quem não conseguisse poderia contratar desde já um cavalo. Dois não resistiram a tentação. Todo o bando caminhou rumo ao ziguezague que parecia proposital, para desnortear nossos sentidos, tornando o perto, longe. Nestas horas, as pessoas se mostram, se despem de casacos e convenções e passei a conhecer todo o grupo de uma vez só. Aqueles que dividiam uma folha de coca para mastigar e aliviar a pressão, outros que nos esperavam só para dar apoio, ou aqueles que subiram de carreira para ficar do alto bradando sua convicção solitária. Esta dupla carioca acostumada a beira da praia padeceu como nenhuma outra, sofrendo as angústias de um retardatário. Sentia pena do meu companheiro porque via nele o reflexo da própria penura. A trilha sonora que me acompanha em dias assim no ipod, se tornou um uivo dos ventos na janela quebrada, assustando meu pensamentos. Tive sensação de morte, tive delírios com notícias que vinham no vento. Tentava repetir a concentração do dia anterior mas uma imensa avalanche de fracasso me dominou. Era a falta de oxigênio no cérebro ou meu instinto competitivo pisoteado. Cinco passos, dez minutos de descanso. Ao terminar as idas e vindas mágicas ainda tínhamos uma outra reta interminável, onde víamos, lá em cima, as cabeças felizes comemorando a chegada. Gravei um vídeo pra mim mesmo, desisti, chamei o guia mas ele não me deu atenção. Esperava pacientemente metros acima com palavras de incentivo que ainda ouço antes de dormir.  &lt;br /&gt;De frente para nós, o Shalkantay se impunha com seus ombros largos, sem sequer nos olhar embaixo. Estávamos misturados as suas pedras e poeira e não éramos nada mais que isso, perante a sua grandiosidade maravilhosa. Apagaram da minha mente os últimos passos. Lembro do aperto de mão de alguém, do abraço quente da americana que já partia e o sorriso satisfeito do meu guia de coração tão grande. Eu e o menino de alma simples nos dividimos para agradecer o feito, empilhando pedras maiores e menores sobre barras de cereal que sobraram no bolso. Recuperei de súbito minha energia e o gigante de gelo agora me olhava da mesma altura, olho no olho, possivelmente satisfeito com a chegada da dupla. &lt;br /&gt;Descemos apressados rumo ao vale, adentrando a vulva verde da mata. Na primeira parada dormi profundo observando o vôo parado do pássaro e as ovelhas que também seguiam como nós seu caminho pré marcado. Ainda tenho o nariz queimado pelo calor do sol que não esquenta. Sorte que o caminho fresco nos salvou de uma insolação. Eu e meu novo companheiro de aventura desfrutamos com tamanha vantagem sob os outros, as canções que tocava no meu aparelho e eu repetia em voz alta. Um pequeno gramado raspado na mata selvagem serviu de pouso firme para o grupo, muito mais íntimo e concentrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; DIA 5 – CANSAÇO, MONOTONIA E UMA GELADA PRA ACOMPANHAR &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as chagas da alma ficaram na montanha, outras apareceram no corpo. Um corte que pegava os três dedos do pé, acompanhado de bolhas nos dois calcanhares e uma fissura no dedão esquerdo, transformaram a caminhada mais simples em calvário. Por dentro daquela selva muda, silenciosa, onde nenhum animal se importa em marcar presença, arrastei meu tênis sujo, meu corpo sujo, meus pensamentos sujos até La Playa, nome do acampamento. O dia sem desafios e os poucos quilômetros deram brecha para exigências de homem da cidade, que depois de chegar cansado do trabalho, só queria banho quente e comida na mesa. Óbvio que não existia nada disso. Meu saco de dormir sumiu, a comida acabou antes da hora e a luz, para melhorar o dia, só veio da geladeira que guardava litros da cerveja mais gelada que tomei. Depois disso tudo andou depressa. Os jogos de truco, a lista de melhores filmes, o futebol contra os sulamericanos...a nossa caminhada voltou a ter sentido e mansidão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 6 – ÁGUAS E CAMAS CALIENTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje lamento não ter escolhido a caminhada completa mas tenho certeza que meus pés não agüentariam. A carona de van que nos encurtou alguns quilômetros trouxe alegria a cada raspão nos despenhadeiros na via. O dia começou burocrático e chuvoso. Molhou as roupas dentro da barraca e trouxe peso extra nas mochilas que, a partir de agora, éramos obrigados a carregar nas costas. Com novo objetivo a frente e uma enorme excitação em conhecer a cidade onde nos hospedaríamos com mais dignidade para esperar o dia final, trotei firme a frente do grupo arrastando o rapaz de alma simples comigo. Me doía não poder compartilhar com ele os devaneios que tenho sobre qualquer coisa. A prosa sem valor, as opiniões sem afirmação. Não conseguíamos um bom diálogo. Eu, livre das amarras sociais, praguejava turistas, achava e desachava, debochava e me irritava, ele sempre polido e conservador, mostrava a resposta certa que eu conhecia mas não queria ouvir. Pela primeira vez caminhamos para lados opostos mesmo estando indo para a mesma direção.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada na cidade de Águas Calientes extrapolaram nossos sentidos. Agora tínhamos opção e não mais precisávamos andar pra frente. Ruas apertadinhas, danças típicas, churrasco ao ar livre, e parecia que tudo de bom no mundo caberia naqueles três ou quatro quarteirões. Depois do banho e conversas inconvenientes no vaso sanitário, vi o menino de alma simples agitado como nunca. Entendi que era seu coração. Depois de ligações para família e uma rápida visita a internet continuávamos opostos. Ele, recebeu amor gratuito vindo de longe. Eu, fiquei com a preocupação nas reticências deixadas pela mãe da minha filha, ao falar sobre um futuro próximo. Por isso acho que os mortos não fazem contato com os vivos. Eles não seriam tão burros em se preocupar com algo que não podem mudar. Eu deveria ter feito o mesmo e me isolado .Agora tinha meus problemas de caminhada e outros tantos de vida para levar a Machu Picchu. Precisava falar sobre o que ouvi ou esquecer. Infelizmente não tive com quem fazer e deixei que as distrações da noite me conduzissem. De posse a uma garrafa quente de cerveja, fui dançar com conhecidos, depois com estranhos, depois sozinho. Fui o último a chegar no hotel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 7 –  CIDADE SAGRADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras imagens que me vem a cabeça estão acompanhadas do sentimento de derrota. Um escadaria infinita cortava a estradinha onde, horas depois, turistas subiriam a cidade sagrada ruidosos e desatentos. A nós, caminhantes e interessados, era proposto o sufoco de chegar na frente a pé para garantir a entrada na montanha mais alta, considerada na entrelinha um privilégio. Por mais que subisse rápido sempre teriam adversários atrás e na frente. Meu companheiro, já íntimo das minhas limitações como ser humano, me sobrecarregava de culpa por ser tão competitivo. Porém sou grato a ele que me arrastou degrau a degrau, não me deixando para trás até mesmo nas horas que seu fôlego sobrava. Ali tive mais uma lição do corpo: não conseguiria chegar no ritmo dos outros. Passei a pular três degraus e descansar um, engarrafava o caminho, ouvia muxoxos mas fui leal aos meus limites. As muitas lanternas que iluminavam e procuram o reinicio da escadaria não sairão da minha cabeça nunca. A mochila caindo, o casaco desamarrando, as pilhas perdidas no mato, os adolescentes americanos que nos olhavam com estranhamento. Tudo ficou aqui na memória pra sempre e só ganhou proporções minúsculas quando depois de pegar o número 319 entrei na cidade sagrada dos incas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente do passeio pelo vale sagrado, Machu Picchu não precisa de guias para ser inesquecível. Basta olhar sua divisão, seu equilíbrio em um pitoco de montanha que ficou escondido dos espanhóis e de onde, muitos dos incas, se protegeram da matança geral. De baixo não se vê Machu Picchu, de cima se vê a vida passar. A cidade não pretendia ser paraíso, possuía escravos e hierarquia, mas era genuína em sua concepção. Andamos por entre as casas, o túmulo do rei, os templos ao Sol, a cobra, o puma e ao condor, que formam a cruz andina. Mas ao viajar, lá no fundo, também guardo um desejo simplório de estar no mesmo lugar onde aquele rapaz do livro tirou uma foto e me mostrou em sua enciclopédia quando eu ainda era criança. Cheguei ao topo e, mesmo achando que merecia chorar, deixei a emoção condensar e aquecer meu coração.  Agora estava realizado, pleno, havia chegado no meu objetivo final. Acho que faltou um abraço geral, um grito de porra, caralho, ou qualquer coisa que se traduza em alegria. Mas também não me incomodo de tê-lo guardado aqui dentro, para qualquer emergência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIA 8 – SANGUE E LEMBRANÇAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de vazio. Presentes, tatuagem e despedida. Era assim o último dia mas não foi assim que aconteceu. Depois de sangrar na mão do inexperiente e empolgado tatuador, perdi minhas forças e iniciei um processo de infecção que ainda me persegue. Nem as investidas das gringas, nem os novos acessórios para os shows, tudo perdeu a graça quando o estado febril quebrou minhas pernas e não conseguia mais me divertir. Como o pequeno príncipe fui picado pela serpente no final da história, na tentativa de tornar eterno um momento que já ficaria pra sempre nas lembranças. Meu amigo de alma simples mostrou que sua ausência de palavras poderia ser compensada por atitudes de pai, irmão, que carrega as mochilas e minimiza a gravidade da ferida purulenta. Assim cruzamos os céus da América do Sul, chegamos em São Paulo e viemos parar aqui, enfiados em nossa rotina, enquanto uma nova viagem não nos salva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5847115731638798919?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5847115731638798919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5847115731638798919' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5847115731638798919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5847115731638798919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/07/dias-sagrados-em-tempo-mediocres.html' title='DIAS SAGRADOS EM TEMPOS MEDÍOCRES'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7036829050567803826</id><published>2010-06-21T15:13:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T15:28:14.309-07:00</updated><title type='text'>CANTAR, OS PORQUÊS</title><content type='html'>Para aquela canção sussurrada na hora certa ou gritada sem vergonha em plenos pulmões. Para multiplicar em vozes um pensamento ou despertar sentimentos ainda não convidados pelo coração. Canto para descalços, para rostos suados e almas entregues, canto para bêbados, para bregas que fazem flor de guardanapo, para hippies de brinco de pena e para loucos que dançam antes da música começar. Sem os casais que se encontram entre um verso e outro, sem os padrinhos que tomam meu microfone para cantar, sem os enxeridos que roubam os instrumentos de percussão e sem as moças de todas as idades, cujo os olhos me atravessam para enxergar seu amado em algum lugar no tempo, sem todos eles, não valeria. Sejam afortunados que dobram o cachê, presenteiam com whisk ou para durangos que filam cerveja e cigarro mas marcam presença. Canto para a diversidade e faço dela o meu próprio repertório. Tenho pouco a acrescentar a um hit de sucesso, que já repousa feito sudário na história da música popular brasileira, mas o tico que faço tem garantia, tem chancela, pois foi lavrado por noites esquecidas de ensaio, por finais de semana que se vão, por momentos que perdi e me contento em assistir no computador, por crises de vaidade, discussão, destempero, redenção e pelo eco das muitas casas sem ninguém pra me assistir. Talvez a sutil diferença entre ouvir uma letra original, tocada com a virtuosidade de seu próprio criador e ir assistir ao garoto suado, rebolativo, que busca o tom original mesmo lhe custando a voz no dia seguinte, esteja esta nossa mania de gostar de gente. Não tem jeito: não resisto a gente que gosta de gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio da massa que ouve falar numa tal banda boa e, a cada dia, se multiplica pra nos assistir, ainda que longe da pregação no monte das oliveiras, tenho os meus discípulos, meus pulmões, meus ouvidos, meus músculos, meus amigos. São eles que me representam ali embaixo, são eles que não enjoam do mesmo baticum e defendem os desafinos e falhas técnicas do destino. Sem eles a dança fica sem par, o reverbe fica sem seu assovio e o silêncio sem aplauso. Essa trupe de boêmios realiza meu maior sonho ao cantar pois fazem a liga do intimo com o desconhecido, trazendo pra perto convidados que ainda não encontraram seu lugar na platéia.  Nos dias de show lotado, fujo e tento me esconder para ter o prazer de vê-los cruzando coincidências e afinidades que vão além das comunidades do orkut. São nestes ombros fortes que jogo todo meu pessimismo e insegurança. Espero que estes poucos inesquecíveis que trocam sorriso por canção saibam da minha gratidão. Não devo a eles um pedacinho desta pseudofama que acabará numa primavera qualquer porque só eles sabem que gosto mesmo é de estar ali embaixo, cheio de abraços, fungadas e gracejos, escorado pelo carinho e alto astral a quem, muitas vezes, não pude dedicar mais tempo para repetir o quão são importantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de três anos carregando caixas de som, lotando, amassando e empurrando carro, aprendendo sobre graves, médios e agudos, começo a responder para mim mesmo os porquês de cantar mil e noventa e cinco vezes algumas letras e melodias. Canto para unir o maior número de pessoas possíveis que já possuem a minha presença como ponto zero de uma nova amizade. É no rejunte destas histórias que quero estar para sempre. Quero morar na nostalgia alheia e ter tanta, tanta, tanta história pra contar que Deus arrumará um jeito de renovar meu contrato de vida aqui na Terra. Um dia o mar em calmaria vai me arrastar lentamente em direção a velhice e vou ter motivos para acreditar mais no passado que no futuro. Nestes valerão todas as bebedeiras homéricas, decepções sentimentais, ciúmes, testemunhais, mensagens de celular, transas sem trégua, cochilos no sofá seguidos de manhãs com caldo de cana na feira dos pastéis recheados de carne, queijo, frango e saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Para Aline, Camila, Tânia, Nilvinha, Andrea, Eloá, Graça, Alberto, Carla, keiti, Marcia, e poucos outros que são para sempre.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7036829050567803826?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7036829050567803826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7036829050567803826' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7036829050567803826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7036829050567803826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/06/cantar-os-porques.html' title='CANTAR, OS PORQUÊS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1716326320214396129</id><published>2010-05-17T16:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T16:37:06.424-07:00</updated><title type='text'>UMA LEONINA CHAMADA MARYSOL</title><content type='html'>A moça que eu gostava não me quis. Foi embora como um balão que se afasta das mãos de uma criança e ganha o céu, impiedoso. Recorri a companhia da família para um passeio ameno numa quinta feira de calor. A cidade já vivia as cólicas do final do ano, com gente nas calçadas tomando cerveja e planejando o décimo terceiro salário. Ela também estava lá. Havíamos marcado a grosso modo, deixando espaço para o destino e seus caprichos. Já nos conhecíamos e havíamos ficado juntos, nada inesquecível, mas agradável o suficiente para um novo encontro. A observei à distância um punhado de tempo. Ainda procurava os olhos verdes que não me queriam e não teria paciência para os detalhes e melindres dos primeiros encontros. Mas ela me viu e manteve sua conversa com dois ou três conhecidos que ajeitavam suas penas e aprumavam-se na esperança de tê-la. Me surpreendeu tamanha a indiferença. Era uma pequena bonita de vestido branco, que tropeçava no português e nas opiniões simplistas sobre a vida, mas seu charme, seu cheiro de pitanga e o brilho de seus chapeados sempre brilharam mais aos meus olhos. A tomei para mim naquela noite. Talvez pelo medo de perdê-la ou pela competição irracional masculina. Minha tia e afilhada, boas companhias, nos deixaram livres tomando um táxi para casa. Eu e a pequena de vestido branco dançamos, suamos, nos excedemos em beijos públicos e carinhos indiscretos. A noite que parecia ter fim óbvio mudou seu rumo quando, deitados na cama, a inércia de seus movimentos me surpreendeu: ela dormiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã seguinte não demorou a aparecer na janela lembrando que era dia de pegar no batente. Levantamos da cama como soldados que foram alistados para uma guerra que já havia chegado ao fim. Uma ducha morna para ativar os neurônios e pronto, a idade e a falta de compromisso tornaram tudo mais leve. E nesta fluidez de corpo molhado e cumplicidade transamos de olho no relógio com justiça e angústia no coração. Poderia ter sido muito melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô, aru, sou eu. &lt;br /&gt;- Caramba! Como está, sumida?Tem mais de um mês que não falamos...&lt;br /&gt;- Estou grávida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praça que escolhi para conversar nem de longe parecia divertida como na minha infância. Deserta, com brinquedos abandonados e bancos duros, onde cruzei as pernas como borboleta e enfrentei a situação disposto a resolvê-la ali mesmo. Não era precisamente uma novidade para mim. Só não contava com a força daquela pequena gigante, com navalha na língua, enfrentando minhas propostas e ameaças sem descanso. Defendia seu ninho como uma fêmea ferida, me mostrando os dentes rindo, ora por deboche, ora por nervoso. Me estendeu o exame de sangue e falamos sobre teste de DNA, advogado, golpe e qualquer outro argumento que eu conhecesse para escapar. Ela só queria a certeza que meu sobrenome estaria ali, depois do dela. Convenci ter um novo encontro para decidir o que já estava decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que falei como pai foi em Santiago do Chile, na casa dos novos amigos que bebiam e se preparam para encarar uma noite sem fim. Foram solícitos e camaradas. Outra língua e outros amigos me fizeram acreditar que o problema estava longe demais para me preocupar. E foi assim que cruzei, estados, países, festas e os primeiros dias de 2010. Mas vê-la novamente bastou para que eu voltasse a enxergar a realidade. Me disse que não havia sentido diferença no seu peso e não se via grávida. Tinha algo diferente nela. Mais sensível, castigada, talvez. Acabou confessando que a ficha caiu. Falamos de vidas atrapalhadas, de medo. Não sabia mais o que queria. Tive pena de nós dois e segurei as lágrimas que apareciam em reprise. Os mesmos ponteiros que nos fizeram transar às pressas continuavam seu trabalho impiedoso mostrando que precisávamos decidir. Quarta-feira de cinzas varreremos nossos confetes ou começaremos nosso carnaval, ficou decidido um novo encontro assim. E as cores e sentimentos que trouxe de Olinda ainda estavam na mochila quando a vi cruzar a rua. Não era mais a menina de vestido branco, nem a fêmea assustada, era a mãe do meu filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existe dúvida de uma mulher em relação ao seu rebento, ela se transforma em amor quando é ouvido, pela primeira vez, seu coração. Ela ouviu e chorou. Nos limitamos a organizar as rotinas e responsabilidades e curtimos, ainda constrangidos, o momento. Não tínhamos intimidade para viver aquilo. Encostei a ponta dos dedos na sua barriga e tenho certeza que meu filhote sentiu a presença do pai pela primeira vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tenho um berço desmontado e algumas dezenas de bibelôs e roupinhas que ficam em cima do armário. Falta isso e aquilo, mas não falta mais coragem para enfrentar e consciência para me dedicar a este novo projeto de vida, que mexerá com os finais de semana, o orçamento mensal e a minha preocupação de dar o melhor de mim. O que ainda me fragiliza é a incapacidade de contar uma história diferente do meu nascimento. A roda da vida deu um giro e parou no mesmo lugar. Por isso, tento encarar de frente, com armas na mão, as ranhetices e muchochos de quem teve oportunidade de viver em uma estrutura familiar tradicional e por isso acredita que esta seja a única maneira de ser feliz. Não me casarei com a mãe do meu filho para silenciar minha imprudência nem trocarei meu estilo de vida e convicções para sentar na poltrona do papai.  Posso estar tomando o caminho mais longo, não sei. Só não tenho dúvida que vou estar acompanhado das minhas mulheres solitárias, tão acostumadas com as surpresas da vida, além de uma dezena de amigos e parentes que deixaram um pouco do brilho de seus olhos para mim, quando souberam da notícia. Tenho muitas dúvidas ainda. Das mais idiotas, como o manejo da mamadeira e marca de carrinho, até as mais complexas, como percentual de pensão. Mas daqui a três meses, uma leonina chamada Marysol virá responder a tudo isso por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1716326320214396129?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1716326320214396129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1716326320214396129' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1716326320214396129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1716326320214396129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/05/uma-leonina-chamada-marysol.html' title='UMA LEONINA CHAMADA MARYSOL'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1545585032581208615</id><published>2010-03-23T15:11:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T15:12:02.459-07:00</updated><title type='text'>PESSOA SÉRIA COMO MEU PEUGEOT</title><content type='html'>Meu pai chamou na garagem hoje de manhã. Queria mostrar o botão que regula a altura do farol. Me postei de frente ao carro enquanto ele, com seu sorriso tímido de sóbrio, mexia a engenhoca pra lá e pra cá. Por mais que tentasse ainda não conseguia imaginar que aquele carrão era meu. Nunca tive um destes com cheiro de novo, muito menos manual de instrução. O que aprendi foi sob o bigode e as mãos sujas de graxa do Broa, que sempre me respondia as dúvidas com ironia. O universo de porcas, chupeta e repimboca é muito vasto e não sabia o que, de fato, era verdade. Mesmo assim sei dar tranco, conferir as velas, dar pancada no arranque, jogar gasolina na borboleta do carburador, entre outras proezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite anterior o levei para passear. Me senti incomodado, assustado, como se assumisse uma grande responsabilidade. Meu novo carro novo parecia são bernardo nas mãos de um adestrador sem talento, rosnando a cada vez que meu pé pesado errava o tempo da marcha. De repente tive a sensação de ter enguiçado, parado completamente no sinal que ia abrir. Não nego que, em algum lugar no meu íntimo, gostei de ver aquele bicho vencido mas foi só pisar no acelerador. O motor silencioso me enganou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça que me pegou no colo já estava dormindo, a outra que fez brotar um pé de laranja lima no meu coração também. Os amigos de vida toda possivelmente estavam acordados, mas em outro lugar do mundo onde não poderiam encher meu carro de gritos e tapinhas nas costas. Me tranquei no silêncio do ar condicionado e olhei a cidade sem seus ruídos e verdades. Creio que por isso ainda não associe um esportivo de luxo a diversão. O dia que furei o bloco de carnaval passou pela minha cabeça. Como não havia ar condicionado nem vidro escuro, balançaram tudo e quase pularam lá dentro ao me conhecer. Terminei a noite abençoando seus pontos cardeais com óleo ungido da minha tia pastora, que sempre repete o gesto contra olho grande e afins. Sua oração, junto com um seguro dispendioso, me guardarão de todo mal, amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter me despedido do vermelhinho. Não era assim que o chamava, mas gostaria de ter colocado um apelido. Era valente de pulmão, subia morros e costurava nas estradas com desdém, mas sua idade avançada, 23 anos, impedia estripulias. Na verdade meu possante se tornou um trabalhador duro, aborrecido, sem os mimos do passado. Não havia desembassador, nem cinto regulável, nem vidro elétrico. Sua última baixa era o banco de motorista escorado com madeira. Eu procurava focar naquilo que estava inteiro e o elogiava quando podia. Limitei aonde ir e economizava no consumo de sua energia desligando o cd player. Mas não deu. Serei eternamente grato a sua cumplicidade. Com ele fui parado pela polícia três vezes por suposto atentado ao pudor. Com ele saiam 10 pessoas empilhadas e todo um sonho de fazer o melhor show da banda que começava. Já o empurrei no motel e já fiz novas amizades entre uma ajuda e outra. Já decepcionei muitos caroneiros mas também nunca me roguei a passar por caminhos escuros e incertos. Acabo de perceber que tenho medo de me tornar uma pessoa séria como meu Peugeot, cheia de mecanismos que substituam os sentimentos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela rotina do trabalho não pude me despedir como gostaria. Mas se o vermelhinho tivesse aquele botão de regular os faróis, tenho certeza que hoje eles também estariam para baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1545585032581208615?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1545585032581208615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1545585032581208615' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1545585032581208615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1545585032581208615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/03/pessoa-seria-como-meu-peugeot.html' title='PESSOA SÉRIA COMO MEU PEUGEOT'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-51124640832078394</id><published>2010-03-04T06:51:00.000-08:00</published><updated>2010-03-04T06:53:56.718-08:00</updated><title type='text'>MAR E VENTO VÊ</title><content type='html'>pra sempre você vai lembrar&lt;br /&gt;o dia que o mar resolveu parar&lt;br /&gt;e nenhuma onda bateu&lt;br /&gt;esperando um beijo ou um sorriso seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficar aos seus pés&lt;br /&gt;entre os dedos em forma de espuma&lt;br /&gt;colar e anéis&lt;br /&gt;meus tesouros pra que não suma mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acorda vem vê o que o mar trouxe pra você&lt;br /&gt;acorda vem vê o que o vento levou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pra sempre não vai esquecer&lt;br /&gt;o dia que o vento quis te ver&lt;br /&gt;e nenhum catavento moveu&lt;br /&gt;esperando um abraço ou um aceno seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enrolar seus pêlos&lt;br /&gt;abrir portas que estão no caminho&lt;br /&gt;sentir seu cheiro&lt;br /&gt;cada vez que se move o destino sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acorda vem vê o que o mar trouxe pra você&lt;br /&gt;acorda vem vê o que o vento levou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-51124640832078394?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/51124640832078394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=51124640832078394' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/51124640832078394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/51124640832078394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/03/mar-e-vento-ve.html' title='MAR E VENTO VÊ'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6191156665372920078</id><published>2010-02-18T09:54:00.000-08:00</published><updated>2010-02-18T09:55:57.115-08:00</updated><title type='text'>GIGANTES SEM CORAÇÃO</title><content type='html'>Dizem que o carnaval de Olinda é na rua. Bobagem. O carnaval de Olinda é na rua, no quarto, no quintal e na avenida que liga seu ouvido ao coração. Se não pelos restos das fantasias em cada cômodo da casa alugada, é pelo entra e sai de gente cheia de feromonio. Todos jogam charme, todos se exibem, todos pensam na possibilidade de ter o outro. Os que não podem, cedem e os que podem, extravasam. Fugimos de alguns olhos para cair em outros, seguramos na cintura, pegamos na mão, fazemos gentilezas e agradecemos em sussurro. Nesta festa de bonecos gigantes sem coração variei tanto de humor e postura que fiquei irreconhecível mesmo sem máscara e acessórios. Se por um momento fui o bárbaro romano correndo com minha capa vermelha entre os foliões também fui o solitário Wally a procura do olhar preciso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente quebrei a barreira que me separava das raízes musicais mais atraentes no Brasil. Desci de avião na barriga do nordeste, no colo de Chico science e Lenine e também nos seus desgostos e delícias. A simplicidade e engenhosidade das pessoas e das coisas são o maior contraste desta terra. Gente que dorme esticada no chão como uma ripa, sem coberta nem nada, ao mesmo tempo, é capaz de criar arte da matéria bruta com enorme delicadeza. Olinda come carne de bode e arrota melodias de pássaro raro. Olinda não sabe trabalhar, esquece da higiene mas é absolvida pelos anjos que dançam lá de cima com seus pífanos e alfaias irresistíveis. Como esquecer do velhinho tocador de tarol com os olhos marejados ao contar a história de virgulino lampião para uma gringa que nada compreendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pisco em ritmo de frevo e me vem a mente os tantos piratas, bruxas e abelhinhas que dormiram juntos no mesmo conto de fadas mambembe. Parece que os meninos ainda estão na calçada com suas bazucas de água detonando quem passa na frente e olha ali o outro que estava vestido de vaca transfigurado em girassol dançarino. Cuidado com aquele loirinho em cima da minha colegial. Mas como vou lá se estou aqui esperando a palhacinha passar?Olinda foi uma festa intermitente onde só existe silêncio entre um ribombar e outro do tambor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para sobreviver a este carnaval é preciso ter organismo valente, paciência de monge e desprendimento material. Meu colchão foi roubado três vezes no mesmo dia, já o ventilador só uma. Onde eu dormia descobri uma loira apagada no meu lugar e onde eu tomava banho cagaram a tábua do vaso que logo em seguida foi roubada. Agora um chapéu de palha presenteado, a espada, uns óculos sem perna e um boné desconhecido estão vindo deslizando pela esteira do aeroporto junto com meu entulho de roupa suja que sobrou. Ainda estou cansado para colocar o ano de 2010 nas costas. Não sei se deixo passar a bagagem mais uma vez. Preciso reorganizar a mente, lembrar onde estão as chaves de casa, qual é o trabalho que me espera agorinha no escritório, quanto tenho na carteira. É muito cedo para saber o que sobreviverá inteiro dentro de mim e o que se vai para sempre depois deste carnaval. Gostaria que minha morena ficasse. Gostaria que minha gringa voltasse. Gostaria de não andar tão vulnerável. Gostaria de comprar um novo instrumento. Mas o ano ainda se espreguiça. É hora de deixar decantar, curtir o som da minha respiração e fechar as cortinas por uns dias deste concerto impressionante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6191156665372920078?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6191156665372920078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6191156665372920078' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6191156665372920078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6191156665372920078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/02/gigantes-sem-coracao.html' title='GIGANTES SEM CORAÇÃO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1983398995062119878</id><published>2010-02-05T12:16:00.001-08:00</published><updated>2010-02-05T12:16:16.859-08:00</updated><title type='text'>DESTINO À QUEIMA-ROUPA</title><content type='html'>Tenho agonia a livros que leio e não compreendo as primeiras páginas. Corro com a leitura até encontrar uma estepe de grama baixa onde eu possa descansar e finalmente compreender o que se passa. Os primeiros minutos que 2010 me proporcionaram até agora não são muito diferentes disso, todos os fatos vêm acontecendo à queima-roupa. E como não tenho destreza para desviar das flechas que o destino tem enviado me sinto um São Sebastião resignado com suas flechas olhando para o céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei doente muitas vezes em pouco tempo. O cérebro tão adestrado que tenho resolveu, sempre após discussões calorosas, morder o próprio rabo. Entro em armadilhas onde os pensamentos giram sobre o próprio eixo superaquecendo minha caixa-preta. Enxaqueca na certa, disse a moça indomável pelo telefone. Precisa equilibrar melhor a madeira, o fogo e a água, disse o acupunturista. Tome um calmante, dirá o neurologista, cuja especialização, ainda tão longe de conhecer o raciocínio humano, lhe dá um falso poder de xamã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Meu coração pulou em chamas por uma janela de vidro e chegou em janeiro vivo porém fudido, fudido. As lembranças do meu Pé de Laranja Lima começam a diluir no guache dos novos pensamentos mas ainda existem e sacodem na estante com os presentes que comprei para ela e para sua família e não tive coragem de entregar. Novos apelidos carinhosos, olhares e apostas surgem pela greta. Nem sou besta de dizer ao vento mas fico impressionado com a beleza das mulheres que conheço e se interessam por mim. Talvez soe demagogo para os outros mas ainda sou o gordinho tetudo que se apaixonava pelas meninas bonitas e burguesas do colégio de freira. Depois de quase 20 anos algumas delas resolveram me procurar não por compaixão mas por acreditarem que a minha presença seja hoje mais útil, nem que seja para animar com o violão as festinhas de família.  Mas tenho consciência de arquiteto e, assim como a urgência de um carro novo que pelo menos ande, sei que preciso reformar a anti-sala da alma para depois buscar o amor com serenidade e tutano nas decisões. As tentativas recentes me expunham ao ridículo como pijama de hospital que cobre a frente e mostra atrás. Fui intenso, desmedido, falastrão, possessivo e deixei os botões de feijão do amor que mal haviam nascido, queimarem sob o meu sol forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade não dita é que estou com medo do que vem por aí.  Das novas amizades que chegaram de repente, das pessoas tão belas e cruéis que resolvo me enamorar, do novo salário um pouco mais digno que me permite pagar os vencimentos sem olhar o saldo e das conseqüências de uma vida cada vez mais voltada a experiência vivida e sentida, seja aqui, no Morro do Chapéu, em Viena, no West Show ou no meu quarto novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta peneira tão generosa, o que ficou se tornou realmente grande. Me orgulho muito do meu espanhol autodidata que recebe elogios e me coloca em conexão com outros cidadãos do mundo. Ainda me emociono com as fotos de onde conheci e reconto com orgulho e egocentrismo as façanhas deste campograndense em terras estranhas. Estive entre os dedos dos pés das cordilheiras dos Andes cheias de neve, remei nas suas lágrimas de verão, senti o cheiro de mofo de Valparaíso e compartilhei com Neruda sua confusão de casas e escadas. Este já é o ano marcado pela nova experiência com outra banda, de outra música, outro público e outras influências.   É o ano dos amores antigos que sempre tiveram a gaiola aberta e decidiram voar. A moça que um dia eu coloquei a flor no cabelo se achou no meio do publico que me assiste; já a moça que cheguei a amar rompeu nosso trato e se diverte debaixo do meu nariz com seu escolhido. Agora carrego a paz e a perda, uma em cada bolso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez na chegada ao cume, quando completar 30 anos, minha vida tão ansiosa e sensitiva vibre rumo a um novo destino. Por enquanto sigo com minha caneta em uma das mãos, microfone na outra e uma mochila de sonhos nas costas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1983398995062119878?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1983398995062119878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1983398995062119878' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1983398995062119878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1983398995062119878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/02/destino-queima-roupa.html' title='DESTINO À QUEIMA-ROUPA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-9039223676139006790</id><published>2010-01-07T10:58:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T10:59:01.832-08:00</updated><title type='text'>E O CORAÇÃO RESOLVEU TRABALHAR</title><content type='html'>É fora de moda dizer que amigos a gente não faz, os reconhece, mas ser brega no país dos outros pode. Os carioca que conheci um dia destes me encantaram. São gentis, leais, autênticos, engraçados, amigos. O mais cumprido deles lidera o grupo pela sua natureza justa sem afetações, sempre com ordens seguidas de piadas interessantes. Já amanhecia e os planos de México 2011 foram rascunhados sobre promessas fortes. Prometemos também conhecer a cidade e sua beleza arquitetônica de dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio iniciado de tarde nos foi revelando uma Buenos Aires bonita porém sem inspiração. Uma velha senhora que tenta manter sua elegância livre de baratas e cupins.  Casa Rosada, Café tourtoni, nada me chamou mais atenção que a imensa flor de metal que se abre e fecha cercada de arte colorida e reciclada em um gramado no caminho. A capital, para muitos a mais européia da América do sul, precisa de menos nostalgia e conservadorismo e mais criatividade e autenticidade. Me lembrei do consultor de moda que dava uma palestra no Rio falando sobre a dificuldade de encontrar traços que determinem o estilo argentino. Hoje o entendo melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi o único dia até então que o coração trabalhou. Quando propus que ela dançasse comigo não imaginava que causaria tanto descompasso. Fomos a aula de tango, no subterrâneo de um clube finalmente freqüentado por moradores e não apenas turistas e aprendemos, criamos, rimos e sublimamos nossa cumplicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu pai boliviano tocador de flauta encontrou o amor nas praças da Áustria e se casou por lá. Nascia a hippie que colocou a mochila e três amigas nas costas vinte anos depois e veio conhecer a América do Sul por meses de viagem e poucos pesos no bolso. Da Bolívia veio a cor de doce de leite queimado e seu hálito de sereia, da mãe, a reserva dos gestos e a profundidade dos olhos feito poço, onde joguei minhas pedrinhas e não ouvi o barulho das águas. De uma dança a outra quando vimos já estávamos em outra pista, em outra discoteca, com tantos viajantes que conseguimos reunir. Era o momento de estar livre, dançar livre, olhar para o mundo e deixar que ele nos visse. Mas a natureza possessiva e insegura que tenho como segunda pele não me permite tal capricho e observo com rancor os tantos que dançam, que tentam e que curtem com ela. A noite se torna um suplício de sorrisos amarelos e dedos cruzados para nenhum americano, guatemalteco ou brasileiro conseguir a rendição máxima de um beijo. Sim, a lenda que as mulheres do leste europeu transam mas não beijam tem suas verdades. Me lembrei da ucraniana em Barcelona que rebolava, permitia liberdades, seduzia, mas na tentativa de um beijo, se foi ofendida pra sempre.  Finalmente a noite acabou já de dia, alguns bêbados, outros pensativos, fora os que praguejavam ter que caminhar tanto. Quando finalmente os deixei senti alívio e procurei beber com os primeiros que encontrei. Uma alemã e um argentino trocavam galanteios na porta da minha hospedagem e foram os convidados para a última cerveja de uma longa noite. Ou seria o primeiro brinde de um grande dia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-9039223676139006790?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/9039223676139006790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=9039223676139006790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9039223676139006790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9039223676139006790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/01/e-o-coracao-resolveu-trabalhar.html' title='E O CORAÇÃO RESOLVEU TRABALHAR'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1665789739883684928</id><published>2010-01-07T10:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T10:58:06.886-08:00</updated><title type='text'>LAST NIGHT</title><content type='html'>Não sei quando acabou ontem e começou hoje. Minhas habilidades de migrar do dia para a noite e para o dia de novo foram colocadas em prática. Guerreiro, com uma pint de Quilmes na mão às 10h percebi que finalmente estava bêbado sozinho. Ninguém queria conversar comigo no único bar aberto. Um tipo conquistador e eloqüente contava suas histórias sobre drogas para meninas de alguma província argentina, totalmente encantadas. Dois bêbados, um inclusive parecido com John Lennon, tentavam me usar pra chamar atenção de outros grupos, um grupo de putas muito feias continuavam me achando atraente e interessante até que uma mendiga pegou meu copo e numa golada terminou com o chorinho que eu guardava na caneca. Tava na hora de partir. Voltei para o hostel e me perdi na busca de uma fanta para o café da manhã. Aliás foi a primeira vez que tomei café da manhã no hostel. Muito animado, de roupa amarrotada, junto com aqueles gringos dormentes de sono, sem menor inspiração para entender meu espanho. Tinha ido afogar as angústias de um coração que começava a ficar carente e bater forte por tão pouco. Tinha ido sugar as últimas 24horas que tinha na cidade. Tinha ido lembrar e esquecer a noite anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei objetivo, disposto a encarar sozinho a jornada de conhecer os pontos turísticos. Havia 4 dias que eu estava na cidade e mal havia passado da metade. Retomei os mapas, o livro de viagem mas, para minha alegria, o grupo de amigos cariocas no qual eu estava totalmente envolvido, também queria continuar fazendo o turismo começado com certa preguiça no dia anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que posso dizer deste passeio de domingo é a capacidade que a prefeitura e a iniciativa privada tem para criar seu próprio turismo, se aproveitando da criatividade popular e transformando numa espécie de zoológico um lugar onde o perigo, a malandragem, a sujeira e pobreza viviam junto com a inspiração dos artistas. Assim vi o Caminito. Uma rua no meio do bairro abandonado La Boca que, graças a criatividade e alegria dos imigrantes que viviam ali, transformou-se em passeio de madame. Bibelôs, entretenimentos copiados da Europa, brasileiros, show de tango, sósia do Maradonna e muitos oportunistas se apertam nas duas ou três ruas coloridas consideradas seguras, sendo observados pela esperança de meninos que batem bola a poucos metros do estádio do Boca Juniors. Não chega a ser um Pelourinho mas as cores fortes nas casinhas e barracos nos lembra que estamos na América do Sul.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A feira de San Telmo, que tem o nome mais bonito que a própria feira, estava no final e um casal de dançarinos de tango sem disposição se apresentava na busca de um troco. Um grupo afinado também mostrava seu talento de frente para a igreja. Caminhávamos em busca de novidade e só encontrei em um outlet que ficou com alguns mangos meus. No final da rua um carnaval feito de atabaques reunia uns branquelos do leste europeu que ainda não sabem que a capital do samba não é Buenos Aires. &lt;br /&gt;Propus sairmos sozinhos, só os homens para a última curtição. E tudo foi concordado na teoria. A noite passada foi dividida em vigília e angústia a hippie que eu queria pra mim, cujos olhos pareciam cortinas de teatro que se abrem para cima, lentamente revelando um cenários totalmente incompreensível a primeira vista mas não menos encantador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada do previsto aconteceu e pelas tantas estávamos no quarto, cantando músicas brasileira para ela, que é austríaca e boliviana, que fala inglês, espanhol, alemão mas usa o silencio como ninguém para responder questões do coração. Ela ia e novamente dançaríamos nos olhando e não nos permitindo. Tinha que falar pra ela alguma coisa. Ser exato com sentimentos em outra língua que não se domina é algo difícil. Saiu te gusto mucho e só. Ela sorriu como se já soubesse e me deslocou dizendo algo sobre a distância. Aquele romance bobo de viagem escrevia suas últimas linhas em um beijo sem vontade e o pedido para que eu fosse sair com meus amigos. Ela voltou para o hostel e disse adeus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me restou seguir em frente e encontrar alguns dos cariocas numa boate pequena e bem provinciana perto do Av Córdoba. Mas o destino é como o vento que não tem vergonha de mudar de direção na hora que lhe dá na telha. Nos reunimos às brasileiras que já havíamos amanhecido sentados na Puente de La Mujer e nos adaptamos a noite portenha, seu fernet maldito, seu regaton intermitente e ao costume de começar a noite pelas duas da madruga. Creio que o conforto de estar falando a mesma língua nos seduziu a ambos, numa cumplicidade de amigos de infância. Dois casais se formaram. Dois casais dançaram. Dois casais partiram para o hostel onde, dentro do abraço, dormimos pela primeira vez em nosso país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1665789739883684928?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1665789739883684928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1665789739883684928' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1665789739883684928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1665789739883684928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/01/last-night.html' title='LAST NIGHT'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-9138427315620828566</id><published>2010-01-07T10:56:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T10:57:12.615-08:00</updated><title type='text'>TURBULÊNCIAS DA ALMA</title><content type='html'>Foi entre números de vôo, poltrona na janela e escala em São Paulo que decidi escrever minha história de viagem respeitando minhas lembranças, ajudada pelas fotos que tirei. Queria ter vivido tudo de maneira organizada mas o destino não tem trilhos nem estação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi o último dia em Buenos Aires. A chuva que batia no telhado de zinco do salão comum no albergue dos amigos Cariocas e a manta, onde traseiros dos quatro cantos do mundo já sentaram, me aquecia, me abraçava cúmplice da cidade que parecia criar um clima propício a esquecer a rotina que me esperava no Brasil. De fato, a noite de despedida e estes momentos aninhado no terraço do hostel custaram caro para o bolso de mochileiro controlado. “Tiene que pagar 30 pesos. Quedou-se acá nesta noche.” O dono do lugar, autoritário, econômico e pavio curto, tinha pensamento de proprietário de pensão, controlava o uso da internet, o horário de entrar e sair e me parece que nunca colocou meia dúzia de cuecas e um tênis na mala e foi conhecer o mundo. É argentino, portenho e vai morrer assim. Os 20 pesos, que nem é tanto assim para os bolsos tupiniquins na verdade me custaram tempo pois na primeira segunda feira do ano de qualquer lugar do mundo o caos está formado.  Bancos sem funcionar, táxis lotados, engarrafamentos e as horas correndo. O sorvete de doce de leite ficou pra lá, os alfajores da família vieram, o passeio do rio tigre e a esticada em Uruguai também não aconteceram, a camisa da afilhada deu tempo de comprar. Tenho que confessar que detesto comprar presente. Fico com os pedidos vagando na minha lembrança e a corrente interminável de pidões me atrapalham os passos. Acho uma viagem algo tão pessoal que nunca fui capaz de pedir nada mas também não ignoro. Corri atrás de tudo que pude e por isso mesmo perdi o vôo. Caos no aeroporto, brasileiros fazendo escândalo, marcando sua presença e o check in terminando 40 minutos antes me dobraram ao meio. Precisava sair dali. Precisava voltar ao trabalho. Mas também queria voltar. Não queria deixar a minha hippie sozinha. Queria tomar sorvete de doce de leite. Queria qualquer coisa que não fosse ficar no meio do caminho que se chama aeroporto. Em protesto solitário joguei minhas coisas em um canto como retirante, me deitei e dormi feito vagabundo, abandonado, esperando a repreensão de alguma policial de preferência sexual distinta. Só acordei com frio e mosquito meia hora depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem álcool no sangue recuperei a lucidez e tracei meus planos para o dia seguinte. Os últimos 50 dólares que acalantariam a monotonia da volta no free shop se foram pagando uma pensão indicada pelo próprio balcão de recepção. A dona, de alegria intrépida e imensa doçura nas palavras e nas coisas, transformou o final da noite em uma confortável e refrescante noite.. Me buscou, me acordou, me levou e, mesmo sendo uma prestação mecânica que ela repete todos os dias, me cativou a ponto de querer ficar mais naquele fim de mundo ao lado do aeroporto. Tomei um banho demorado, gravei uma mensagem pra minha ex loira mas decidi não mostrar, busquei um filme pornô na tv a cabo e acabei adormecendo ao acompanhar a cobertura do funeral de um cantor famoso argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei cheio de turbulência na alma, preocupado, cansado, triste, confuso, com os pensamentos precisando de amaciante e secadora, de serem separados por cor, tamanho, novos e velhos, pensamentos para guardar em um armário novo de 2010 ainda tão cheio de espaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás 14h estava sentado na mesa do escritório, pronto para mais um dia de trabalho. Atrás de mim muita história, lembranças e uma mochila cheia de bandeirinhas que ainda não me largou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-9138427315620828566?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/9138427315620828566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=9138427315620828566' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9138427315620828566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9138427315620828566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2010/01/turbulencias-da-alma.html' title='TURBULÊNCIAS DA ALMA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2654307724030273521</id><published>2009-12-27T21:57:00.000-08:00</published><updated>2009-12-27T22:26:59.837-08:00</updated><title type='text'>UMA NOITE SÒBRIO</title><content type='html'>Hoje acredito que tenha sido o primeiro dia desde a vèspera do natal que náo estou bêbado a esta hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira lembrança foi o aviáo descendo no meio de montanhas congeladas das cordilheiras dos andes. Montanhas passando ao lado do aviáo e tudo sacudindo. Me deu uma onda de pavor e me segurei. A tonteira também veio forte. Náo via a pista de pouso, nem vestigio da humanidade. Mas o Chile è assim mesmo, cheio de pegadinhas. De uma hora pra outra, estàvamos pousando na cidade. O bairro que estou è o Bellavista e tem gente de tudo que è tipo. Punks, clubbers, hippies, uma variedade infinita de gente bebendo nas mesinhas do lado de fora, na sombra das árvores. Náo è á toa que no final da avenida tem um zoològico onde vi pela primeira vez uma pantera negra, um urso branco dormindo e uma porrada de bichinho interessante. Ainda um pouco bebado perdi tempo olhando como o canguru è estranho. Cheguei a ficar mal humorado olhando aquela aberraçáo. Como estava fora do normal náo achei a vista da cidade nada demais. As cordilheiras ao fundo náo se parecem em nada com as montanhas assustadoras que vi no voo. Do alto, uma metropole cinza, cheia de predios e poluiçáo. Demorei a entender o que a cidade tinha de encantadora. Acredito que seja a limpeza, a organizaçáo e a simpatia dos chilenos. Por falar nisso como sinto saudade das brasileiras. Todas as chilenas parecem um jogo de totó, pequenas e todas com a mesma carinha de fuinha. A primeira noite conheci uma brasileira e bebemos todas com um casal de chilenos. Nesta mesma noite fui rodeado pelas mini moças chilenas que dançaram a dança da manivela comigo. Eles adoram esta merda aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem acordei de ressaca e estava me sentindo meio inutil. Ainda náo havia conhecido nada. Piorou quando cruzei o caminho de quatro cariocas que também estáo viajando e váo para buenos aires no ano novo. Passei o dia falando besteira e, tirando a feirinha e a santa no alto do morro, o dia se resumiu a maior noitada atè agora. Me recordo que estava trancado numa dispensa da casa de uma chilena que os tios moram em miami. Cada menino estava em um lugar da casa. Havia tambem um motoqueiro que nos seguiu e entrou na casa, o irmao da proprietaria e um monte de outras pigmeus de santiago. Cheguei no hostel pronto para o café da manhá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje paguei o preço do desapego ao meu roteiro. Náo irei conhecer a casa de pablo neruda. As duas estavam fechadas hoje e estaráo tambem amanhá. Por isso abandonei os cariocas perigosos e fui para viña del mar e valparaíso. Vi o Moai original, troquei uma ideia com a chilena mais gostosa que vi até agora. Inclusive esta me mostrou um video dançando reggaton em casa...aiai...mas o que realmente importou foi tomar banho de mar no oceano pacifico. fiquei muitissimo feliz. Comprei uma toalha e pulei no meio da galera na praia, um programa tipico de domingo deste lado de cà da américa tambèm. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que realmente me impressionou foi a cor do cèu de valparaìso. A cidade respira uma decadencia e uma nostalgia impressionante. Uma mistura de cidade do Porto, Cuba e Centro do Rio que è interessantissimo. O Azul do cèu, o rosa do sol se pondo e casaróes decadentes, com pessoas de uniformes e roupas sociais que parecem esquecer que estamos no século XXI. Náo é um parque, náo è pra turista ver. A cidade è realmente assim, por isso impressiona. Náo è a toa que Neruda escolheu ser enterrado aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando pra casa, com as pernas doendo e muito frio (aqui faz calor pra caralho de dia e o mesmo caralho de frio de noite), encontrei os cariocas que vieram me buscar. Alugaram um carro e vamos amanhá conhecer um glacial bem cedo. Por isso hoje serà a primeira noite que irei dormir sòbrio. Isto è, somente se a belga que està no computador do meu lado náo quiser tomar a saideira de pijama em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hasta lluego!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2654307724030273521?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2654307724030273521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2654307724030273521' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2654307724030273521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2654307724030273521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/12/uma-noite-sobrio.html' title='UMA NOITE SÒBRIO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2977518643216537471</id><published>2009-12-22T10:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-22T10:15:02.117-08:00</updated><title type='text'>O QUE VAI E O QUE FICA</title><content type='html'>O QUE VOU DEIXAR EM 2009 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 – o motor de arranque do meu eco-escort que me deixou a pé no motel.&lt;br /&gt;9 - O soco que eu quase tomei por ciúmes de um ex da moça que eu quase namorei. &lt;br /&gt;8 - O email que recebi junto com as faturas do cartão de crédito dizendo que eu estava sendo demitido.&lt;br /&gt;7 -  A venda da casa de praia onde fui batizado, criado e apaixonado, vendida e futuramente demolida. &lt;br /&gt;6 - O dia que ela me beijou sem gosto e percebi que havia me apaixonado sozinho. &lt;br /&gt;5 – O deboche da mulher da imigração em Dublin não entendendo meu inglês de merda.   &lt;br /&gt;4 - A total distância entre as minhas angústias e meus amigos do peito. &lt;br /&gt;3 - Os estragos que um coração partido foi capaz de fazer com a minha mãe.&lt;br /&gt;2 - Minha labirintite que não é labirintite, nem fígado, nem frescura e não me deixa. &lt;br /&gt; 1 - A minha total incompetência em conduzir relacionamentos amorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O QUE VOU LEVAR PARA 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 – A popularidade e reconhecimento que minha banda conquistou junto a músicos e público. &lt;br /&gt;9 – O autoconhecimento, paisagens e titulo de cidadão do mundo que meu mochilão me deu.&lt;br /&gt;8 – A proximidade de parentes queridos e fundamentais para o meu equilíbrio emocional. &lt;br /&gt;7 - O título do mengão que me fez chorar e os prêmios em propaganda que fizeram meu salário aumentar.&lt;br /&gt;6 – Manjericão, carne seca, cerveja guinness, azeite e outras novidades que surgiram no paladar. &lt;br /&gt;5 – Os novos colos de mãe e ombros amigos que surpreenderam quando o bicho pegou. &lt;br /&gt;4 – Acampamento, baseado, sexo selvagem e outras maluquices que queria experimentar. &lt;br /&gt;3 – Minha irmã virando adulta e minha afilhada deixando de ser criança. &lt;br /&gt;2 – Os olhos verdes, as tatuagens e o piercing que fizeram meu coração sambar.  &lt;br /&gt;1 – A conquista da individualidade e a restituição do desejo de não mais viver só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2977518643216537471?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2977518643216537471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2977518643216537471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2977518643216537471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2977518643216537471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/12/o-que-vai-e-o-que-fica.html' title='O QUE VAI E O QUE FICA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-4702860671550948629</id><published>2009-11-09T09:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T09:24:12.129-08:00</updated><title type='text'>FUGA</title><content type='html'>Meu bem arruma a mochila / que o tempo faz preguiça. &lt;br /&gt;Te pego de jeito na pista. / O  dia só para quando enguiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avisa pra ela não ligar/ (segunda )é feriado nacional&lt;br /&gt;Avisa pra ela não esperar/ com rabanadas no natal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com polegar pro alto tudo se dá jeito/um sorriso, um beijo e um queijo&lt;br /&gt;Saber do predicado menos do sujeito/um risco pra cada desejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda rua, toda lua. Casais e breguices de amor.&lt;br /&gt;Toda crua. toda tua. Segredos na orelha com a flor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-4702860671550948629?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/4702860671550948629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=4702860671550948629' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4702860671550948629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4702860671550948629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/11/fuga.html' title='FUGA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5674893303763678882</id><published>2009-10-01T13:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T13:44:14.832-07:00</updated><title type='text'>DIA DE CÃO</title><content type='html'>Um cão sem dono fuxicava o lixo com o nariz. Macarrão com areia e arroz azedo grudavam em seu bigode duro. Não era fome, talvez tédio. O cão procura desafios pra seguir em frente. Antes de partir sente no quadril a pancada forte que vai direto nos ossos. O susto o faz recolher o rabo e saltar de banda, fugindo da vassoura teleguiada. “To cheio desta merda de lugar”. Certamente pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali se via o infinito de cimento. Pistas, postes e fios sumindo no horizonte. Foi pra lá que o cão vadio andou. Sem parar, sem parar. Os centros urbanos, tumulto de gente pra lá e pra cá sempre o atraiu, seja pelas porcarias caídas no chão ou para ver a calcinha das senhoras que passeavam. Gostava das gordas peludas, mais velhas, que deixavam seus pentelhos vazando para fora dos elásticos. Lembrava de suas cadelas. Mas hoje não. Passou direto do calçadão e feira livre, pegou a estrada e viu a noite chegar, os faróis arregalarem seus olhos e a lua o desafiar. Uivou pra ouvir seu próprio eco. Só o silêncio. Algumas noites nem os ecos querem conversar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar sem rumo só é terapia para quem não foge de si mesmo. Quando mais se afasta, mais está próximo de seus medos e da convivência insuportável de seus hábitos. Coçar a orelha com a pata de trás e lamber a caceta antes de dormir eram repetições involuntárias, irritantemente impossíveis de mudar. Naquele dia o cão andou entre os carros atrás de emoção mas o domingo de sol à pino trouxe motoristas idiotas para a rua, com suas crianças gritando sentimentos vazios atrás do vidro. Fugiu para não ser adotado. Enfim encontrou um banco de cimento onde um mendigo dormia exibindo uma bunda suja pelo rasgo da calça e ia acomodar-se ali se não fosse por uma cosquinha na barriga. Conhecia bem a fome e não era nada disso. Pareciam borboletas soltas dentro de suas tripas. Foi subitamente tomado pelo desejo e seus sentidos despertaram de uma letargia infinita. O Cão havia se apaixonado pelo frango assado da padaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele o via girar, em seu movimento harmonioso e gracioso. Mordia os beiços e imaginava orgasmos com dentes cravados em suas cartilagens cada hora mais moles. Queria passar a língua nas suas coxas abertas e maltratar suas asas curvando-as para trás. Imaginou planos, passeios pelo campo e constituir uma família. Ele e sua peça deliciosa, que dormiria do seu lado, sempre disponível para saciar angústias e perversões. Mas o cão não conhecia a personalidade desta nova fixação. Alguns frangos nascem para estar na vitrine e não para serem amados. Basta admirá-los. Se sentem importantes demais para satisfazer a um só. Querem voyeurs, dedos apontando para si e brigas pelo seu rebolar maquinado. O cão arriou suas patas, o corpo magro  e permaneceu deitado, sem ligar para o vazamento da caixa de esgoto que umedecia o chão. Nem comia, nem cagava, nem dormia. Fez da rotação da máquina suada sua obsessão de vida. Mas quando um homem de braços roliços e relógio falsificado pegou seu frango molhado de gordura pelo espeto e o esquartejou entre amigos no balcão ele teve a certeza de que os vira latas são criaturas esquecidas por Deus. Lembrou com raiva da cara de satisfação do seu amado, entregue aos encantos da própria vaidade, arreganhado na mesa posta. Nada poderia fazer. Sabia que cedo ou tarde isso aconteceria. Era vitima e culpado de seu próprio sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminhão de entregas até freiou mas os dias não teriam o mesmo gosto nem o mesmo cheiro depois daquele dia de cão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5674893303763678882?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5674893303763678882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5674893303763678882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5674893303763678882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5674893303763678882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/10/dia-de-cao.html' title='DIA DE CÃO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-59696782611236117</id><published>2009-09-22T07:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T07:39:21.086-07:00</updated><title type='text'>O DIA QUE MEU CORAÇÃO PAROU</title><content type='html'>Notei bem depois, quando assustado com o pesadelo não senti os batimentos. Só o silêncio sinistro na alma. Catei o pulso, o lado esquerdo do peito, nada. De tão resignado que estava voltei a dormir já sabendo ter morrido um pouquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrário às expectativas, acordei normal, no terceiro toque do despertador. Sentia a respiração longa e pesada. Sem o tum-tum-tum por dentro, outros órgãos sobressaíam em seu funcionamento maquinado e ruidoso. Somos molhados por dentro e a cada saliva que escorre pra dentro o pâncreas, fígado, intestinos e companhia se mexem como o torcer de pano de chão. Mas as evidências não me convenciam até perceber a verdade sobre minha nova condição cadáver. Letreiros, automóveis e toalhas na janela. Parei de enxergar o vermelho e algumas outras cores, como lilás e abóbora, que só vemos enquanto temos alegria no ser. O céu também não contribuía tapado em nuvens cinzas franzindo suas sombrancelhas sobre a cidade. Minha pele estava rígida e fosca; a morte era uma realidade. Sem consegui tirar a roupa velha que durmo, nem escovar o dente, fui assim mesmo trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os emails se acumularam durante todo o dia e minha incapacidade de articular duas frases decentes foram mal vistas pela diretoria. Aleguei falta de circulação no cérebro. Bobagem. O business não tem coração. Fui convidado a me retirar enquanto outro já aguardava entrevista na sala de espera. Ganhei tempo para organizar meu próprio falecimento que deveria acontecer dois ou três dias depois. E assim aconteceu. Duro, com a boca aberta virada para o céu e os olhos arregalados, ouvia a grama do jardim do Palácio do Catete crescer enquanto recordava com paciência as últimas horas. Escolhi este lugar para morrer porque era por ali, entre os patos e crianças, que caminhava cantarolando a cada segunda feira que vinha pensando nela. Os dias eram frescos e iluminados e terminavam sempre com um bonito pôr do sol e uma ligação despretensiosa. Ela sabia me fazer rir e suas opiniões tão cheias de opiniões me deixavam mais vivo, seja por concordar ou por odiá-la por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui ha um tempo vão me descobri aqui, por enquanto o vigia somente me observa como um bêbado inválido entre tantos. E quando isso acontecer vão tentar encontrar culpados e chegarão até seu nome, sabendo que foi ela minha última companhia. Mas não estarei vivo para dizer que me suicidei. Ao querer a moça mais bonita sabia que estava provando do meu próprio veneno, outrora capaz de fazer muitas vítimas. Eu quis, mesmo assim.  E o dia chegou: ela se foi, confusa entre suas inexperiências e avidez, porém soberana nas decisões. Me deixou um sorriso seguro de quem tem muito mais vida pela frente para acertar e errar. Suas malas já estavam prontas para pegar a próxima carona. Morrerei aqui, com meus medos e paranóias, sem agradecê-la pela paciência e noites que se tornaram manhãs, sem provocar o último orgasmo nem recontar as últimas piadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que essa esquisitice acontece mas sempre me tornei adubo de mim mesmo, graças a capacidade de renascer de um cafuné ou mimo inesperado.  Neste dia que marca o fim do inverno, temo não conseguir a proeza de voltar a ser gente. Temo ter morrido de vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-59696782611236117?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/59696782611236117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=59696782611236117' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/59696782611236117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/59696782611236117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/09/o-dia-que-meu-coracao-parou.html' title='O DIA QUE MEU CORAÇÃO PAROU'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3677519826714940518</id><published>2009-07-29T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T07:47:07.230-07:00</updated><title type='text'>A VISTA</title><content type='html'>Despertei com olhos que não eram meus. Verdes e com olheiras. É muito estranho acordar com a sua cara sem os olhos. Ele tinha mais lágrimas que o meu, piscava lento e tive que lavá-lo várias vezes para estar limpo de verdade. Cheguei afobado no trabalho e ninguém notou. Meus colegas que almoçam comigo seguiam em sua normalidade e o motorista da condução também. Cheguei em casa para verificar com calma. Eram maiores e tinha cílios mais claros. Comparei as fotos, tirei novas, troquei de espelho. Nada. Novo dia e eu com dor de cabeça. Os olhos que ganhei eram sensíveis a luz e sofri com o sol na janela, por isso passei o dia de óculos. Abandonei o expediente e fui almoçar com minha mãe. Reclamou do dinheiro, do marido, da idade. E foi embora sem me dizer nada. Tive dúvida sobre minha lucidez. Liguei para meu amigo e fiquei com mais dúvida ainda. Veio sábado, veio domingo e decidi ir ao médico. O oftamologista disse que era raro acontecer mas a íris poderia mudar de cor. Não acreditei naquele babaca interessado nas comissões da indústria farmacêutica e saí sem pagar. Me tranquei em casa e meu cachorro me lambeu por compaixão. Para ele, só para ele, eu ainda era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo notei que, junto com os novos olhos, também vieram as banalidades. Agora me despertavam atenção bromélias, estampas e diamantes. Pensei nos cegos, no glaucoma e chorei pela primeira vez. Sem perceber fui excluído do meu circulo de amigos e encontros de família. Vez em quando, um ligava. Eu havia desistido de contar esta história mas também não queria contar outra. Ficava mudo e desligavam. Foi nessa época que usei drogas sintéticas pela primeira vez. Pensava em enganar meus olhos ou a mim. Uma alucinação contra a outra. Via tudo azul, depois tudo verde, depois desbotava-se. Numa das viagens acordei todo molhado com um lápis na mão feito punhal. Ia enlouquecer. Decidi refazer meus passos do dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi, o senhor viu por aqui um par de olhos castanhos bem normais?”. Melhor não perguntar nada. Sentei no bar tentando lembrar. Mesma mesa, mesma cerveja, mesmo garçom. Veio na lembrança uma certa euforia, mas passou. O músico com teclado e seu som sintético tocava “Azul da cor do mar”. Será que havia relação?Segui a pista e fui andando pela calçada que costumava me equilibrar no paralelepípedo. Passei pelo escritório, pela livraria e pelo banco. Procurei minha vista nas esquinas, nos lixos, queria entender. Mas acabei esgotado com a minha própria incapacidade e fui para casa. Pensava que, ao procurar os olhos havia perdido também o amor próprio. No metrô senti alguém me olhar. Muito. Hesitei em saber quem era. Desci ali mesmo. Pela primeira vez neste quase trinta dias, aquele arrepio que antecede um olhar me afrontou. Segui até minha casa, passos apertados, olhando para todos os cantos pois sabia que, seja lá quem fosse, estaria perto. E o avistei se esgueirando entre os carros estacionados. Eu parava, ele abaixava. Na esquina eu corri. Faltavam dois quarteirões para chegar. Sentia muito medo. Seria uma alucinação?Seria eu mesmo me perseguindo? Não consegui abrir o portão porque nestas horas a luz da rua está sempre apagada ou a fechadura está dura demais. Ele se aproximou tanto que decidi virar de súbito. Estava a menos de 300 metros. Tinha um saco de papel na cabeça com dois furos para olhar. Não falou nada, mas estendeu a mão para mim. Calma, calma. Era uma criatura estranha, pequena, e só depois vi que suas roupas estavam velhas, com aspecto abandonado. Era uma mulher. Levantou sua máscara improvisada e entendi tudo. A conhecia muito bem. Morava ao lado e sempre a quis mas nunca tive coragem para falar. Saíamos para o trabalho no mesmo horário e eu sempre corria para estar em seu caminho. Dia após dia cruzávamos e nos desejávamos em silêncio. De tanta insistência acabamos trocando nossos olhares. Para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3677519826714940518?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3677519826714940518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3677519826714940518' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3677519826714940518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3677519826714940518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/07/despertei-com-olhos-que-nao-eram-meus.html' title='A VISTA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5947562949605912844</id><published>2009-07-14T13:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T06:13:47.695-07:00</updated><title type='text'>PEQUENOS CONSELHOS PRELIMINARES PARA SUA VIDA ADULTA</title><content type='html'>Viaje neste mundo de possibilidades criança, sem querer tatear de fato o que é a vida adulta. Sinta seu cheio mas não a coma, ouça seu canto mas não o repita. Seus pés cresceram e sua bunda também mas mantenha o olhar tão ingênuo e desprotegido quanto aquele que nos deu. ainda na incubadora, ainda sem saber se ia viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como padrinho te preparo para o resto que virá, a primeira curva da sua vida em Indianápolis, fazendo volta em torno de si. O destino é assim, uma eterna repetição de atos com ou sem vontade. Verá sua libido crescer e seus pêlos também. Descobrirá cedo que conquistou seu espaço no pantheon mas precisa comer muito feijão e saber de assuntos que não te interessam se quiser girar conversas na cozinha sem ser interpelada por ter idade de menos. Verá a revolta sem causa nascer em metástase em seu estômago que vervilhará ao chiado de sonrisal. Furará sua orelha, seu corpo, negará seus cabelos e banhas, descobrirá que o verdadeiro monstro do armário está no espelho da porta. A dança dos hormônios também fará monstruosidades com seus amigos, que terão bigode ralo e ereções matinais, menstruação e calcinhas de algodão com ursinhos apaixonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, menina grande, como eu gostaria que soubesse o que existe depois da infância sem precisar te trazer até aqui, nesta vida ritmada pela condução que passa às sete e o almoço de uma hora onde engulo minhas ansiedades e pago as contas. A nostalgia não vai tão longe, basta voltar a ser calouro, perfumado e vagabundo. Não te imponho uma formação de doutora e sim de cidadã. Encontre o que gosta e tenha sempre sangue nos olhos para conquistar, dominar, sem modéstia, seu espaço. Não se incline pela facilidade e estabilidade dos empregos sem sal e pelo medo de terminar seus dias velha e pobre. Terá tempo de sobra para cativar pessoas e lugares, dedique-se a isso. Não se envergonhe pela sua ambição nem pelo orgulho ou vaidade. Todo mundo tem o lado ruim escondido na caixinha de remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fará bem não se decepcionar por não ter a seu lado as pessoas queridas que gostaria. No futuro estarão aqueles que restaram cujo os pais não foram morar em Manaus ou os que não sucumbiram a religião ou a vícios. Com seus contemporâneos terá a cumplicidade da geração e se arrependerá de não ter dividido a merenda com aquele remelento que agora é o bonitão e gerente, presidente, chefe de gabinete do seu coração não correspondido. Para isso felicite a todos, inclusive a menina que vem aqui em casa te trazer convites de aniversário mesmo que este tenha a data errada escrita à mão e não esqueça de falar com a outra que cresceu rápido demais e não quer mais brincar de pique com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ser grande tem suas sensações que precisa aproveitar. Se antes era dominada pelo instinto de se alimentar agora também haverá o de procriar. Tome as medidas necessárias para não adiantar filhos não desejados mas não torne o sexo um tabu. Transe onde, quando e com quem quiser, gozando da sua irresponsabilidade sob medida. Também cometa loucuras por amor, mesmo que seja a si próprio, como pegar caronas rumo a próxima cidade, pular na piscina do vizinho escondido e entrar em festas sem conhecer ninguém. Depois de um certo tempo menina, ficamos bobos demais. Primeiro tentamos legitimar nossa diversão. Se você gosta de descer o gramado no papelão, vira snowboarder, se gosta de subir na árvore, vira engenheiro florestal, mas como a infância não é palpável, deixamos de lado as brincadeiras de rua e o riso bobo: é assim que a infância se vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, compartilhamos as incertezas pelo amanhã e por isso fico feliz de ter você ao meu lado. Chegue aos quinze pois estou perto dos trinta mas continue revezando comigo a brincadeira com o cachorro e não deixe de beber água no gargalo das garrafas. Posso não estar perto a cada peça que encontrar do seu quebra-cabeças mas estarei aqui para aplaudi-lo assim que você terminar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5947562949605912844?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5947562949605912844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5947562949605912844' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5947562949605912844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5947562949605912844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/07/pequenos-conselhos-preliminares-para.html' title='PEQUENOS CONSELHOS PRELIMINARES PARA SUA VIDA ADULTA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1122412710187614355</id><published>2009-06-24T14:59:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T14:25:00.211-07:00</updated><title type='text'>CONFISSÕES ERÓTICAS SOBRE A PRIMEIRA VEZ</title><content type='html'>*Baseado no relato de uma amiga confidente, bêbada e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim é orgia, mas ele disse que não. Chama de experiência madura ou sei lá que porra é essa. Começou como brincadeira de cócegas, cochichando sacanagem mas acabou falando sério. Saí pela direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso namoro não anda bem nestes meses mas já teve sua glória. Sinto que sua ereção mudou. Antes metia afoito, eu nem aproveitava tanto. Depois passou a ser mais paciente e me deixou à vontade, e, de um tempo pra cá, temos apenas transado uma vez por final de semana. Pra mim é pouco. Os últimos dias que me fez gozar de verdade foram aqueles que antecederam o anal. Toda aquela expectativa que criei o fazia bufar, me pegar com força, me subjugar, coisa que adoro. O anal mesmo, detestei. Fiquei tensa. Lembro que vi algo sobre usar o chuveirinho na revista mas o dia me fugiu o planejamento e realmente tive medo de sujar tudo. Ele gostou. Disse que era apertado, quente, não sei o que lá, e nunca quis de novo. Só bêbado. Acho que os homens querem enfiar no cu apenas para conquistar, como fincar uma bandeira, no mais é só um buraco. Sujo, convenhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta me pareceu absurda pois nunca havia pensado em dividir meu namorado com ninguém, ainda mais com a amiga dele. Só não brigamos porque já a conheço e sei que não faz seu tipo. É gordinha, tem espinhas, estria na bunda branca e meio quadradona. Ele gosta de mignon, como eu, não picanha como ela. O que me argumentou era que gostaria de transar comigo e deixá-la com vontade, contando com minha ajuda pra excitá-la. Achei tentadora a proposta vista por este lado tão sádico e aceitei. Por mais que não desse importância, não saía da minha cabeça a imagem daquela gorda, esparramada no sofá, se masturbando e fazendo cara de tesão. Por outro lado, as tentativas com seu membro mole me faziam sentir a pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia combinado já havíamos brigado tanto que pensei em desistir. Mas ele parou seu Uno preto antes do horário combinado no portão da minha casa e buzinou. Havia comprado uma calcinha ousada, vermelha, mas lembrando da presença de outra fiquei insegura e acabei optando por uma básica mesmo. Que saco a presença desta vaca!Seria tão bom tê-lo de volta, sem a dança do maxixe. Este não é o homem que eu conheci. Nos levou a um pé sujo perto de sua casa, sem cerimônia. A amiga, que me foi apresentada numa das festas de faculdade, até estava muito bonita, usando todos os artifícios de sedução disponíveis no mercado. Francamente ela errou o tom e a roupa estava demais para o ambiente, mas, a esta altura, quem sou eu?Uma mulher que precisa doar metade do seu homem para tornar sua vida interessante. Bateu uma tristeza, tão evidente quanto a tentativa dele de nos deixar à vontade, por isso fui ao banheiro enquanto repetiam suas histórias de sala de aula que eu já não agüentava ouvir e rir educadamente. Tava lá no espelho a verdade, sublinhada por rugas de expressão que a maquiagem não escondeu. Falava sozinha quando minha - quase - rival entrou. Em silêncio, urinou de portas abertas, de cócoras, evitando o contato com a tábua da privada, me olhando distraída. Ainda se secando com o papel ordinário, cortado em tiras, disparou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele ta achando que vai comer a gente. Coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma mulher pode compreender tanto a outra?... Era tudo aquilo que eu gostaria de ouvir. O castelo de areia, o harém daquele cafajeste se desmontou. Trocamos confidências e rimos da possibilidade absurda numa cumplicidade que só o espelho e o batom podem explicar. Soube ali que nunca haviam transado e tudo não passou de uns beijos arrependidos.Voltamos triunfantes, de cabelos soltos e penteados, rebolando sem notar e chamando atenção dos rapazes reunidos perto do poste. Não combinamos nada mas invertemos o jogo, seduzindo o pobre diabo, cujo pau se apertava na bermuda estampada por coqueiros e ondas. O instrumento eu conhecia bem, mas, sem que ninguém notasse, o fitei e me excitei no primeiro esbarrão de seu braço, alheio ao meu. Sentia com as rédeas da noite nas mãos. A gorda contribuiu com o clima dando agulhadas e deboches. Não se tocaram em nenhum momento, eu vigiava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomávamos um vinho barato pois não há nada melhor para temperar uma noite vadia. Mas aquela birosca, de garrafas multicoloridas, não foi capaz de saciar nossa sede. Foi ele quem sugeriu o motel. Eu tomei um susto, mas depois ri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai a merda. Com este pinto pequeno você não agüenta nem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse no susto e achei tão divertido, tendo de apoio a gargalhada da amiga. Mas os homens sempre possuem resposta quando o assunto é putaria. Enfiando a mão nas calças, colocou para fora e balançou aquela verga dura, escura, com veias saltando para fora, e a sacudiu numa banalidade de menino brincando com seu cavalinho. Vendo um homem com o membro na mão não há mulher que fique impune, visto que um silêncio tomou conta do carro, ao cruzar os pingos e a modorra de segunda de madrugada. Reprimi-o sem jeito e depois de algum tempo ele entrou abrupto no estacionamento que eu desconhecia. Parecia um posto de gasolina desativado ou algo assim. Saiu do carro no mesmo instante e disse algo sobre comprar bebida. Havia esquecido momentaneamente a minha nova amiga sentada no banco de trás que me surpreendeu ao cochichar no ouvido um assunto que poderia ter sido dito de outra forma mas que, tenho que confessar, não me daria tanto tesão. Molhei numa vez só minha calcinha mesmo tendo um ataque moral de levantar o corpo. Virei de frente a encará-la e a gorda me tocou os cabelos, sorrindo complacente e, se aproximando de súbito, beijou o canto da minha boca, provocando formigamento na língua que a queria. Toquei-a pensando em afastá-la e só a provoquei mais. Também não tinha forças e minha mão escorreu pela fartura de seus seios, que depois de expostos, arrepiaram-se no ato. Gostaria de ter um pau, que tocasse as coisas como se fosse minhas mãos, só assim teria controle e poderia sair tateando fissuras, mas não, sou uma mulher que, ao ser estimulada, sinto um puta tesão do umbigo ao joelho, ficando impossível determinar onde ela me tocou. Quando percebi já passeava com seus dedos úmidos entre as minhas pernas, numa precisão nunca sentida por mim. Deitei meu corpo acionando um botão do painel que passou a assoprar vento quente em nós. Foda-se. Ela encaixou a cabeça entre minhas pernas, agora completamente aberta e, pacientemente, pressionou sua boca carnuda e suas bochechas macias, enchendo os lábios com meus ralos pêlos pubianos. Ainda lembro de seus olhos e do constrangimento pois eram os mesmos que me buscavam no banheiro, querendo cumplicidade. Gozei quando ele se aproximava, revelando apenas uma silhueta ao longe, com o pesado garrafão de vinho nas mãos. Ele sentiu o cheiro, me viu ajeitar a roupa, ficar vermelha e virar para frente mas, estava tão imóvel, tão paralisada, tão desajeitada com a situação, que não tirei os olhos do retrovisor. O gozo me fazia querer mais. As mãos dela me procurando pelo canto da porta também. Impossível. Tinha sido descoberta, sido vencida, corrompido meus códigos morais. A cabeça latejava enquanto os dois riam e falavam besteira sobre qualquer coisa que passasse pela janela. O homem correndo da chuva, o gato que quase virou asfalto, tudo virou motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais aconteceu, óbvio. E o namorado também não resistiu a crise de identidade e talvez até esteja com outra. Estou solteira e evito qualquer intimidade ao me ver sozinha com amigas. Vou morrer sem dizer para nenhuma delas que tenho até hoje tesão naquela gordinha ou em qualquer outra que cruze meu caminho. Bom, pelo menos era segredo, até agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1122412710187614355?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1122412710187614355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1122412710187614355' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1122412710187614355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1122412710187614355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/06/confissoes-eroticas-sobre-primeira-vez.html' title='CONFISSÕES ERÓTICAS SOBRE A PRIMEIRA VEZ'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5212573356292385593</id><published>2009-06-23T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T11:52:41.290-07:00</updated><title type='text'>COMPRAS E AFAZERES</title><content type='html'>Minha inércia e meu desapego material chegaram ao limite. Vim da Europa empolgado com uma sociedade inteira que realmente se importa mais com o “ser” que o “ter”. Além disso, sobrevivi com uma mochila dois meses e posso continuar assim: meia dúzia de roupas e muito menos quinquilharias tecnológicas. Mas foi a moça falante que viu “Ei, sua camisa ta furada”. Era a terceira em uma semana. Comecei a rascunhar a lista de compras e afazeres mas com o pesar que deveria também fazer a lista de dispensas. É assim com o coração da gente e tem que ser com as coisas também. Mas não consigo. Prefiro não ter a ter que abandonar depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sinceramente tenho medo das listas. Todas as vezes que as faço não consigo executá-la. Bastam dois ou três itens concluídos e a sensação de dever – parcialmente – cumprido toma conta. Me perco em possibilidades e transformo equações exatas em barcos que navegam em mares infinitos. Se eu tivesse criado o mundo, ele não completaria o quinto dia e se tivesse criado os mandamentos, não passariam de conselhos rascunhados. Começo sem prestar atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro meu carro, cansado de guerra, cheio de arranhões e gambiarras elétricas.O que fazer com ele? O Eco-Escort, como o chamo, tem andado manco, furando pneus e dando de lado. Nele habitam um pé de tênis, que tenho a esperança de encontrar seu irmão gêmeo, uma garrafa de vodka, para a festa nunca acabar, e um casaco para dias sem ninguém.  O cd, que não funcionava, deu o ar da graça depois da joelhada de uma pequena mas voltou a se calar recentemente. Tento lembrar o nome dela para que possa repetir o golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou direto às roupas, mais urgente. Um armário de adolescente me olha com seus bofes pra fora não suportando uma cueca. Tenho que eliminar algo. Ano passado tive a paranóia de ter que tocar com uma camisa nova a cada apresentação. A doidice passou mas me apeguei a elas. Essa do barbudo de óculos, foi a usada para as fotos no estúdio, fica. Essa listrada, deu sorte, fica. Mas a do ferro de passar foi presente, fica também. No entanto só tenho usado outras, lisas, mais agarradinhas ao corpo, aproveitando os dois quilos a menos que mantenho distraído. Melhor recosturar todas então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulo as contas fixas da lista pois estas sei de cabeça, só não as pago sempre por puro masoquismo. Prefiro organizar os planos futuros, inspiradores. Morar sozinho?Um novo possante? Ou a viagem pela América? Mas, calma aí rapaz. Para fazer tudo isso eu não preciso economizar? Desanimo ao olhar o papel que pede minha atenção, implorando com seu espaço em branco um pouco de conteúdo. Mudo o foco. Começo rapidamente uma nova lista com tudo que fiz este ano. Caminho fácil pelo acampamento inédito em ilha grande, pela fantasia inspirada no carnaval e pelos tantos quilômetros em terras estrangeiras. Tive que voltar as montanhas de San Gotardo, lá nos Alpes, para avistar no horizonte o mochileiro curioso que sou e como posso fazer da minha rotina uma nova aventura. Pensando bem, vou deixar a lista pra lá. Muito melhor é encontrá-la dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5212573356292385593?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5212573356292385593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5212573356292385593' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5212573356292385593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5212573356292385593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/06/compras-e-afazeres.html' title='COMPRAS E AFAZERES'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3036948879706653658</id><published>2009-06-15T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T11:17:47.402-07:00</updated><title type='text'>IMIGRANTE SENTIMENTAL</title><content type='html'>Meu dia dos namorados foi solitário e cansativo. Casais insaciáveis arrancaram meu couro e a aparelhagem da banda, me esgotou a paciência com sua microfonia de araponga descontrolada. Diferente de tantos finais de semana, onde gente saudável e disposta troca telefones e marcam planos para o dia seguinte, vi dois carros passando e uma chuvinha fina cobria a luz numa transparência de lingerie. Ligo?Não ligo?Quero?Não quero?Deixa pra lá. Segui minha sina de imigrante sentimental e fui me esconder no interior do Rio e no interior de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem-me os amigos pois mentirei a todos eles se insistirem em perguntar sobre a viagem. Falarei sobre a beleza das flores, da energia renovada e dos amores de bolso que deixei por lá. Deturparei valores que gastei, quilômetros que andei e até mesmo a temperatura medida do lado de fora da janela. Só não me peçam fotos e nem busquem testemunhas pois ambas não existem. Meu avô dirá que viu um neto comportado, atualizado em sua sede literária e apto a ser o motorista da família. Minhas primas dirão que mataram a saudade do mochileiro, com histórias mornas pra contar e um saco de dormir cruzado no chão da sala. Meu colega de faculdade dirá que encontrou um cara deslocado, se sentindo velho no show com ex-crianças, tentando fazer de sua companhia um motivo extra para se sentir mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que valeu: Paçoca feita em pilão, crocante e bem batida por muitas mãos. Meu pai com bigode pintado a lápis, acompanhado das suas novas crianças e minha afilhada, desajeitada com a bola. Parentes que não são exatamente meus mas emanam sua sinergia para os demais. Dias sem grandes exageros etílicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltando pela rodovia, entediado da paisagem monocromática, tento não fazer um balanço sobre minhas decisões. Estico a perna para o lado antes que meu companheiro da poltrona ao lado do ônibus chegue. Estou sem saco pra mim mesmo. Mas o ipod também se cansou e arriou suas baterias visto que não tenho outra escolha. Sei que me arrependi de não levar a moça a tira-colo, de não dar chances e exclusividade a quem me quer bem. Ficaram sem dono o chapéu de caubói de brinde que ganhei um par, a maçã do amor pela metade, as frases bonitas das canções que cantei pra ninguém e a brisa gelada, que só existe para unir casais. Nestes dias penso: melhor que ser egoísta, fazer planos solitários e tomar rédeas do destino, é ter alguém para ser ainda mais egoísta com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi?Qual é o número do seu assento?Poderia tirar a mochila por favor?Tudo bem, você mora aqui ou ta passeando?Gostou da festa?E o show?Você ta com sono?Tá quieto...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer mesmo saber?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3036948879706653658?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3036948879706653658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3036948879706653658' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3036948879706653658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3036948879706653658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/06/imigrante-sentimental.html' title='IMIGRANTE SENTIMENTAL'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2818009250657197005</id><published>2009-05-25T10:57:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T10:58:29.544-07:00</updated><title type='text'>O SOM QUE VEM DE LÁ</title><content type='html'>Na terra da laranja tu se espreme, se engarrafa o viaduto, ou quando chega a condução.&lt;br /&gt;Bangu é quente pra caralho Santa Cruz é faroeste, Itaguaí eu nunca vi.&lt;br /&gt;Esquina do pecado é uma beleza, alegria do bicheiro travesti e a igreja,&lt;br /&gt;Prefiro ir pro bloco do Sereno, Água fresca, amendoeira, isso é samba de primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui todo dia chega gente, mas no fundo são parentes ou alguém que eu já vi&lt;br /&gt;Festa do desterro tinha briga, santo Antônio tem garrote, procissão e pescaria&lt;br /&gt;Na terra do vulcão é maravilha, a cachoeira e a trilha pra encontrar nova Iguaçu.&lt;br /&gt;Domingo tem churrasco de alguém, mas se não tiver ninguém, todos tão no Grumari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora pra chegar até o centro, de frescão é muito bom se não for final do mês&lt;br /&gt;Quem vai ficar na pista leva o skate, half pipe, free style, o D2 já viu qual é&lt;br /&gt;Calçadão e a bandinha massa, de pastel, caldo de cana, to porta do São Brás&lt;br /&gt;Padeiro, pipoqueiro, troco pinto pelo ouro mas o carro da pamonha resolveu parar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2818009250657197005?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2818009250657197005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2818009250657197005' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2818009250657197005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2818009250657197005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/05/o-som-que-vem-de-la.html' title='O SOM QUE VEM DE LÁ'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-9177224815727305090</id><published>2009-05-18T08:46:00.001-07:00</published><updated>2009-05-18T08:46:21.271-07:00</updated><title type='text'>DOMINGO NO SHOPPING</title><content type='html'>Comprei uma calça azul em Lisboa mas até hoje não sei se gosto dela. Quando recebo um elogio, acho que sim. Quando sou contrariado, acho que não. Mesmo assim fui com ela ao shopping porque havia beijado na boca e estava feliz. Shopping é um lugar muito triste, especialmente aos domingos onde casais sem esperança andam feito elefantes velhos com suas trombas enlaçadas, rumo a qualquer lugar. Reparei nos olhos daqueles moços a cuidar das crias e das suas mulheres gordas que ainda tentam voltar a forma anterior à gravidez. Passeiam arrastando os chinelos, vendo aquilo que não podem ter e construindo sonhos de consumo tão frágeis quanto a promessa de um casamento eterno. Uma das gordas fitou minha calça azul e presumo que tenha, por pura falta de assunto com seu velho diabo, dito algo sobre ela. Fingi que não vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a procura do que pudesse preencher as horas vazias do final de semana. A grande pausa modorrenta causada por uma tarde sem jogo do flamengo, nem praia, nem alguém do meu lado despertando sem pressa. Um livro seria bom, ou filme também. Mas o telefone novo tocou no bolso e a moça da flor no cabelo me ligava. Mas não estava feliz comigo. Sob a desculpa qualquer de uma informação que eu teria, vieram cobranças de sentimentos nobres que não tinha para dar. Ela não brigou mas fez pior: baixou a voz e soltou palavras sem valor, numa evidente decepção àquilo que imaginava sobre mim. Não tinha o que dizer nem queria mentir e a menina que prendi uma flor vermelha nos cabelos há tempos atrás se foi no fechar do celular, como numa piscada lenta de criança de castigo.&lt;br /&gt;Havia acabado de perder o que nem cheguei a ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro se disse que odeio minha calça azul, especialmente quando ela chama atenção para mim quando não quero ser visto. Me senti tão amarrotado e patético que preferi sentar e tomar um chopp, escondido entre colunas da escada rolante. Do meu lado, um daqueles casais, trocavam ofensas e cumplicidade numa profusão delirante. Ele perguntou quem era Mario e tentou arrancar o celular da mão dela. Ela explicou que era do trabalho. Ele perguntou se era melhor que ele na cama. Ela debochou e respondeu que sim. Ele queria mais que sim, queria elogio, queria um pingo de segurança naquele enorme deserto de areia movediça que se tornou sua relação. Bebiam, se ofendiam e me irritavam com seu diálogo de teatro de marionete. Abri minha bolsa de mão e comecei a rever os tickets que trouxe da Europa, tentando encontrar algo novo que prolongasse ainda mais minhas lembranças de momentos recém passados. Encontrei o telefone da portuguesa de bunda grande que dormia na cama de cima em Roma. Encontrei outro que não me lembro de quem era e por último encontrei o dela. A Alemã que se foi em Florença por não gostar de gostar. Me deixou com um beijo sem gosto e um adeus aliviado. Definitivamente não era isto que eu queria neste domingo á tarde. A conta, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Qualquer livro do Pedro Juan Gutierrez”. “Não minha filha, Juan não é com R”. “Antônio Lobo Antunes, tem?”, “Esquece, muito obrigado”. Odeio quando lembro que meu bairro é feito sob medida para gente ignorante. Filme?Só dublado. Livraria?Só uma, e olhe lá. Em contrapartida, torre de chopp e churrasco a quilo tem para todo lado.  Mas bem feito pra mim. Quem mandou ir ao shopping?Quem mandou atender o telefone quando não tinha nada a dizer?Quem mandou não cativar alguém para te fazer companhia nos momentos mais sem graças da vida? Os corredores me espremiam com suas vitrines e não tive dúvidas. Disparei com meu carro velho, furando engarrafamento, controlando seu desalinho que sempre o empurra para o lado direito, rumo a qualquer lugar. Praguejava a minha total falta de sorte e só silenciei quando subi o viaduto e vi o céu sorrindo,simples e encantador, misturando as nuvens coalhadas, os montes verdes da Pedra do Rui e os raios de sol, avermelhados no horizonte. Diminui a marcha, a pulsação, a culpa, a vontade de acertar e, aos poucos, fui me encontrando dentro de mim, rindo das urgências que eu mesmo criei. O domingo terminou sossegado, sentado no portão com a minha bonita calça azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-9177224815727305090?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/9177224815727305090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=9177224815727305090' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9177224815727305090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/9177224815727305090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/05/domingo-no-shopping.html' title='DOMINGO NO SHOPPING'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7816647135539426967</id><published>2009-05-05T13:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T06:51:49.556-07:00</updated><title type='text'>REABILITAÇÃO EM RETALHOS</title><content type='html'>Às vezes acho que percebo demais.&lt;br /&gt;As pessoas cortaram seus cabelos de um jeito diferente e vão agora para uma boate diferente. As ruas estão vazias novamente na segunda mas já me disseram que quarta tem lugar novo para beber. Tentei beber mais e a manhã veio sem consegui. Também não consegui cantar uma música que queria e fiquei rouco no segundo dia. Meu time ganhou e pelo menos este era o mesmo que eu torcia, apesar de ter um atacante novo no gramado. Os amigos estão aparecendo aos poucos. Uns aparecem para saber como foi a viagem, outros só aparecem para contar o que andaram fazendo. Tento fazer um vídeo com as fotos da Europa mas paro para lembrar de como foi e esqueço o vídeo. Amanhã eu faço. Tento organizar os papéis e dar cabo dos vestígios da viagem mas paro para lembrar de como foi e esqueço a organização. Amanhã eu faço. Tento definir uma nova meta para 2010 mas paro para lembrar de como está sendo o ano e esqueço das metas. Amanhã eu faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantar e transar são dois prazeres que sinto falta. Mas também sinto medo de não saber fazer tão bem quanto imaginava fazer. Estou inseguro comigo mas também satisfeito pelo meu feito. Gozo com a minha própria consciência e durmo em paz. “É muita doideira”; “é muita coragem”; é muito dinheiro”. Ouvi de tudo sobre mochilão. Disse o mesmo sobre gravidez e carro zero. Cada um tem o que merece. Em compensação, se tudo anda solto de um lado, de outro engata-se. Vou trabalhar todos os dias, acordando cedo e me aborrecendo com a rotina imbecil que preciso seguir. Sou o primeiro a chegar e o último a sair. Tenho um mês para a empresa não fechar no vermelho e assim garantir meu emprego que imaginava ser meu. Precisamos de três títulos?Faço treze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo senti cheiro de bosta e mato. Fui na festa de São Jorge e vi muitos cavalos. Em sua maioria, magros e tristes. Queria comer carne de sol e aipim mas vendo o cavalo magro, desisti. Já bastam as conchas de feijão, os bifes com gordura e a coxinha que repeti sem critério esta semana. Fui surpreendido também por pessoas que não conheço mas que falaram, com olhos atentos, sobre minhas manias loucas enquanto enfrento o público com o microfone na mão. Aliás, conhecer pessoas é algo que tenho feito, não sei se pelo puro vício ou para recuperar o tempo perdido. Lá fora, a cada foto tirada ou cama escolhida, uma pessoa com histórias pra contar aparecia na cabeceira. O iraniano que não explode, a argentina que procura sua família com a foto na mão ou a alemã que se esconde do amor que nunca teve. Todos os dias gente nova, sorrisos inéditos, pedidos inusitados, gente cheia de hipocrisias, de dúvidas, de metas, mentiras e lembranças. Gente como eu. O final de semana foi e deixou uma superlotação na minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei um presente pra minha mãe que está perdendo a cor e a história. Ela não apareceu para pegar, nem eu fui levar. Comprei outro para minha afilhada, ela não conseguiu montar. Comprei também uma flor para o cabelo da menina que me deu uma foto antes de ir. Pra mim, poucas novidades na mala. Bom mesmo é poder usar roupa velha que ficou nova agora e não as mesmas camisas e calças que esgotaram sua criatividade em combinações. Melhor ainda é me despir da vida que passou e ficar peladão esperando o que ainda virá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7816647135539426967?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7816647135539426967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7816647135539426967' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7816647135539426967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7816647135539426967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/05/reabilitacao-em-retalhos.html' title='REABILITAÇÃO EM RETALHOS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1625086872768321902</id><published>2009-04-27T15:24:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T15:25:04.628-07:00</updated><title type='text'>PÁGINA EM BRANCO</title><content type='html'>Visitei tantas igrejas e túmulos mas perto de Deus mesmo eu me senti voando de volta para o Rio. Foram 8 horas para tentar ordenar o fuso-horário e as batidas do coração. Vi a primeira estrela nascer e parecia que estava ao meu lado. Lembrei do pequeno príncipe e seu planetinha. Não é  a toa que o escritor do livro era piloto de avião. Fiquei horas olhando pra ela, assim como eu fazia quando era adolescente e pedi pra Deus uma confirmação de que eu havia tomado a decisão certa. Uma estrelinha cadente me saudou, riscando céu enquanto uma lágrima sem-vergonha  pulava do meu olho. Há quase dois meses atrás eu havia abandonado uma banda com poucos fãs mas com muitos amigos, um emprego com alguns êxitos profissionais e uma família orgulhosa deste feito tão maluco. Agora, volto sem dinheiro, sem emprego, com um mundo em crise e cheio de idéias pra realizar. Na verdade eu só troco de mochila e agora carrego nas costas a responsabilidade de pagar minhas dívidas e tentar uma oportunidade neste mercado cheio de amizades e traições.&lt;br /&gt;Vi meu pai me saudar com um sorriso igual ao do meu avô e junto com ele o agente de viagem que me adiantou as burocracias. Sofri com o calor e com a falta de iluminação das ruas e conforme ia me aproximando de campo grande o coração pulava como se estivesse indo visitar uma cidade nova em qualquer lugar da Europa. Família, beijos, presentes em 15 minutos e logo descobri que a banda estava tocando perto de casa. Em um pulo estava lá. Entrei sem ninguém ver e tive que segurar a onda da emoção com a gritaria das pessoas. Ninguém sabia que eu chegaria naquele momento e para todo lugar que eu olhava eu via sorrisos tão bonitos e cheios de saudade que era impossível pensar em problemas. A banda estava lá, com um mais gordo, outro mais barbudo e um som limpo, agradável, feliz. Acabei a noite andando sozinho pelas ruas do meu bairro com saudosismo e observando as coisas ainda com olhar de turista. Fui ao bar que sempre vou, encontrei aos amigos que sempre encontro e cantei as músicas que sempre canto e aos poucos venho compreendendo o quanto importante eu posso ser para as pessoas, cantando, sorrindo ou apenas tomando um chopp e falando besteira. Foram dois meses andando sozinho e agora todo lugar que vou encontro um mundarel de pessoas queridas cheias de saudade. Por falar em mudanças, ainda não consegui me livrar do vício de andar com a máquina fotográfica no bolso e a carteirinha de moedas de todos os dias assim como não me interesso em nada em ligar meu celular e ver televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No domingo reencontrei as pessoas da banda e, junto com minha família, vivemos uma tarde em comunhão onde Marcelo, guitarrista da banda, abriu seu terraço e São Pedro nos presenteou com uma tarde linda que deixava a relva em volta mais verdinha. Fui convidado a ser padrinho de casamento dele o que selou a minha volta e minhas dúvidas quanto ao meu retorno. Agora, sentado neste computador, vivo um misto dos três tempos, onde o saudosismo, a saudade dos lugares e pessoas, a preocupação com o meu futuro e a minha reabilitação no presente me confundem. Tenho um sono permanente dentro deste pijama que vesti durante o dia todo, sem saber exatamente o que fazer. Sinto saudade dos mapas onde eu marcava a caneta o que queria fazer e minha felicidade estava a poucos quilômetros de mim. Quero encontrar pessoas mas não quero explicar nada, quero trabalhar mas me sinto cansado, quero cortar o cabelo mas gosto dele assim, quero começar logo a escrever alguma coisa nesta página em branco que se tornou minha vida daqui pra frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1625086872768321902?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1625086872768321902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1625086872768321902' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1625086872768321902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1625086872768321902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/04/pagina-em-branco.html' title='PÁGINA EM BRANCO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7206130295041594052</id><published>2009-04-19T16:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T16:45:14.292-07:00</updated><title type='text'>PARQUE DE DIVERSÕES</title><content type='html'>Suiça, Bruxelas, Amsterdam e Paris. O a roda gigante deu um giro rápido na segunda parcela da viagem. Tantas experiências, tanta gente interessante, que o blog ficou ultrapassado, sumiu na poeira. Fumei um baseado, encontrei amigos, fiz outros, peguei carona, cantei, dormi na mesa de sinuca, perdi vôo, acabou o dinheiro, vi neve, vi a torre eiffel, vi gente doida, mas também me perdi, me arrependi e me diverti. Foram 15 dias frenéticos e agora to aqui, cheio de dor de cotovelo, preparando a alma lentamente pra partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lugano, encontrei Roberta e Massud, seu marido. Vi o Lago lindo, comi pratos tipicos, recarreguei as baterias, vi a neve e pisei nela, vi um bambi na rua também. Aprendi sobre o islã com o Massud, que é iraniano e aprendi como mudar de vida, com a Roberta. Foram alguns dias de paz convivendo e repartindo a intimidade com pessoas queridas. Sobrevivi ao frio na boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brussle, conheci brasileiros, que me apresentaram a mais brasileiros, que viraram colegas de hostel e depois amigos de verdade. Vi um moinho pela primeira vez, vi córregos como veneza e tomei uma caneca de um litro de Stella Artoir. Fomos pra Bruxelas, dividimos apartamento, roubaram o GPS do carro, fomos a balada, conheci gente pra caramba que inclusive, nos acompanharam pra uma festinha mais reservada. Bruxelas ficou pra trás e seus pontos turísticos sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amstersdam estava lotada e linda. Feriado, novos amigos, baseado, bicicleta por todo lado, putas na vitrine e um hotel de quase 100 euros ao dia. O dinheiro se foi e sobrou a mesa de sinuca pra dormir por 15 pilas. Dois Spaces Cakes e dormi feito anjo. Vi um japonës de bigode e o chão parecia batata ruffles. Efeitos da fumaça na cachola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paris foi acordar aos pés da torre eiffel. Foi encontrar com gente doida, que dá beijo triplo no metrô mas também conhecer gente amorosa, que dá beijinho e cheirinho a cada esquina. Paris é clássica e linda assim como seu povo. Deixei lá um pouquinho da minha música, tocando no mesmo bairro onde Picasso e Modigliani deixaram sua marca. Ficou uma saudade grande que só não era maior que a expectativa de encontrar com Gustavo em Dublin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora to aqui, vivendo em comunhão com Juliana, Gus e mais um casal que divide apartamente com eles, no qual tornaram-se também amigos de verdade. Adoro estar com eles e sinto uma vontade enorme de ficar. Sinto também que a roda gigante rodou no Brasil. Gente namorando, a banda mandando ver, a família, os amigos, tudo funcionando sem mim. Acho que isso é dor de cotovelo porque a viagem tá no fim e tenho medo de saber o que deixei de ganhar e mais ainda o que perdi. Mas esta é a vida, um parque de diversão cheio de emoções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7206130295041594052?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7206130295041594052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7206130295041594052' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7206130295041594052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7206130295041594052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/04/parque-de-diversoes.html' title='PARQUE DE DIVERSÕES'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-808096214264782115</id><published>2009-03-31T10:57:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T11:00:40.553-07:00</updated><title type='text'>O COLISEU E OS “ALEMÃO”</title><content type='html'>Sabia que gostava de espanhol mas não imaginava que iria aprender a me comunicar tão rápido. Porém, depois de quase 10 dias queimando a mufa pra aprender a cambiar, empezar, olvidar, e essas coisas complicadas, um espírito prático tomou conta de mim e, por ora, substituí a camaradagem de outros momentos pelo meu ipod. Estava esgotado e queria dedicar minha energia a tanta informação que a Itália me proporciona. Durante todo o dia conversei somente com brasileiro e uma vez ou outra em inglês, para o básico. Por sorte meus companheiros de quarto eram da terrinha e pude bater um bom papo antes de dormir. Eram 10 da manhã e o garoto aqui já estava de pé, com o lanche na mochila e cheio de energia. Tinha ido meio de qualquer jeito e quando vi a pinta do pessoal visitando os monumentos, fiquei até sem jeito. Eita povo charmoso, caceta. Todo mundo, até o cara do açougue, todo sujo, tem seu charme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci primeiro o Palatino, grande residência onde o imperador morava. Tinha ginásio, jardins, e abaixo o Circo Máximo, onde havia corridas de bigas e hoje só tem capim.&lt;br /&gt;Pude entender pouca coisa ou quase nada porque não encontrei muitas placas. Mas tá bom, fiquei imaginando como era suntuoso e bem feito, com colunas perfeitas esculpidas à partir de uma pedra e estátuas de mármore super delicadas. Putz, a bateria da câmera acabou. Tinha me preparado pra passar o dia na rua e nem pensar em andar os 5km que me separavam do hostel. Só para constar, esta é uma cam nova pois a minha quebrou na viagem. Encontrei uma por 90 euros e espero não ter estourado o cartão da minha mãe. Mas voltando ao assunto, este entretempo me fez perder uma hora e por isso decidir encarar o coliseu. Desta vez aluguei um audioguide, que é aquele telefonezinho que a pessoa fica escutando informações sobre o lugar. O primeiro impacto é assustador, parecido com entrar no maracanã pela arquibancada. A moça que falava no audioguide não estava falando espanhol como eu pedi e sim italiano, mas pra não ter que reivindicar meus direito em inglês com a organização do lugar decidi seguir adiante e tentar entender. Passei um bom tempo lembrando dos jogos de vídeo game e dos filmes que vi. Russel Crowe toda hora aparecia nas minhas lembranças e foi bem legal mesmo. Mas a primeira chuvinha oficial na Europa tinha que aparecer e veio varrendo tudo. Desci como pude, com ipod, audioguide, câmera e cachecol, tudo embolado. Quando a coisa amenizou voltei a ouvir a gravação do aparelhinho e a mulher que antes devia estar falando espanhol agora falava alemão. Caralho, pensei que tivesse entrado água da chuva ou algo parecido. Catuquei o troço mas ela não parava de falar alemão. Tive então que me arriscar com uma bonitinha em inglês, que pacientemente ensinou pro índio aqui como se mudava a linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram 18h e eu não queria sair de lá de dentro. Fiz de tudo e nunca achava que estavam boas as fotos. É um lugar realmente impressionante e tão imponente que chega a ser amendrontador. Acabei enxotado e decidi otimizar o tempo conhecendo coisas 0800, perto dali. Entrei por um beco, outro, outro e já estava quase na praça alguma coisa, que diziam ser bem legal. Parei pra descansar as pernas e experimentei a primeira coisa que realmente me impressionou gastronomicamente falando. Deus me livre e guarde, eu não sei porque italiano é conhecido pela pizza fazendo um sorvete tão gostoso. Nunca na vida, tinha tomado uma coisa assim e ainda tão em conta. Já estava com a máquina na mão pra fotografar a tal praça, que devia parecer com as tantas outras praças que já vi na Espanha, mas não foi bem isso que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham dois cavalos, sendo domados por dois homens fortes e acima deles um outro barbudo que nem ligava para as centenas de pessoas que estavam aos seus pés. A fontanna Di Trevi, surgiu como um oásis, toda branca, iluminada, uma visão celestial, parecia até que eu tinha visto o papai Noel. Como já imaginava fiquei com os olhos cheios d´água, não só pela beleza do lugar, mas por lembrar que a menos de dois anos esta era uma foto que eu via em preto e branco no meu livro e tinha muitas dúvidas se conseguiria chegar aqui. Chorei sim, mas foi só um pouco, porque tinha muita gente e tive que disputar a tapa um lugar pra sair na foto. Uma mocinha simpática que mora em Milão me ajudou e fomos comparsas por dois segundos. Vi que depois de dois dias sem falar em espanhol ele já estava um pouco arranhando o que me preocupa. Esta é a minha língua oficial na Europa. Como disse uma brazuca no coliseu, o português morreu para o mundo. Mas sim, joguei a moedinha, mais de uma, porque esqueci de gravar o momento. Dizem que a moeda garante que a pessoa volte a fonte, no meu caso, posso até levar acompanhante. A volta foi longa pois me perdi e perdi o mapa e acabei encontrando o Phanteon. Sombrio, com portas de ferro gigantes, deu medo. Tirei uma fotos mas volto amanhã com mais calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase uma semana, entre ressacas no mar e no bar, finalmente fiz contato com a família e sei que tá tudo bem. Minha afilhada cabeçuda ligou meu videogame sozinha, Graça espera uma ligação minha e a banda truque arranha no reggae. Sinto a energia renovada e pronto pra subir mais um pouco no mapa. Florença, Lugano, Veneza...o que será que me espera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, impossível não agradecer os comentários tão queridos e carinhosos que as pessoas têm deixado pra mim e ainda os emails que recebo.Valeu pela força rapaziada...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-808096214264782115?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/808096214264782115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=808096214264782115' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/808096214264782115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/808096214264782115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/o-coliseu-e-os-alemao-sabia-que-gostava.html' title='O COLISEU E OS “ALEMÃO”'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-587423578618151647</id><published>2009-03-29T15:03:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T15:24:46.502-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-f3646f00f1d13298" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" 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O sol engana muito e como não tenho relógio vivo assim, no susto. Mas o pior foi o que ouvi da mulher no guichê: “O navio só sai às 5h da manhã e pelo visto aqui já venderam sua passagem. Se tiver algum problema você se resolve com a polícia.”Preparado para acampar no saguão, fiz um pequeno espaço onde poderia colocar minha vida em ordem depois de 5 dias frenéticos. Fazia tempo que não escrevia e teria paz. Teria. Uma Argentina (eles me perseguem) me fez companhia, contando toda a sua vida e dividindo comigo aquelas horas frias. No dia anterior havia colocado a roupa pra lavar e esqueci meias e cuecas, por isso tinha pensado em criar o bicho solto mas nunca poderia imaginar o quão sofreria com isso. Pra completar o saguão foi invadido por centena de crianças e adolescentes, chatos em todo lugar do mundo. O caos estava formado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O navio era lindo, como estes que os pobres de campo grande pagam pra ir até a Bahia e gastam uma fortuna, aqui custou 60 euros. Fiquei melhor que a hermana que preferiu poltronas mais baratas. Um banho digno, uma toalha limpa e ficamos na espera da porra zarpar. Mas era uma zona tão grande que desistimos e fomos dormir. Acordei com tudo chacoalhando, mas não era o barco. Os olhos doíam, a cabeça também e a tontura me fazia andar escorado. Me fiz de desentendido e dormi o quanto pude. Perdi almoço e tudo e nada do mal estar passar. Pra todos eu estava mareado e passei a acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dois dias torturantes no navio onde eu não tinha mais paciência pra falar espanhol e acabei maltratando a bichinha. Coitada. Nascida em Buenos Aires, ela vive em Sevilla e estava fazendo uma viagem pra encontrar a família dela no sul da Itália pra conseguir o visto. Estava ilegal e estava um pouco sofrida, ainda mais depois de tantas horas sem um banho, com a mesma roupa. Mas foda-se, eu doente do jeito que estava não podia cuidar de outra pessoa. Foi quando as coisas começaram a piorar pois descobrimos que não haveria transporte para Roma. Dormir do caminhão de um Húngaro que fiz amizade ou ir para estação de trem?Eu passei horas em dúvida até mirar aqueles olhos que já havia visto mas não tão de perto. Paula era brasileira e estava se chegando em um italiano com pinta de drogado quando falamos. Tínhamos tanta coisa em comum que a noite ficou pequena. Lenine, profissão, destino das viagens, tudo igual. Queria ficar mais com ela, tanto que pensei em ir para o monte Vesúvio, ou seja lá onde ela fosse. Mas o frio na bunda, na canela sem meia, tonto, com dor de cabeça e uma Argentina a tira-colo me excluiu de qualquer possibilidade e assistir quando o italiano roubou um beijo e ela se foi. Mais uma paixão de bolso pra guardar no coração.&lt;br /&gt;Agora estou na cama do hostel. Tem um casal de brasileiros na minha frente e duas gringas que estão se arrumando pra dormir. Na cama de cima da minha uma portuguesa gostosa foi pra night e eu preferi ficar quietinho. Foram 30 pratas de remédio pro fígado, que não era enjôo do mar porra nenhuma e mais 10 de comida. Vi o coliseu de noite e participei de um evento em favor da água no planeta, onde o Totti, jogador italiano era o padrinho. Aqui em Roma é caótico, com carro furando o sinal, mas também é encantador, com gente mais espontânea e muito mais bonita que na Espanha. Fui encarado por algumas italianas mas sinceramente acredito que esta minha cara de doente não está fazendo nenhum sucesso. Ou será que elas já descobriram que eu não to usando cueca?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-724357428332327566?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/724357428332327566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=724357428332327566' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/724357428332327566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/724357428332327566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/tormentas.html' title='TORMENTAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6308027593536484923</id><published>2009-03-29T14:38:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T14:40:37.752-07:00</updated><title type='text'>BARCELONA</title><content type='html'>BARCELONA – AS PESSOAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barcelona é um lugar onde gente nova não é novidade. Todos os dias as Ramblas são invadidas por grupos enormes de turista. A mudança de gente no hostel também é algo que impressiona. Conheci poucos moradores que nasceram lá, pois em sua maioria, mudaram-se depois. O dia-a-dia da cidade é diferente e parece um pouco com o Rio, sem favela e gente feia. Todos os dias artistas de rua se apresentam por todos os lugares. Muito tradicional são os artistas fantasiados como estátua viva em busca de um troco. Tem macaco, gárgula, fadas, gente sentada no pinico, múmia vampiro, pra todo tipo. São criativos e levam o trabalho a sério, com horário marcado e respeito ao colega ao lado. Estava hospedado tão perto desta via principal que todos os dias os encontrava, muitas vezes conversando em rodinha, o que era muito engraçado.&lt;br /&gt;Fora isso Barcelona inspira a moda. Cada um tem um particularidade pra mostrar. Comprei pra mim um camisa de brechó e um óculos colorido e fiquei todo bobo. Mas queria tanta coisa que a mochila não daria pra trazer. Vi gente de trança, suja, limpa, com gel e sem, enfim, é uma cidade que você pode ousar nas roupas e acessório.&lt;br /&gt;Também é um lugar que aceita bem as diferenças, com negros, indianos e brasileiros pra todo lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARCELONA – OS AMIGOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROBERT- Inglês figuraça que veio tentar a vida na cidade. Muito amigo, tagarela e brincalhão. Não era muito fã de banho e já encontrei um pão com queijo embaixo da cueca sobre a cama. Foi essencial para os meus primeiros dias e ensinei pra ela a expressão “GET OUT STAGE”, ou desce do palco, pra uma mulher metida a besta.&lt;br /&gt;JUAN – Argentino que conheci em Segóvia e que se hospedou também no Kabul. Me ensinou tudo que aprendi sobre espanhol até agora. Paciente, leal e bem novinho. Foi meu companheiro em pontos turísticos. Não se dava bem com mapas e era normal andarmos em círculos. Nós três (com Robert) andávamos juntos boa parte do tempo.&lt;br /&gt;BRASILEIRAS – Moravam em Porto mas estavam passeando de férias. A carioca era mais sagaz, tanto que saiu com o inglês, e a outra mais quietinha. Eram conhecidas de um brasileiro meio barro meio tijolo que foi minha companhia na primeira night catalã.&lt;br /&gt;FRANCESES – Eram três mas apenas um era nosso amigo de verdade. Dizíamos que devia ter sido mendigo e agora estava bem de tanta felicidade. Sem tempo ruim. Fala um inglês tão certinho e pausado que até eu entendia o contexto. Pagava bebida, tomava iniciativa e estava sempre dizendo algo como MAKEMAMÁ. Um elogio pra mulherada, imagino eu. Os dois amigos dele diziam que eram muçulmano ou uma porra assim, mas andavam abraçados demais pro meu gosto.&lt;br /&gt;FRANCESA – Aruuuiiii. Era assim que me chamava. Voava de paraglaide em todo lugar do mundo e tinha ido a Barca pra isso também. Dançava salsa e dançamos com o ipod no ouvido no último dia. Era gata e gente boa. Dizem que saiu com o colombiano que mal pude zoar dizendo que um brasileiro, um argentino e um boliviano no mesmo lugar era quadrilha. Me deu o contato pra encontrá-la na França.&lt;br /&gt;MEXICANA – Figuraça. Namorada de uma pessoa importante no México que achou que era importante ela conhecer o mundo e deu uma viagem pra ela de seis meses por aí. Gostava de sair com a gente pra night e dançava e tirava fotos muito engraçadas. Elogiou meu espanhol e sempre muito atenciosa com o grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARCELONA – O LUGAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barcelona não seria nada sem as pessoas que vivem e passam por lá. Gaudi deu uma boa ajuda, colorindo e enchendo de traços incertos prédios, igrejas e parque. A Sagrada Família tem que ser vista sem ter que ouvir repetidas vezes que ta tudo em obra. Óbvio, a obra final termina em 20020. Parque Guell é muito lindinho, trabalhado com pedras, rochas, pedrinhas e azulejo. Um lugar pra namorar, tirar fotos e ver a vista da cidade. O Draco, dragão que eu tanto queria ver é menor do que eu imaginava, mas tem seu encanto também.&lt;br /&gt;As ramblas, que parecem o calçadão de campo grande com muitos artistas e um mercado São Brás que se chama Boqueria. As praias são simpáticas, assim como os gramados que sempre tem um monte de gringo se esticando no sol. A night ficou devendo um pouco também, com atividades tão comuns e mornas como os outros lugares. 7, 8 reais uma cerveja desanima qualquer folião, ainda mais quando vê as dançarinas sob o balcão, com a bundinha triste e pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARCELONA – EU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barcelona é um oásis no meio de tantas cidades caóticas e cinzas. Me senti bem pra caralho na cidade. Dormi na praia e no gramado, assisti banda cubana, fui em todos os pontos turísticos e creio ter conhecido bem o espírito da cidade. Tive dificuldade com a língua mas aprendi que vai muito mais da boa vontade alheia. No final, numa mesma roda, eu falava espanhol, inglês e português, do meu jeito, e nos entendíamos e riamos todas as noites. Fiz os gringos brincarem de rolha, sambarem e em troca dancei salsa, aprendi espanhol melhor que imaginava e deixei pra trás a primeira cidade que eu penso um dia voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6308027593536484923?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6308027593536484923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6308027593536484923' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6308027593536484923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6308027593536484923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/barcelona.html' title='BARCELONA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1588159270890055547</id><published>2009-03-22T14:56:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T15:02:09.290-07:00</updated><title type='text'>EXILADO EM KABUL</title><content type='html'>Tudo que escrever agora caberá dento de 10 minutos. Este è o tempo que tenho aqui no aalbuergue que se chama Kabul. Tambèm náo tem tomadas e o chuveiro  a luz e o diabo a quatro tem tempo pra usar. È um dos melhores albergues do mundo e um dos mais economicos tambèm. A viagem pra Barcelona teve muita expectativa. Assisti antes o filme do Almodòvar pra tirar onda com meus amigos cultos do Brasil. AVISO: O filme è fraco. Porèm depois de uma noite táo morna assitir um fillme em espanhol me despertou muitos sentimentos e fiquei muito feliz com a minha capacidade de entender espanhol. Estou aqui em Barcelona fazem 3 dias e o tempo voa. Barcelona è o Rio de Janeiro que deu certo e as Ramblas, ruas principais parece o calçadáo de campo grande com direito ao mercadáo sáo bràs que aqui se chama Boqueria. No primeiro dia foi um inferno porque nao sabia falar nada direito e nao tinha amigos mas agora por exemplo, vou jogar buraco com 3 brasileiros, uma mexicana, um argentino e um ingles. Divido quarto com gente do mundo inteiro e aqui em volta tem muita gente. Chata ou bonita.&lt;br /&gt;Tenho que ir...doi minutos.....ai ai i&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;volto a falar do navio rumo a roma...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1588159270890055547?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1588159270890055547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1588159270890055547' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1588159270890055547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1588159270890055547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/exilado-em-kabul.html' title='EXILADO EM KABUL'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6124208921068527322</id><published>2009-03-17T18:18:00.000-07:00</published><updated>2009-03-17T18:19:20.126-07:00</updated><title type='text'>ACHADOS E PERDIDOS</title><content type='html'>Neste exato momento estou na minha beliche, com quatro franceses a minha volta dormindo, no quarto que eu tanto paquerava na Internet pelas fotos. Já estou em Madrid faz um pouco mais de 24horas e ainda estou aprendendo a me adaptar a nova vida de viajante. De fato, é agora que tudo começa. Gostaria de contar as coisas engraçadas que aconteceram logo de cara mas tenho usado o blog como descarga emocional e não poderia negar a deprê que bateu ontem e hoje. A gripe, somada com a conversa inesperada com minha mãe pela net e o isolamento que uma língua diferente nos impõe me deixou com os pneus arriados. Preciso beber pra esquecer meus problemas como tinha dito. Sabia deste choque e comprei a briga. Agora agüenta, negão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha sorte este é o hostel que mais tem brasileiros trabalhando. Sulista, paulista e um de inhoaíba. Ele achou normal e eu ri pra caralho. Encontrar neguinho de inhoaíba só podia ser aqui mesmo. A comparação com são Paulo é inevitável. Suja, bagunçada, cheia de ruas iguais e atrações sem graça. Em compensação uma noite pulsante, com gay, putas, punks, roqueiros, clubbers e tudo mais. Por falar nisso hoje é dia de São Patrício, aquele que protege os bebuns, e a galera já começou a se animar. Amanhã é feriado em Madrid e vou me arriscar nestas nights loucas da capital espanhola. Por enquanto durmo cedo, tomo vitamina e tento me recuperar desta porra de coriza que peguei em cascais, lugar lindo por sinal, que voltei a visitar com meu amigo Marcelo e sua namorada. Nos embrenhamos pelas pedras, escorregando em um puta penhasco e fiquei horas no vento, crente que era um lisboeta, só de bermudinha e camisa. Deu no que deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da dor no corpo, amanheci animado, quase sem dormi ontem, feliz e preocupado com a entrada na Espanha. Os caras são super cricris e pedem tudo que é documento. Mesmo assim manda uma cacetada de brasileiros pra casa. Tinha que dar pinta de turista, esta era a dica do meu guia. Fui com a camisa do mengão, calça marrom, afinal turista sempre tem mal gosto e, pra completar, meti um chapéu comprado no china. Tava completa fantasia. Agüentei um aeroporto cheio de gente bonita, com porte e elegância, me encolhendo entre o livro e a cadeira. Desta vez pelo menos dei sorte e fui na janelinha. Vi umas plantações redondas, que se chama rotação de cultura mas parece um gráfico do do Excel e também vi uma coisa linda de longe:neve. Eita porra, vi neve lá longe, cobrindo feito um lençol branco o pico das montanhas. Mas a preocupação era grande e fiquei tentando imaginar o que o fiscal me perguntaria: Por que 2 meses?Cade o dinheiro?Por que você não torce pro Real Madrid?Desci com os documentos na mão, junto com o guia, a mochila de bordo e a água, parecia um sigano. Fui, fui, fui e..caralho, já passei. O vôo é regional e não precisa de controle de imigração. No meu ipod o mano chao cantava “Mano negra, clandestino, nigeriano clandestino..”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de colocar as malas no hostel dei uma volta na cidade. Queria muito ver a puerta de sol, o marco zero da Espanha. Rodei pra caramba e nem acreditei quando guarda me disse o que era. Um largo em obra, com gente pra todo lado, muitas lojas e nada. O urso comendo a frutinha, símbolo da cidade, achei bem depois, no meio daquelas vacas pintadas que todo mundo acha legal e eu acho nada demais. Comecei a implicar com a cidade e sua gente. Tudo que eu via era previsível ou decepcionante. Melhor dormir. Quem disse?Malandrão acostumado a andar naquelas cidadezinhas de Lisboa saí sem mapa e me perdi. Mas não foi pouco não. Lembro me da hora que entrei pela grande via e depois de dar uma enorme volta saí nela novamente. Aqui em Madrid não tem quarteirão. As ruas são diagonais e como tudo é parecido me fudi de vez. Quando a coisa ficou feia fui perguntar a um china que me ignorou completamente. Cheguei no quarto tão cansado e puto que nem falei com ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi diferente. Pra começar que tomei café da manhã e me arrisquei no Buenos dias com dois ou três que não responderam. É foda ser um analfabeto e mudo porque se não houver muita boa vontade do outro lado a conversa não rende. Fui pra rua me sentindo melhor, com o sol ainda se espreguiçando no céu. Com o mapa na mão varri pontos interessantes e mudei um pouquinho minha opinião. A beleza de Madrid está dentro dos lugares, com obras fantásticas nos museus. Fui ao Museu do Prado, onde havia uma exposição sobre deuses gregos em mármore branco. Fui sendo absorvido por tudo que diziam, impressionado com as datas e conservação. Estava tão compenetrado que me peguei cheio de tesão na Afrodite e daí pra frente a coisa ficou feia. Quadros com mulheres de peito de fora, bacanal rolando e realmente a coisa ficou feia. Estando nestes tantos dias sem colocar a máquina pra funcionar eu já to beliscando mármore e azulejo.  Vi alguns pintores que gosto, como El Grego e descobri tantos outros que nem sequer conhecia. Mas perdi o quadro “As meninas’ de Velásquez, pois o museu fechou antes. Já havia visto no Rio e nem gosto muito dele, que era pela saco dos reis e se especializou em pintar as personalidades da côrte. O resto foi ladeira acima, virando o mapa até chegar aqui onde estou pra enfrentar um quarto solitário novamente. Opa, “habla español?”Non..”and you, speak english?”Im not...sorry..a francesa linda colocou seu shortinho cinza e adormeceu lendo um livro grosso me deixando aqui, in the dark.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6124208921068527322?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6124208921068527322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6124208921068527322' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6124208921068527322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6124208921068527322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/achados-e-perdidos.html' title='ACHADOS E PERDIDOS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5258457208522486528</id><published>2009-03-15T17:50:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:51:15.454-07:00</updated><title type='text'>SENTIMENTOS EM SANTIAGO</title><content type='html'>Uma cidade avisa pra você a hora que você tem que partir. Foi assim em Porto quando acordei e acertei as contas com o portuga mal humorado da pensão. Com uma informação cheguei até uma estação de autocarro prestes a realizar um sonho. Comi uma francezinha, prato típico da cidade e me mandei. Acordei e olhei na placa uma propaganda “Queres un coche?”. Caralho, pela primeira vez eu estava na Espanha. &lt;br /&gt;Como brasileiro tem em todo lugar encontrei um casal aventureiro simpáticos e bonitos na mesma condução que eu. Tive que dar uma zoada por ele estar com a camisa do grêmio e me arrisquei “Bonita a camisa do Boca Juniors”.Ufa, ainda bem que ele riu.&lt;br /&gt;Chegamos em Santiago de Compostela e fui surpreendido por uma cidadezinha dinâmica, agitada. Porra, sempre imaginei santiago uma espécie de mosteiro a céu aberto onde deveriam ter umas velhas te olhando pela fresta da janela. Nada disso. Parecia o centro de Caxias, muito mais bonito claro, com muitos prédios novos e ruas iluminadas. Fui até a porta do hotel que meus novos amigos sulistas estavam e perguntei sobre albergue ou algo assim. A moça não entendeu nada do meu espanhol que tanto treinei enquanto cagava antes de viajar. O curso de 3 meses do yes deve ter sido de espanhol  de algum outro lugar, não este aqui.  Bateu uma pane quando a moça disse que não tinhas estas acomodações ali, só foda da cidade. Eu estava 3 dias sem tomar banho, dormindo mal, comendo sardinha e não merecia ficar ao relento. Minha mochila só haviam duas mudas de roupa que já estavam suja e tudo que eu trouxe, inclusive o saco de dormir, estava em Lisboa. Mesmo assim acredito nos santos que me protegem, nas orações que a Graça e minha avó terezinha fazem por mim além da minha tia vânia que deve ter orado também por mim. Enchi o peito de ar e o cú na mão e saí por aquelas ruas do bairro velho, que são bem apertadinhas, pronto a perguntar ou pedir alguém que me desse abrigo. No mesmo ponto onde eu havia chegado encontrei uma placa de hostel. Fui disposto a tudo e fui recebido pelo sorriso mais bonito que vi na europa. Uma senhora, fofa, baixinha, com longos cabelos brancos. Um quarto foda, todo cuidado, televisão, cobertas extras, uma sacada com vista linda para a praça e as torres da catedral além de um banheiro todo cheio de babadinhos e sabonete: 20 euros. Comecei a fazer um video da minha alegria e comecei a chorar. Muito, muito. Não porque estava fedendo, mas porque parecia que eu tinha voltado pra casa, que havia alguém que gostava de mim. Pode parecer muito idiota pra quem lê essa porra agora mas talvez poucos saibam o que é estar do outro lado, com roupa suja, corpo sujo, sem transporte pra voltar, bancando tudo isso com seu próprio peito, sem platéia, sem gente pra me achar um coitadinho. Foi emocionante demais, acredite.  Quero fazer um adendo também para dizer que sonho em ter uma casa assim, com varanda e uma praça na frente o que contribuiu para o chororô…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sentimento que me permito em toda viagem é sair andando sem mapa e ser surpreendido por alguma coisa. Me sinto um esbravador quando dou de cara com um paredão medieval ou como uma ponte. Foi assim quando cheguei ao lado da catedral e pude admirar toda sua magnitude. Uma frente tão grande que era dificil enquadrar na foto. Toda iluminada, a catedral que recebe tantos peregrinos diariamente tem imponência e deixa muitas que vi no chinelo. Não fiquei ali muito tempo e preferi tomar uma cerveza em algum sítio. Na máquina de colocar músicas, mais relaxado mandei um portunhol agressivo e comecei a ser entendido. Depois descobri que na Galícia, região que me encontro, eles falam assim. Fiz amigos logo de primeira. Conheci duas moças lindas, uma publicitária inclusive além de Alfonso , um figuraça noivo da outra tica. Aprendi a comer pipas, semente de girassol com sal, separei briga do Alfonso, bebi e ri muito com a minha dificuldade de falar. O povo espanhol é muito diferente do português e muito parecido com o brasileiro. Fomos no mesmo dia a 3 bares e terminamos numa boate. Também dirigi o carro, ou coche, da galega , levei gente bebada em casa, fui cantado por uma coroa, me pagaram um monte de coisa, enfim, uma puta noitada que tem tudo a ver com aquela cidade viva, cheia de universitários como Porto e gente espontânea e festeira. Nem preciso dizer que tava tudo tão bem que acordei com a tia da pensão batendo na porta. Disse sim pra ela, vou ficar mais um dia aqui. Infelizmente um desencontro me fez não ver esta galera mais uma vez pois marcamos em um lugar e ninguém chegou no horário. Por isso o dia seguinte foi mais calmo. Tive tempo de visitar o tumulo onde supostamente está o santo que, diz a lenda,  foi decapitado pelos romanos e trazido la da casa do cacete até aqui. Também comprei coisinhas, como um emblema para costurar na mochila e um chaveiro. Deitei na frente da catredral, vi museus e mesmo naquela noite de novo aquele aviso que to aprendendo a conhecer cochichou no meu ouvido: tá na hora de voltar. Fiz a bolsa, pedi pra senhora me acordar e me mandei de volta para Lisboa que durou um dia inteiro dando muitas paradas, recordando o que passei e me planejando para uma aventura ainda maior. Daqui a 48 horas estarei na capital espanhola, Madrid.&lt;br /&gt;Hasta La vista, Baby&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: You can take one picture, please seu japa?thanks paulinha…&lt;br /&gt;Praça Galícia, Santiago de Compostela. Espanha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5258457208522486528?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5258457208522486528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5258457208522486528' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5258457208522486528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5258457208522486528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/sentimentos-em-santiago.html' title='SENTIMENTOS EM SANTIAGO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3192425169818791708</id><published>2009-03-15T17:46:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:48:20.125-07:00</updated><title type='text'>SEM DINHEIRO E SEM BANHO</title><content type='html'>Prestes a completar uma semana em Lisboa e já tendo conhecido os principais pontos turísticos da cidade, dei um até logo para o meu amigo e fui para o norte. No dia anterior havia abusado de gastar dinheiro pois além de precisar comprar um novo tênis (aquele outro filho da puta eu dei pro marcelo), almoçado bacalhau na rua e bebido em plena segunda no bar ouvindo fado vadio, também comprei uma parada que nunca tive e precisava aqui: um ipod. O bichinho me custou 139 euros , o que pode significar umas duas cidades ou umas cinco farras. Estava com a cabeça cheia de me cobrar mas precisava ouvir musica nas tantas horas pra lá e pra cá e o meu velho mp4 não resistiu ao vôo e quebrou de vez. O dia piorou quando perdi meu primeiro compromisso e dei adeus ao autocarro de 11h da manhã e com isso chegaria em Porto somente 18h. A viagem foi chata, com paisagem óbvia de mato para um lado e para o outro e um coroa português querendo ser amigo de além, falando pelos cotovelos. O que valeu mesmo foi ver, diante de nossos pés, uma cidade que parecia aquelas miniaturas feitas de caixa de fósforo. Porto brilhava ao sol e nós da janelinha fizemos um óóóóó uníssono.&lt;br /&gt;Desci de frente a torre dos Clérigos que é uma piroca como o obelisco de ipanema com milhares de anos. De frente a ele me indicavam um hostel baratinho afinal havia me prometido que iria compensar os exageros de grana na semana. “Tem este aqui de 20 euros, com casa de banho e vista para a rua”.”Mas não tenho este dinheiro todo moço””Então fica com este aqui por 15 euros.” Um quadradinho, com pia, cama, uma mesinha de cabeceira e uma cadeira. As cobertas velhas eram finas e a única janela tinha o tamanho e um palmo. Larguei tudo lá e saí vadio, sem mapa nem nada pelas ruas, sentindo o sabor de estar perdido em uma cidade que não é sua, cheia de coisas para descobrir. De cara o bondinho antigo quase me atropela e desce as ruas varado. Vou seguindo seus trilhos e as pequenas ruelas da “Invicta” são se mostrando pra mim. Flores nas janelas, roupas também, carros, jovens nas ruas, tudo funcionando em harmonia. Tudo isso até chegar a ribeira, local onde eu tinha uma imagem na cabeça e precisava vê-la. E foi lá, sob a ponte que encontrei aquele cais, com barcos antigos, cheios de barril, casarios coloridos, caves de carvões e tudo que sempre vemos de porto. O sol ia embora e fiz umas fotos meio abestalhado com o lugar. Convicto das economias fui ao mercado e mandei ver no pão, sardinha e vinho e tava tudo relativamente bem quando encontrei o banheiro. Era velho, mal iluminado, sem box, somente a banheira com o chuveirinho. Eita, fica pra amanhã.&lt;br /&gt;Depois de rodar e rodar pela ribeira e constatar que ali já foi point me mandei ladeira acima em direção a universidade, no piolho, mini bairro onde a rapaziada de porto mesmo entorna. Foi lá que conheci os tunas, que são rapazes que usam uma túnica e dão rote nos calouros. Nem precisa dizer que além de tocar com eles, dar trote no calouros também e ainda mandei uma: “Onde que compra uma roupa destas de harry potter?”Só eu ri. Mesmo assim fiz amigos ali e fui pra casa bêbado às 4h da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era pra eu ir embora mas não fui. Logo constatei que as pessoas em portugal se tornam mais abertas a diálogo conforme vamos subindo o país. Havia ficado com uma ótima impressão dali principalmente por muitos que encontrei. O pessoal da tuna me ofereceu até abrigo e uma vaga no ensaio com eles. Toquei “Veja bem, meu bem” do Los Hermanos e eles queriam gravar.  Por isso o segundo dia tinha tudo para ser fantástico e mesmo acordando às duas estava bem disposto. Subi ladeira pra cacete, vi porto de cima, de lado, de tudo que é jeito e deixei apenas as caves com os vinhos para depois. Havia neste meio tempo conhecido um carioca, que estava a atravessar a passadeira como eu e foi interpelado por mim. Me prometeu um tour pela frança, onde ele estuda. Eu estava indo encontrar mais três estudantes de Londres, paulistas, que também passeavam por ali. E foi com eles que inciei a night, sem tomar banho de novo porque não dava pra encarar aquela porra. Vimos o jogo do Porto contra o atlético de Madrid. Desde cedo os espanhóis enchiam o saco fazendo barulho pela cidade. E eles foram eliminados apesar do empate e joguinho mixuruca. Dali para uma festa do curso de direito lá na puta que pariu. Demos um trote no trem pois não pagamos e ficamos de olho caso viesse algum fiscal, também atravessamos o trilho andando e mijamos na rua, marginalidade total, que acabou com drinks de graça da portuguesa gordinha que sonhava conhecer o Brasil e trabalhava como garçonete na festa.  Depois de dormi no táxi com eles, fui descendo até meu hostel com a certeza que o melhor que a vista ou a paisagem do porto, são as pessoas que descobri ali.&lt;br /&gt;Cidade do Porto, Centro. Portugal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3192425169818791708?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3192425169818791708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3192425169818791708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3192425169818791708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3192425169818791708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/sem-dinheiro-e-sem-banho.html' title='SEM DINHEIRO E SEM BANHO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3164518597804334360</id><published>2009-03-15T17:04:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:44:15.621-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-d1f7983c89185a55" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" 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Uma ressaca infernal  que me deixou muito enjoado logo no dia que combinei com meu pacato amigo marcelo ir em óbidos. Estradas em ziguezague durante uma hora que me faziam lembrar o que eu tinha comido toda hora. Tivemos um domingo lindo, em família, pois a Miriam namorada dele, levou o irmão e a filha para passear. Coitada das crianças vendo o tio ali, feito um pato engasgado, acreditando que eu estava doente. Fui melhorando a  medida que as emoções iam acontecendo. Pela primeira vez vi uma hélice de energia eólica.  Enorme. Pensei no meu trabalho e tudo que estudei sobre energia renovável. Contei para as crianças que ali fazia frio porque tinham aqueles ventiladores ligados e elas acreditaram. (hahahah)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óbidos é Paraty dentro da muralha. A arquitetura colonial cercada por muros de todo canto onde nós andamos sobre elas de um lado pro outro. Tinha um festival do chocolate por lá e a cidade, sempre quieta, estava bem movimentada.  O soluço ia e vinha conforme eu tomava coca-cola. Diz Marcelo que é o frio e eu acredito em qualquer porra quando to doente. Como era uma viagem mais para o norte, resolvemos também ira a Batalha, esta sim uma grande surpresa. Um mosteiro enorme,com um grande calaveiro guardando sua praça nos esperava mais quentinha, com o sol animando as crianças andando de trotenete, ou patinete no Brasil. Lindo, bucólico. Dentro, o mesmo sentimento de paz e surpresa ao ver os claustros, parecidos com o do Mosteiro dos Geronimos. Tenho gostado do cara e das influencias manuelitas que acompanham estas igrejas. São grandes sim mas transmitem paz e não onipresença.&lt;br /&gt;Saí de lá com pena, levando o sol conosco e uma surpresa agradável, cheia de fotos com crianças que a esta hora já aprontavam comigo e zoneavam o silencio do mosteiro.&lt;br /&gt;Terminamos o dia em Fátima que é bacana e tal mas não se compara a cidade anterior. Vimos alguns romeiros chegando de mãos dadas cantando, descendo o pátio emocionados. Foi bonito. Lembrei da minha avó, primeira comunhão e comprei o primeiro presente pra ela. Já avisei ao povo que estou indo de mochila portanto não serei aquele sujeito que chega cheio de muambas, tenha certeza. Decidi por um terço que tem um eterno perfume das rosas, dois escapulários, um pra Graça também que me deu este que estou usando, e uma fitinha que vou amarrar na minha mochila. Depois desta via crucis cansativa mas extremamente reveladora e feliz na presença deste amigos que me aturam segurando vela e pedindo pra ir aqui e ali, terminando a noite de uma maneira tradicional: fomos ao mc donald´s. O que mais você pensou, ora pois?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3384312124154091350?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3384312124154091350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3384312124154091350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3384312124154091350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3384312124154091350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/tamanho-familia.html' title='TAMANHO FAMILIA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5853193523058049621</id><published>2009-03-08T17:14:00.000-07:00</published><updated>2009-03-08T17:18:53.794-07:00</updated><title type='text'>PRICELESS. OUR NOT.</title><content type='html'>Aqui em São Marcos sempre ando de comboio mas acabo indo para Lisboa com suas ruas fantásticas. Mas hoje não. Peguei o rumo inverso e saí para Sintra, um bairro próximo. Na encosta da montanha, logo que vi uma enorme fortaleza de pedras logo teria que andar pra cacete. Mas desta vez fui facilitado por trenzinhos que, apesar de estar gastando uns euros. Valem a pena. Cheguei ao Castelos do Mouros, aqueles árabes que moravam aqui antes da tomada de portugal. O bicho é enorme, alto pra burro, com aqueles pátios enormes que a gente só vê em videogame. Sozinho fui cruzando com gente  do mundo todo e mais disposto a trocar informações uma vez que irei em breve pra espanha. “You can…can…picture…”caralho, até agora não sei como se pede pra alguém bater uma foto pra mim. Fui no gesto e na boa vontade mesmo e deu certo. Além disso fiquei craque no timer da máquina o que facilita bastante. Subindo aquela porra toda  me deu um aperto no coração novamente, como todos os dias, por não ter uma pessoa querida por perto mas tenho feito algo que resulta muito. Cada vez que penso em alguém, específicamente, faço um video como se estivesse falando com ela. É a maneira eficiente de não se sentir só. Depois do castelo subi mais um pouco até chegar no palácio da pena, ou algo assim. Se um era imponente por suas paredes de pedra, que são anteriores até que os romanos, este é inesquecível pela delicadeza. Casa que a família real vinha quando enchia o saco de lisboa, o interior que não pude fotografar era cheio de bibelô, muito parecido com o que a gente entende como a casa da avó só que em tamanho GG. Vi, bem na subida, três meninas, uma bonita, uma engraçada e a outra delicada. Foram gentis tirando minha foto e depois me acompanharam o tur. Impossível não rolar uma conversa. Vieram de braga, uma espécie de campo grande de portugal. O papo rendeu uma pizza, uma viagem de trem e acabou na night fervente lusitana, nas docas, debaixo da ponte vasco da gama. Ah, boate aqui é coisa de puta, fomos a uma discoteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem diferente do Rio, aqui elas são menores e servem drink verpertinos de graça. Em compensação, 3,50 euros uma mini tulipa de cerveja. Comprei uns canecões porque sou turista e tava pouco me fudendo pra quem olhasse e dancei pra cacete. Umas mulheres sobem nas mesas e dançam com uma bundinha  de codorna virada pra gente. Depois é a vez de um viadão paneleiro fazer a performance.  O  clima lá dentro é esquisito: ninguém chega em ninguém, o povo fuma pra caralho e não bebe. O oposto da guerra que é o west show. Por falar nisso tocou “cidade de deus é ruim de invadir…”Vê se pode…  As meninas de Braga, animadas no ponto certo garantiram uma noite feliz até decidirem partir umas 3h.Adeus queridas, nos vemos em Porto.  Eu já tinha bebido tudo que vi pela frente, conhecido gente, entrado em boate de graça e o quando me peguei totalmente bebado, sem ninguém e…com soluço…porra, nunca tive isso e agora o soluço não passava. Comi, comi e nada. Entrei no taxi que me deixou na praça porque iria cobrar caro. Foi pior: deu vontade de mijar também.&lt;br /&gt;Andei para um lado e outro. Nada de banheiro. Lembrei do meu amigo Ian que já mijou no colisseu e mandei uma regada na árvore bem na praça dos restauradores, todo feliz. Peguei outro taxi e fiquei sóbrio quando fiz a conta de uma nightzinha qualquer: 200 reais. Não tem preço?é ruim hein mané...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5853193523058049621?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5853193523058049621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5853193523058049621' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5853193523058049621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5853193523058049621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/priceless-our-not.html' title='PRICELESS. OUR NOT.'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7600341896593160975</id><published>2009-03-06T19:06:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T19:07:00.197-08:00</updated><title type='text'>ALTOS E BAIXOS</title><content type='html'>O Zé Carioca, piriquito do Marcelo não entendeu nada. Olhei pra ele, dei bom-dia, horas depois voltei e dei boa tarde. Com os pés ainda ardendo em bolha e o quarto quentinho, silencioso e escuro foi impossível ter disposição para enfrentar a ventania e o tempo mal humorado que estava lá fora. Perdi o encontro com uma grande e nova amiga mas como uma boa carioca ela vai relevar. Pago um chopp depois moça…Mas exagerei e levantei pelas 16h. Bateu uma cobrança de estar dormindo e perdendo um dia de europa e lá fui eu correndo, querendo ganhar o mundo, sem desperdiçar uma gota. Ia para Sintra mas como estava com o cartão de transportes que valia somente para lisboa resolvi subir o monte e chegar ao castelo de são jorge, que desde a minha chegada, me olhava de rabo de olho lá de cima. De fato uma vista fantástica, ideal para namorar, beijar na boca, mas como estavamos só eu e minha mochila, segui adiante, explorando seus labirintos de paredões e torres. Mais um lindo lugar nesta terra que estou aprendendo a gostar cada dia mais.&lt;br /&gt;Na saída dois casais brasileiros fazendo pose de turista me pediram para tirar umas fotos. “É brasileiro?Carioca?Torce pro mengão?Então senta aí…”Cardiologistas que vieram pra um congresso  e estavam aproveitando um tempo vago. Foi bom para pegar dicas precisosas sobre Paris e Roma ealém do incentivo a apertar um baseado em amsterdam. “Bicho, come também um bolo que eles fazem lá. Mais vai devagar que o efeito é lento e prolongado”. Papo bom demais que levou o sol embora e trouxe uma noite gelada. Como me sobrava gás desci até a a esplanada da figueira, vi uns livros usados, experimentei o mal humor típicos dos lusitanos e resolvi voltar ao bairro alto, onde deveria ter aquela hora algum movimento. Antes, fui surpreendido por uma esquina muito cheia com pessoas bebendo na rua, igual ao Rio. Tomavam uma cachacinha, como uma catuaba, feita pelo próprio dono do bar. Uma só já deu o grau e subi de carreira por trás do elevador de santa justa, que prometi nunca mais pagar por ele. Chegando no largo de Camões tentei encontrar o Fernando Pessoa, ou melhor, a estátuta dele que tantos falam. Ela esta na frente do café brasileira. Rodei muito, fui e voltei e a porra do café nem dava sinal. Rodei tanto que entrei no bairro alto e comecei a ver uns bares onde possivelmente mais tarde vai rolar um pancadão. Tava com muita vontade de mijar mas muitos hábitos brasileiros aqui não colam e fazer isso na rua é um deles. Então dei de cara com um botecão onde estava escrito FADO VADIO. Na hora me lembrei dos cães vadios, um grupo de vagabundos adolescentes que eu era componentes. Grandes caras, se estivessem aqui talvez fôssemos presos por baderna ou algo assim. Lá dentro uma brasileira, da minha idade servia os velhos beberrões. O bar era estilo boteco mesmo, mas no meio de tanta coisa chique tinha seu charme. Mijei, bebi umas duas cervejas e desci a ladeira para ir embora. Já estava contente com o rendimento do meu dia mas adivinhe quem fez psiu pra mim?O próprio Fernandinho…nunca li nada dele porque todo pseudointelectual o cita como Deus. Isso me afasta. Deve ser por isso que ele nem sorriu pra foto. Foda-se também. Eu vou pra casa e ele vai passar a noite ali sentado. Amanhã vou para Sintra…ou para o oceanário?Não existe destino melhor que a liberdade de escolhe-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Marcos, Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7600341896593160975?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7600341896593160975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7600341896593160975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7600341896593160975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7600341896593160975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/altos-e-baixos.html' title='ALTOS E BAIXOS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6005383412678629960</id><published>2009-03-05T17:45:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T18:00:26.153-08:00</updated><title type='text'>MILAGRE DE SÃO JERÔNIMO</title><content type='html'>Agorinha mesmo passou na passarela um brasileiro tremendo de frio, andando de meias pela rua com os sapatos  e um saco gigante nas mãos. Era eu. O filho da puta do tênis que custou 200 pratas arrebentou todo o meu pé e foi uma delícia andar com 8 graus na rua somente com as meias compradas no china. Cruzei com uma família de pretos (aqui tem muitos vindos da África), no momento que pequena fazia uma dança daquelas esquisitas na rua mas ninguém via porque ninguém chamava mais atenção que o manco aqui.&lt;br /&gt;O pé começou a doer eram 12h, quando eu havia acabado de desistir de andar adiante na rua da liberdade. Cheguei aos pés do Marquês de Pombal, grande cara que reconstruir Lisboa, e senti uma fisgada no calcanhar. Mas a vista de Lisboa era tão linda que deixei pra lá. Descendo preferir tomar um metro para fazer valer o investimento de 10 euros que tinha feito em um cartão e não havia usado. Nada. Nada de novo. Putz. O portuga me passou a perna.  Fui direto para a praça do comércio e me deparei com uma obra em volta de tudo. Putz de novo. Fiquei muito surpreso em ver que o César Maia veio parar aqui. Não me restou alternativa. Depois de comer uns sanduíches feito em casa que tive que dividir com as gaivotas barulhentas na beira do Tejo, peguei um comboio (ônibus) para Belém até agora, o lugar que mais me impressionou.&lt;br /&gt;Tenho fascínio pelo descobrimento do Brasil e não pude conter a emoção ao ver o monumento em homenagem ao descobrimento. Sempre que via nos livros imaginava algo do tamanho natural, sem-gracinha até. Mas foi ver o tamanho do pé do jesuíta ao  meu lado para ser tomado por um calafrio instantâneo. Estavam lá todos os personagens que habitavam minha imaginação nas aulas de história do Rosário, onde ainda contavam que os portugueses descobriram o Brasil por engano. Lindo mesmo. Pedi para um japa bater minha foto depois da dica preciosa da minha amiga chilena (“eles são ótimos com máquinas e sempre contam até três antes de bater”) e fiquei ali, parado feito um pau Brasil, contemplando com os olhos vibrantes aquele marco na minha viagem, depois do calo, claro.&lt;br /&gt;Atravessei o jardim, fiz umas fotos sozinho com o timer da máquina porque nenhum adolescente português se ofereceu a fazer e me arrastei para o museu da marinha onde teriam réplicas das naus. Senti falta dos playmobils que eu tinha pois eram tão pequenas que poderiam estar na piscina da minha casa. Frustrado entrei no mosteiro dos Jerônimos pedindo para o santo,  que é meio sinistro, ligado a xangô na macumbra, pra dar um jeito na dor que me tiraria do circuito tão cedo. E ele fez. Primeiro pela absoluta beleza que encontrei. Um pátio central, todo e completamente branco, com  um pequeno chafariz e gramado no centro. Tive a sensação que iria encontrar um unicórnio a qualquer momento de tão mágico. Era impossível não sentir paz naquele lugar, tanto que me sentei sozinho para observar cada detalhe do que chamam de ponto alto do período Manuelito. Mas o segundo motivo foi ainda melhor. Na saída, agradecendo ao São Jê pela força ouço algo tão familiar que olhei pra trás por impulso. Uma carioca!Legítima, da gema, da Gávea. Ia para o marco do descobrimento. Prometi levar desde que me fizesse companhia até a torre de belém. Fechadão, belezinha, maneiro, e tome gíria.&lt;br /&gt;Isabele é dona de um par de bilhas verdes, um senso de humor maravilhoso e cheia daquela ginga da galerinha do baixo. Dei sorte porque a gaja faz artes e tem muitas idéias para fotos. Falamos do mochilão, o dela terminando pra variar, do Rio, de Lisboa e foto vai e foto vem, já estávamos na torre de Belém, empuleirados no beiral fotografando o início do pôr do sol. Uma hora depois, no comboio, indo de volta a Lisboa, onde eu a apresentaria o resto que ela não viu, justo nesta hora, no meio de tanta gente diferente, com pretos falando seus dialetos e portugueses falando com dentes presos, lembrei de Supertramp e sua aventura no Alaska. “A felicidade só existe quando é compartilhada” escreveu ele antes de morrer. Ela ali de costas, intertida, hora ou outra virava-se pra mim, sacananeando pela grande distância percorrida, com tantos prédios de azulejos passando correndo, me bateu o coração, não por ela claro, mas pela vontade de estar com alguém que se ama.&lt;br /&gt;Fomos coroados com um céu absurdamente azul e muita gargalhada com a confusão da língua em momentos de informação(Você pagou este título no payshop?"O que?PetSohp?Não, nem tenho bicho de estimação"). Amanhã na frente do Mc Donald encontro Isabela novamente para ir ao Castelo de São Jorge, feliz pela amizade instantânea e pelos novos tênis que comprarei. Ah, sim, foi só ela ir embora para eu perceber que além dos calos também haviam duas grandes bolas na sola devido ao tanto tempo andando na ponta dos pés. Quando a família de pretos me viu chegar, cheio de sacos de compras com o tênis na mão, deveriam ter percebido que apesar de estar com meias no chão eu também estava com a cabeça nas nuvens.&lt;br /&gt;São Marcos, Portugal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6005383412678629960?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6005383412678629960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6005383412678629960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6005383412678629960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6005383412678629960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/milagre-de-sao-jeronimo.html' title='MILAGRE DE SÃO JERÔNIMO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2299144847402534281</id><published>2009-03-04T18:58:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T18:59:07.049-08:00</updated><title type='text'>PEQUENO E DELICIOSO</title><content type='html'>- Dorme porque tá um temporal lá fora.&lt;br /&gt;Nem foi preciso o Marcelo me falar de novo. Desde uma semana antes de viajar não dormia sossegado, hoje sim. Logo ao acordar me apaixonei pela primeira vez. O fiambre daqui é inesquecível. No Brasil se chama presunto mas nem dá pra comparar uma coisa e outra.&lt;br /&gt;Arrumadinho, cheirozinho, máquina na mão, dinheiro no bolso e escondido, mochila nas costas. Pronto para embarcar pela primeira vez sozinho mesmo em Lisboa. Nem foi preciso andar muito pra me embananar. Carreguei o cartão do metro achando que era do comboio (trem), não conseguia comprar nada na maquininha inteligente e ainda tentaram me assaltar…é isso mesmo. Pior , foi um portuga.  Cercou de um lado, pergunta de outro, mas carioca que sou dei um tapinha nas costas dele e disse simplesmente: valeu irmão!&lt;br /&gt;Fui direto para o Baixo Chiado em direção de um praça linda que tem ali. De longe, o Tejo emoldurava a cidade. Fiquei emocionado com aquilo tudo. No alto, o castelo também me observava. Me lembrei do abrigo nazareno e da caixa d´água em campo grande que sempre estiveram cercando minha casa. Deu vontade de rir sozinho. Fui andando meio sem rumo e logo vi em todo lugar os azulejos portugueses, a arquitetura que tanto temos referencia no Brasil, um mescla de novo e velho, letreiros digitais sob casarões milenares. Segui rumo ao rio imaginando ser aquele o caminho principal mas bastou andar 100 metros para tudo mudar de direção. Um elevador colossal, no meio de prédios, todo de ferro, lindo mesmo, estava com suas portas abertas e sua imponência me chamando. Caro pra dedéu, 3 euros, mas tudo que ele me reservou valeu muito mais que isso. &lt;br /&gt;Depois de muitas tentativas frustradas de tirar uma foto que enquadrasse o castelo de são jorge e a praça de rossio e eu, fui ajudado por um casal de gringos e assim começaram as trocas de máquina naquela torre de babel  do elevador. No meio destes tantos uma pequena me pediu para fotografar e em seguida emendamos um papo que terminou quase agora. Fomos percorrendo ruelas do Chiado e da baixa pombalina, entre escombros da igreja e praça de Luis de Camões conversando aliviadamente. Tinhamos os mesmos objetivos sendo que ela indo pra casa e eu chegando na europa. Impressionante como os latino americanos se identificam pelo cheiro. Mesmo com ela hablando seu espanhol legítimo e eu sem arriscar uma palavra que aprendi no cursinho nos demos bem, apesar de não encontrarmos  mais o elevador. Já estava satisfeito de ter conhecido Karin, a chilena, mas a Santa Providência move as peças sob esta cidade tão abençoada por santos, e logo em seguida nos encontramos com natália, sob o portal da cidade. A espanhola que falava mais rápido e não entendia bulufas do que eu dizia, mas riamos tanto juntos que me senti em um seriado americano cheio de claquetes rizonhas e sem graça. Paramos no chatô do Chapitô, lá na encosta do castelo, tomando uma breja local e provando uns tapas de bacalhau. Karin ia embora às 21h e fizemos sua despedida sob as luzes da cidade, mirando a ponte vasco da gama ao fundo. Natalia é de Salamanca e me ofereceu prontamente um pouso em sua casa. Prometi aparecer por lá. Assim, cheia de surpresas minha viagem vai ganhando aos poucos novas direções, cada vez mais interessantes. Acompanhei a chilena até seu ponto e nos despedimos como velhos amigos. Nesta hora a baixa já se silenciava, com ventos limpando suas ruas e levando consigo um dia pequeno e tão delicioso quanto fiambre português.&lt;br /&gt;São Marcos, Portugal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2299144847402534281?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2299144847402534281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2299144847402534281' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2299144847402534281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2299144847402534281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/pequeno-e-delicioso.html' title='PEQUENO E DELICIOSO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3691109525273212499</id><published>2009-03-03T18:52:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T18:54:05.436-08:00</updated><title type='text'>CAINDO A FICHA</title><content type='html'>Vi a Europa pela primeira vez  pela greta da janela do chinês ao lado, toda iluminada. Queria ter visto a África mas ele fechou nessa hora. A viagem foi boba, com um gringo de botas de esquiar do meu lado e o desenho da sininho na telinha. Já na fila de imigração foi diferente: a brasileirada toda junta. Muita puta, antes de mais nada. Com tatuagem no pescoço, Dolce &amp;amp; Gabanna na calcinha, tinha de tudo. Pra elas nada, pra mim uma porrada de perguntas. Cada vez que um oficial passava, era questionado.  Finalmente achei minha mochila com a bandeirinha do Brasil e também achei o Marcelo, meu amigo brasuca-portuga,  no portão de desembarque.&lt;br /&gt;A saída do aeroporto é como São Paulo, com direito a COBAL e tudo. Fomos direto para São Marcos onde este gajo mora e não via nada demais em lugar nenhum. Sangue frio pra conhecer tudo, inclusive a hospitalidade amável do meu amigo. Mais uma volta de reconhecimento pelo bairro onde trabalha e tudo era tão familiar que parecia um passeio pelo Jabour.&lt;br /&gt;Então posso voltar e te dizer tudo de novo: Vi a Europa pela primeira vez na Boca do Diabo, em cascais. Um enorme buraco no meio das rochas, milenares, onde o mar bate cansado sabendo que ali não tem vez. Vi gaivota, vi turista, vi um mar azul escuro absolutamente imponente. E tudo isso ficará na memória pra sempre. Aliás só nela porque as pilhas compradas aqui nem rolaram com a minha câmera. Nenhuma foto. Seguindo para o lugar onde A Europa é mais brasileira, pois o Cabo da Roca é a ponta do nariz do velho continente embicado pra nossas terras. Nada de foto. Porra, nem uma a máquina deixava.  Já eram horas sem dormir e tudo incomodava, principalmente minha cueca que, por estarem todas na mala, era frouxa e descia e subia dentro das calças. Só fui esquece-la depois da primeira cerveja no pub onde um gordo brasileiro meio chato comandava o videokê. Ali conheci mais gente que está tentando a vida como pode, vi a união desta galera, um misto de cadeia com BBB, e vi todos reclamando da crise, numa constante intermitente. Eu era o turista, meio sem sal no meio de tantos como eu que acabou cantando “exagerado” sem sucesso, recebendo palmas burocráticas. Deu saudade da minha banda, dos meus amigos e do colo quente. Mas amanhã novas expectativas: irei a lisboa, já troquei as pilhas e encontrarei muitos turistas mochileiros como eu. Ah, também abandonei a cueca em algum lugar e aderi a umas ceroulas quentinhas. Só assim o saco fica quente e não cheio.&lt;br /&gt;Bairro São Marcos,  Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3691109525273212499?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3691109525273212499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3691109525273212499' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3691109525273212499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3691109525273212499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/caindo-ficha.html' title='CAINDO A FICHA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3944634598174191597</id><published>2009-03-01T21:48:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T07:39:04.507-08:00</updated><title type='text'>CERTEZAS E SUAS ASAS</title><content type='html'>O preço alto de realizar um sonho é ter que deixar outros sonhos para trás. Aqui na garagem um carro velho me olha, cheio de poeira, querendo fugir feito cão sem dono. No coração, onde acontecia um baile de máscaras, só escuridão e saudades. O quarto, entulhado, cabe tudo que eu quero e só falta espaço pra mim mesmo. Restando 15h para embarcar a incerteza veio puxar meu pé esta noite. Mas agora já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia grossa, barbeador, presentinhos, camisa do mengão. Tudo socado no mochilão disforme que testo de hora em hora para saber se ultrapassei o limite de quilos exigido no aeroporto. Sei que o mais pesado disso tudo são meus medos, alguns tão íntimos que estão indo guardados no meio das cuecas, amassadinhos. Medo de ficar deprimido, de ser imaturo, de ser rejeitado, de não entender porra nenhuma que aquele grupo de romenos ta tentando me dizer. Um suburbano, criado por vó, cheio de manias e dengos, acaba de abrir mão da popularidade, das noites quentes, dos amassos nas ruas, da cerveja estupidamente gelada, para se aventurar no continente que manda de volta tantos outros suburbanos criados por vó, seja no controle da alfândega ou no destrato feito a povos pobres e ex-colonizados como nós. Ao mesmo tempo, a capacidade que cada lugar daquele tem de nos encantar faz de mim um apaixonado, um desbravador inconseqüente, capaz de se emocionar com os aquedutos de Segóvia, mesmo que eles me lembrem a Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acham que eu não vou voltar e me divirto com isso. Fizemos tantas despedidas que nem no meu enterro terão mais palavras dóceis. Ganhei presente, festinha, homenagem ao microfone, declarações contidas de amor. Não mereço nada disso, afinal ninguém sabe que no fundo do peito gostaria de congelar tudo ou fazer que chova 60 dias para que ninguém viva sem mim. Quero estar aqui a cada folha solta desta amendoeira que me observa pela janela. Meu monstro de estimação e o de tanta gente não admite que o tempo passe, a fila ande, enquanto não se está presente. E aquela paquera?E a música nova pra cantar no estúdio?E o título que ficou faltando para o Dia internacional da mulher?É difícil virar de costas, mesmo que por pouco tempo, para tudo que compõe quem sou eu. O jeito está sendo levar um pouquinho disso tudo comigo dando graças a Deus que no coração não tem limite de peso para despachar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desta terça cada amanhecer será cercado de lugares milenares, línguas esquisitas, manias inéditas, paladares surpreendentes. Experiências tão profundas e ao mesmo tempo tão particulares que ninguém no mundo será capaz de decifrar com tanta precisão. Talvez exista somente uma coisa mais importante que ir ao Parque Guel, fumar um baseado em Amsterdam, andar de bicicleta por Monmatre, ganhar uns euros trabalhando, ou tocar violão no pôr-do-sol do Tejo. Se um dia, brincando aos meus pés, meu filho questionar o quanto foi querido, direi a ele tudo que fiz por aí, e o provarei que nada no mundo é tão bonito e importante que sua existência na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é, sem dúvidas, uma viagem para eu encontrar certezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*Usarei, na medida do possível, este blog como diário de viagem, registrando minha passagem e as observações sobre os lugares. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3944634598174191597?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3944634598174191597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3944634598174191597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3944634598174191597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3944634598174191597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/03/certezas-e-suas-asas.html' title='CERTEZAS E SUAS ASAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6112136833253478795</id><published>2009-02-02T13:02:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T13:11:02.645-08:00</updated><title type='text'>CASA</title><content type='html'>Lembra você&lt;br /&gt;vestígios de nós dois&lt;br /&gt;respingam pelo chão&lt;br /&gt;centelhas e estilhaços&lt;br /&gt;farelos de pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem fome pra jantar&lt;br /&gt;receitas pra dormir&lt;br /&gt;a vida nega o todo&lt;br /&gt;cadê você aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra você&lt;br /&gt;rotinas que aprendi&lt;br /&gt;retratos que tirei&lt;br /&gt;a luz da sala acesa&lt;br /&gt;pra receber ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que se vá&lt;br /&gt;sem pressa de partir&lt;br /&gt;o mundo é perigoso&lt;br /&gt;me tranque ao sair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6112136833253478795?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6112136833253478795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6112136833253478795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6112136833253478795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6112136833253478795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2009/02/casa.html' title='CASA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2205483786947477279</id><published>2008-11-06T11:42:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T11:43:23.497-08:00</updated><title type='text'>CÃO CORAÇÃO</title><content type='html'>Todo coração tem dentro um cão&lt;br /&gt;Cérbero das vias coronárias&lt;br /&gt;Guardião das semanas solitárias&lt;br /&gt;Couro de besta, uivo de leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentes repousados sobre a presa&lt;br /&gt;Sangue temperando sua certeza&lt;br /&gt;Raiva transbordando a cada não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo coração é mesmo um cão.&lt;br /&gt;Bravo, destemido e corajoso.&lt;br /&gt;Fraco, covarde e melindroso&lt;br /&gt;faminto de qualquer motivação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leal, para quem o alimenta.&lt;br /&gt;Fatal, para quem o atormenta&lt;br /&gt;Igual para quem não tem paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo coração. Todo coração. Todo coração é cão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2205483786947477279?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2205483786947477279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2205483786947477279' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2205483786947477279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2205483786947477279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/11/co-corao.html' title='CÃO CORAÇÃO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5380974174303695707</id><published>2008-10-24T13:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T13:49:34.872-07:00</updated><title type='text'>12 VEZES</title><content type='html'>Minha vida caminha para os 30 anos como um navio fantasma sem timoneiro, chacoalhando em seu rumo certo e inevitável, enfrentando marés e corais. Dá saudade das calmarias de domingo à tarde, das férias intermináveis e das promessas de amor eterno cozidas em fogo brando. Tudo se tornou tão passageiro, pontual, provisório, transitivo, que tenho a impressão de estar decidindo o meu futuro com a mesma displicência dedicada as revistas semanais, folheadas ao acaso num salão de beleza.  Fazer aniversário me faz olhar para trás e remexer gavetas de bibelôs com poeira da mesma maneira que me força a tornar público e notório, inclusive para mim mesmo, o que devo fazer do próximo ano. Yo no hablo español, não conheci Lisboa, não paguei as contas da TIM, não cumpri metade de tudo que eu queria e ainda enchi a agenda de novas coisas que se entulham no aterro da memória, tornando meu salário mesquinho, apesar dos aumentos, e as realizações mais distantes.   Farei 28 anos sem nenhum novo curso de aperfeiçoamento, mas com a fama de cantor de padaria, sem nenhum grande relacionamento, mas com a agenda de telefone cheia sem lembrar o nome de ninguém. Entraram para o meu testamento músicas antigas que voltei a cantar, uma banda nova no mp3, duas doenças inéditas, uma paixão na correspondida, triglicerídeo acima da média, tatuagem nova, muitos litros de coca zero no sangue e mais um canal dentário.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ansiedade me acordou na quinta-feira com a latência dos filmes de terror de Hitcock. Meus parentes, agitados, vivem a expectativa da reforma de onde moro, financiada pela casa de praia recentemente vendida, sem dó nem piedade, calando os ecos de saudade que se escondiam nela. Foi aonde tive noções básicas do que é ter família e amigos e conviver em comunhão com estes seres tão parecidos comigo, dividindo a grade que se debruçava no pôr-do-sol da baía , os improvisos dos baldes embaixo das goteiras e fantasias de carnaval feitas de saco de carvão. Mudarei meu quarto para uma sala mais arejada, com saída independente, onde comportarei os tantos cacarecos eletrônicos adquiridos este ano; notícia que recebi com sorriso amarelo pois este tempo já passou. Quero uma casa, um bairro, um país só pra mim. Vejo, como o rastejar despretensioso de uma trepadeira, que a vida vai me libertando de coisas, descascando minha pele morta de jibóia para deixar tudo exposto a outras descobertas e aquisições. Assim como a casa de praia, a variant azul, os amigos de infância, o cheiro de café da fábrica demolida e a primeira bicicleta herdada do primo, um dia minha avó se vai, minha mãe e tias também, e precisarei ter amigos, mulher e filhos, para não terminar a vida sozinho, afogado por descuido no próprio vômito. Há 10 anos atrás não pensaria nisso. Mas se deixar passar mais 10 anos pode ser tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de protesto, inconformismo, o tudo pra dizer, vão se calando, sumindo como a chama de uma vela, deixando o breu, o nada, engolir tudo. Ficamos mais quietos, mais observadores e mais cansados de lutar por problemas cíclicos como a barriguinha de chopp e os candidatos populistas, heranças malditas de centena de gerações. É verdade que o tempo nos deixa egoísta substituindo a vontade de mudar o mundo pela necessidade de fazer da mediocridade da vida algo um pouco melhor. Conforto passa a ser um diferencial considerado tanto nas propostas bancárias quanto nos serviços delivery. Perto dos 30 ainda temos a imaturidade para lidar com o poder. Compramos pessoas e coisas e a distancia entre os pequenos sonhos e as realizações tornam tudo sem graça. Não esperamos mais até o natal para ter uma bicicleta nova, não toleramos mais que uma noite para transar, nem aguardamos meia hora depois do almoço para entrar na piscina. Somos donos do próprio nariz e temos aval para fazer qualquer merda e defender a tese com legitimidade. Penso nisso porque está chegando a hora de assoprar a velinha e não teria nada para pedir além de saúde e paz. A felicidade de comemorar o aniversário agora divido em 12x no cartão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5380974174303695707?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5380974174303695707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5380974174303695707' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5380974174303695707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5380974174303695707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/10/12-vezes.html' title='12 VEZES'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2892783582109178256</id><published>2008-09-18T07:51:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T07:58:28.397-07:00</updated><title type='text'>SENHOR ALGUÉM</title><content type='html'>Enquanto espero ser atendido, observo a praça na tentativa de encontrar um local discreto para me recostar e ler o jornal. Já sei que o atendimento vai demorar. Faz um frio fora de moda na cidade, deixando tudo cinza e desorganizado. Não se vê o Pão de Açúcar, a pedra da Gávea, não há passeio na orla, asa delta, samba na padaria. Tudo se encolhe. Tudo menos o pombo que pousou bem no ombro da estátua. Não sei qual é o personagem da história que ela representa e tenho vergonha de perguntar ao sapateiro, que sisma em costurar meu all star recém descolado. Parece algum membro da realeza, com muitos babados e pose burguesa. O pombo faceiro, no entanto, pouco se preocupa, esfrega o rabo no nariz do moço ali representado e logo aparece outro e outro em revoada. Uns quatro pássaros descansam agora sob seus ombros.&lt;br /&gt;Penso no escândalo deste nobre se o acontecido fosse real. “Ultrajante. Nefastos. Escória.”. Seria um chilique só. Os novos amigos penosos que antes rabiscavam o céu, nem ligam e displicentemente conversam entre si, animados talvez com algum aposentado caridoso e seu saquinho de pipoca. Logo tomam o rumo novamente deixando o Senhor Alguém – nome que o batizei – sozinho. Que inveja ele sentiu! Um sujeito que galgou o caminho da glória, pisou no tapete da fama ali, preso em bloco de cimento, ostentando o único título que tem: a plaqueta gasta de cobre. Acho que a fama tem este preço. Enrijece, congela, esfria os corações. O que será melhor: ser um pombo como tantos outros pombos e não ter fronteiras ou ser tão reconhecido e venerado a ponto de não poder se mover para lugar algum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ainda observava o vôo dos pássaros, um grupo de adolescentes se amontoou no banquinho aos seus pés. Eram bonitos, sadios e traziam mochilas e um violão velho cheio de adesivos. O jovem cabeludo que o empunha tinha a mesma empáfia do Senhor Alguém, tomando a atenção para si depois de dedilhar o solo clássico de uma banda americana.&lt;br /&gt;Alguns abraçados, outros distraídos escrevendo algo nas folhas de trás do caderno. Eram mágicos e poderosos como o circo que chega na cidade sem pedir licença. Os mais afoitos não demoram a descobrir meu novo amigo de lata. O imitam em pose, o patolam, ridicularizam suas calças largas e por final amarram sobre sua cabeça, fazendo uma alusão ao personagem do Rambo ou ao Renato Gaúcho, não sei bem, uma fita em sua testa. Não há quem dê limites para estes garotos grandes que vão dominar o mundo em breve, sendo médicos, advogados, políticos ou poetas. Vão embora cantando com tal alegria que deixam um rastro de inveja. Pois é Senhor Alguém, o reconhecimento não abre vagas para todos os amigos, em cima do seu monobloco só cabe você, por exemplo, por isso eles se vão, sem dó, buscar novos caminhos como uma manada de búfalos que nunca param.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho de volta para o escritório devagar, rodeando as grades verde-musgo da praça. Ainda dá tempo de assistir ao passeio da babá que leva todos os dias o menino e o cão para passear. O poddle, alvo e exuberante, cheira todos os cantos, correndo ensandecido com a língua para fora em busca de novidades. Admiro a alegria canina, tão simples e sincera. A criança tenta acompanhá-lo mas cai de joelhos e ensaia um dengo. A moça, ridicularizada com seu uniforme de babados, rapidamente o distrai mostrando a estátua garbosa ali presente. Ela mesmo lê a placa com alguma dificuldade, gesticulando e explicando com caras e bocas quem seria aquele homem. A menininha, de cachos finos e ralos, aparentando ter uns quatro anos, parece compreender bem ou pelo menos achar graça da história que acaba de se descortinar. Falam de guerra, de batalha, de prestar continência, de um tiro perdido bem no meio do coração. A menininha não se espanta e, repetindo um gesto que viu em algum lugar, repousa sobre os pés da estátua umas flores murchas e incompletas colhidas no passeio. Já me disseram que foi a chuva mas posso garantir que vi Senhor Alguém chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2892783582109178256?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2892783582109178256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2892783582109178256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2892783582109178256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2892783582109178256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/09/sir-algum.html' title='SENHOR ALGUÉM'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3538859229967020147</id><published>2008-08-22T11:27:00.000-07:00</published><updated>2008-08-22T11:28:47.047-07:00</updated><title type='text'>QUARTA OU QUINTA</title><content type='html'>Nesta quarta o grupo de pagode canta seu mesmo repertório, as pessoas repetem suas mesmas mentiras e o guardador de carro cobra o mesmo preço a noite toda. Aqui dentro tento dormir cedo e não comer gordura. A urgência é de mudar ou pelo menos cuidar do que se tem. Tocar as músicas esquecidas, terminar as crônicas mal escritas, matar o chefão adormecido em algum jogo de vídeo game. O telefone acumula mensagens de carinho, ligações não atendidas cheias de esperança mas sinto um sono terrível, uma atração insuportável pelo nada. Assim é o desamor segundo Aruanã Bento, um dedo ferido, no qual o hematoma não desaparece, mas vai sendo expulso lentamente conforme a unha cresce. Não existem arestas a cortar nem lamentações a fazer, só uma imensa preguiça de subir a ladeira, de recomeçar o dever de casa que eu ainda não aprendi a fazer.&lt;br /&gt;Ela procura, volta, sorri, joga suas pistas falsas de migalhas de pão. O organismo, revolto com tantas noites mal dormidas iludidas, nem deixa meu coração brincar. “Liga mais tarde?” Digo que sim, mas não. Com a certeza da total falta de tesão vou ao supermercado sem cueca e termino a noite vendo um filme clichê. Logo amanheço para as atividades mecânicas de ir, vir, escrever, ler e reler, no entanto, todos os dias escondem seus pontos, virgulas, reticências e na solidão do reflexo do vidro do metrô é que vejo meus olhos, ora iluminados, ora opacos, refletindo o que vem a ser repetitivo na minha vida. Ora vagões lotados, ora estações vazias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nesta quinta amanheci doente, o corpo me fazia lembrar da existência de todos os músculos e artérias dilatando em dor. O sol por mais que se esforçasse não conseguia mudar o gelado que vinha de dentro. Me lembrei da maçã raspada com a colherzinha, vazia, sem polpa e vitamina, só uma casca mole, dispensável. Lembrei do colo de minha mãe, que pouco tive. Lembrei que depois deste amor, qualquer outro amor precisa ser conquistado. Ninguém, por mais subserviente que seja, ama sozinho. Lembrei como é sentir falta de alguém. Talvez me torne um velho solitário e hipocondríaco, andei pensando, pois tento ludibriar minha desconfiança com remédios mais caros e não genéricos, com médicos amigos e seus diagnósticos caóticos ou repetitivos, quando na verdade preciso apenas de uma mão quente, que me acorda em sobressalto para verificar a temperatura da testa ou lembrar do remédio esquecido na madrugada. Tudo que meus olhos febris procuram são outros olhos que tenham a certeza do bem que estão fazendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3538859229967020147?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3538859229967020147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3538859229967020147' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3538859229967020147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3538859229967020147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/08/quarta-ou-quinta.html' title='QUARTA OU QUINTA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7379240092997335908</id><published>2008-08-15T14:32:00.001-07:00</published><updated>2008-08-15T14:32:34.547-07:00</updated><title type='text'>A LUA E A RUA</title><content type='html'>Em um instante preciso, estamos em comunhão&lt;br /&gt;Seu tapete encantado lustra os passos, me mostra o caminho.&lt;br /&gt;Sou gigante e sou menino, com a coragem e o pires na mão.&lt;br /&gt;A destreza me faz andar sozinho. A tristeza, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua é a rua, que aponta minha direção.&lt;br /&gt;A rua é a lua, onde pouso minha solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me reconheço em suas calçadas, galopando em cavalo de pau.&lt;br /&gt;É a linha reta de uma infância torta, biografia escrita no chão.&lt;br /&gt;Mas quem se importa? É só mais uma história da inocência morta&lt;br /&gt;Viva a orgia nossa de cada dia então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua é a rua, que aponta minha direção.&lt;br /&gt;A rua é a lua, onde pouso minha solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7379240092997335908?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7379240092997335908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7379240092997335908' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7379240092997335908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7379240092997335908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/08/lua-e-rua.html' title='A LUA E A RUA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3814534921504224587</id><published>2008-08-15T14:29:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T14:31:47.821-07:00</updated><title type='text'>A VALSA DO AMOR IMAGINADO</title><content type='html'>Você some e aparece feito bola de chiclete não adianta que eu não quero explicação&lt;br /&gt;Você aparece e some, lua cheia, lobisomem, uivando e arranhando meu portão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia após o outro, você com sorriso torto, alegando ser sua maré de azar&lt;br /&gt;Me estende uma flor, diz que sou seu grande amor, ressuscita minha vontade de casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar contigo é festa, ta escrito na minha testa, já te disse isso mil vezes por que não?&lt;br /&gt;As amigas não me entendem, dizem que estou carente, fazem tudo pra mudar minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu nome na minha agenda, é razão pra meus poemas, que eu rasgo com vergonha de mostrar. Repito simpatias, minhas preces todo dia, santo Antonio um dia vai me abençoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que você não fica comigo?Não me assume como sua namorada?&lt;br /&gt;Não quero um amigo colorido. As cores sem o amor não valem nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3814534921504224587?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3814534921504224587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3814534921504224587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3814534921504224587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3814534921504224587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/08/valsa-do-amor-imaginado.html' title='A VALSA DO AMOR IMAGINADO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-135931355451168137</id><published>2008-06-20T12:27:00.000-07:00</published><updated>2008-06-20T12:53:01.486-07:00</updated><title type='text'>COLCHA DE RETALHOS</title><content type='html'>Nunca me acostumo com o freeson que antecede uma apresentação. Todos olhando, esperando, me causa um enorme incômodo. Este sentimento é substituído pelo cansaço ao final. Me sinto carente, indefeso, esquisito, como se todos os sentimentos tivessem escorrido pelo palco durante as quase três horas de show. Desta vez não seria diferente se ela não tivesse aparecido assim, no susto. Estava de lado, conversando com alguém, me vigiando com o canto do olho, pronta para fingir o ritual assustado do encontro, provocando a revoada de borboletas no meu estômago. Fumava e repetia um de seus gestos típicos ao tragar, franzindo as sobrancelhas, antes de rir e comentar algo que não entendi. Nessa hora meu coração telegrafou seu memorando para a razão: é ela rapaz. Vai fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor traz muitas incertezas penduradas em seu pára-choque mas a paixão não. Ela atropela, se joga no peito alheio, como um labrador faz ao ver o dono chegar. Me aproximei tentando montar ironias e piadinhas a fim de provocá-la mas todas as mulheres possuem o dom de anteceder os segundos. A dois passos atrás, ela mirou seus olhos brilhantes e respirei aliviado, como o piloto ao ver sua pista de aterrissagem. A mulher da minha vida estava de volta. Nossa conversa, inteligível para os demais, resumira-se na repetição de piadinhas que construímos, momices particulares que nos acompanhariam por álbuns de fotografias, cartões de natal e roda de amigos, contadas e recontadas incansavelmente. Gosto tanto do nosso contraste de cor, da nossa maneira de roçar os braços e nos observei em absoluto silêncio, apertando seu corpo pequeno contra o meu, remontando algo ancestral, comparado somente com a saudade que o continente africano deve sentir das Américas quando ainda existiam juntos. Fui interrompido pelo cutucão no ombro de outro alguém a minhas costas. Só então pude reparar e reconhecer. Tirando meia dúzia de rugas, uns pêlos assanhados de barba pra fazer e a barriga, pela primeira vez saliente, poderia afirmar que era o mesmo amigo, o grande amigo que conheci enquanto saques e cortadas no colégio eram a nossa maior ambição de vida. Trocaria todas as festas surpresas de aniversário e dias de sol por aquele momento, tão cheio de perguntas e respostas interessantes. Como as crianças que puxam seus brinquedos para a sala querendo dividi-los com as visitas, fiquei inquieto, indo de um para o outro, emendando conversas, costurando interesses, chamando gente, apresentando outros, até sentir a mão dela me tranqüilizando, passeando pela minha nuca e entrando com seus dedos entre os pêlos, desbravando esta pequena área com a autonomia de um nativo que caminha nas pedras. Não me lembro o momento que trocamos a agitação do bar pelo colchão macio e quente mas pelo ressonar de gente não estávamos sozinhos. Viajamos para algum lugar no meu passado que não demorei a reconhecer no escuro. A maré chiava devagar e a meia parada do ônibus na porta, se preparando para ultrapassar o quebra-molas eram a trilha sonora: paramos na casa de praia da família Vidal, onde vivi boas coisas em família. O cheiro doce, o piso áspero, os janelões abertos, sem medo do medo. Destranquei a porta, a outra, olhei os estandartes de carnaval pendurados que, não faz muito tempo, eram mais altos que eu. Sentia que por baixo da poeira, momentos de felicidade se escondiam, prontos para nos pregar uma peça e recomeçar seu falatório. Na extremidade da casa um pequeno mirante, onde se via a Rio-Santos e toda a Baía de Mangaratiba. Me sentei onde meu bisavô repousou ereto pela última vez antes de morrer e, assim como as colchas de retalho mofadas que estendíamos para pegar um sol, minha vida estava completa, com seus quadradrinhos tão diferentes e bem costurados. Chorei por não ter palavras de gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminhar discreto do ponteiro de segundos, acordei e observei o relógio da Central do Brasil, apontando uma hora de atraso. Eu deveria estar trabalhando se não fosse o engarrafamento. Nas mãos um livro sobre pessoas que se foram, sobre amores impossíveis, lembranças e perdas necessárias estava sendo apertado com toda força do mundo. No peito, saudade, culpa e impotência. Não confessarei pra ninguém o quanto queria ter tudo isso de volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-135931355451168137?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/135931355451168137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=135931355451168137' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/135931355451168137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/135931355451168137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/06/colcha-de-retalhos.html' title='COLCHA DE RETALHOS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5309917676941522015</id><published>2008-06-10T12:50:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T12:58:33.863-07:00</updated><title type='text'>INVERNO PARTICULAR</title><content type='html'>Acordei com as veias endurecidas feito galhos secos e um sangue grosso de geléia de morango. O coração bate acelerado e sobrecarrega as baterias lembrando meu antigo Chevette tentando vencer as ladeiras do pontal do Atalaia. Ele não chegou lá, como eu. O dia dos namorados vem anunciado na rádio, no job de um cliente, na promoção do shopping, no convite para minha banda tocar. Não faço do dia 12 de junho um velório onde ficarei em volta de tudo que já morreu, relembrando as histórias felizes. Necas. Esta seria uma data oca que passaria batida se não tivesse ninguém morando nela, se eu não tivesse enfiado com colheradas de aviãozinho, goela abaixo da minha razão, uma mulher que ama outra pessoa, não a mim. Passar esta noite cantando para casais apaixonados, que repetirão comigo suas juras, tomando minha voz emprestada para dizer no tom certo o quanto estão apaixonados, se torna até assustadoramente encantador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um isqueiro que ela perdeu, um espelho de corpo inteiro, uma viagem, uma tatuagem. Precisaria de décadas para dar tudo que sonhei um dia. Mas ela não quer nada, vive dizendo com total desprezo. Não quer vínculo, responsabilidade, não quer estabelecer uma relação. Talvez para um dia me deixar dormindo e com um bilhete escrito no espelho se despedir pra sempre sem dor na consciência, sem levar lembrança consigo. Engulo este pirulito de areia e com um sorriso amarelo uso minha expressão gasta de amante barato fingindo não ligar. Caso contrário ela distancia, silencia, finge partir. Afinal para discutir relação, se enrolar na coberta, cuidar de verdade, ela já tem companhia. Resta-me apenas oferecer a boemia, o papo leve, os risos, a sacanagem. Definitivamente não tenho vocação pra isso. Quero alguém que me ame até nas luas mais minguantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço os amigos, o colega do trabalho e a moça da padaria. Todos são unânimes no pessimismo. Mesmo assim assumo o risco desta corrida com os cadarços desamarrados, sabendo que em algum momento cairei. E não falta gente torcendo para que isso aconteça, seja pela dor de cotovelo ou pelo oportunismo de me ver fragilizado. Hoje eu entendo o Forrest Gump e sua eterna vontade de correr, sem saber se está em busca de algo ou fugindo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se passaram três meses desde aquele dia que os strobles e slide-flash chacoalharam dentro de mim e não perco tempo em avaliar se vale a pena ou não, simplesmente porque a vida acontece com seu fluxo irregular, mas me culpo ao permitir a infiltração deste amor pelas paredes, me culpo pela prepotência de achar que posso manter tudo sob controle, me culpo pela ingenuidade de criança encantada com o picadeiro acreditando nos palhaços que choram e nos trapezistas que voam. Talvez este dia dos namorados torne-se um marco, o reinício do meu inverno particular, onde depois de noventa dias de sol quente e flores na janela, a saudade caia estragada do pé, o horizonte desapareça em nuvens e a esperança hiberne por mais dois longos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5309917676941522015?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5309917676941522015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5309917676941522015' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5309917676941522015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5309917676941522015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/06/inverno-particular.html' title='INVERNO PARTICULAR'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-4050939392558460960</id><published>2008-06-05T14:28:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T14:32:53.029-07:00</updated><title type='text'>ENCRUZILHADAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por Talita Balaroti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Tu é pra mim o inesperado. E o inesperado nega a razão, nega a experiência, nega a inteligência. E os erros inesperados são as evoluções provocadas por uma alma imoral. Uma alma que busca libertação, que trai expectativas e transgride as morais do corpo".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse a certeza de que aqueles dias no Rio, escureceriam a sua pele, renovariam seu humor e apertariam sua conta bancária, não teria ido.&lt;br /&gt;Uma desculpa esfarrapada no trabalho, duas ligações a longa distância. Eram três da tarde e já estava andando vendo o arpoador. Tava inteira. E só se sentia inteira quando questionava, quando tinha dúvidas. Lembrou: é sempre na minha sutileza que deixo a dúvida se instalar. Parou novamente, recordou de quando discutiu isso com um amigo que já fora seu amante: a dúvida se instalar ou a certeza pregar?&lt;br /&gt;Sabia que naquela noite acabaria na Lapa. Melhor lugar não há, diria D2. Democráticos.&lt;br /&gt;Estava ainda com o biquíni de praia por baixo da roupa curta, afinal, nada melhor para esquecer a melancolia dos dias frios da capital do sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suava em bicas, e dançava, e dançava. Um Moreno lindo tirou seu ar, mais do que toda a dança daquela noite. Pesou: tudo começa com a admiração que desperta o desejo, ou seria o desejo que gera a admiração? Já carregava naquele primeiro olhar: cobiça, ciúmes, inveja, admiração e desejo. Porque para ela, esses tornados nunca caminharam separados.&lt;br /&gt;Suaram juntos. Tomaram café da manhã e falaram de trabalho, e ela levou pro sul a cor preta e vermelha desse Filho de Exú. E se infestou de sua astúcia, sua vaidade, sua indecência. Orixá do movimento teve o poder de fazer o acerto virar erro, e o erro virar acerto. E foi assim que ele a libertou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-4050939392558460960?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/4050939392558460960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=4050939392558460960' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4050939392558460960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4050939392558460960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/06/encruzilhadas.html' title='ENCRUZILHADAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-4814881176540764152</id><published>2008-05-21T15:42:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T15:43:01.445-07:00</updated><title type='text'>CORAÇÃO EM PAUSE</title><content type='html'>O amor é como poeira. Vai invadindo pela fechadura, pelo vão debaixo da porta, quando ninguém vê. Aos poucos, começa a tomar conta do ar, a sufocar. Mas hoje foi dia de faxina e o sentimento mais exaltado do mundo foi varrido para o quintal. Deixe ele lá. Assim como a conta de celular e o cartão de crédito, estou convencido que não posso usá-lo impunemente. Mas ela pede, provoca, estende a mão, sorri. Não resisto e toma de amor, toma, toma, toma. Ainda bem que o SERASA não anda por estas bandas do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me ensinaram a amar e tenho dúvidas sinceras se alguém a minha volta amou de verdade. Nos meus álbuns de fotografia estão sorrisos alegres, olhares de esperança, abraços de alívio. Amor, necas. O que aprendi foi por extinto, no pulo do gato, e minha mentalidade emocional sinto que tem apenas oito anos. Não há outra explicação senão a inocência para me entregar de mãos beijadas a pessoas que nunca se propuseram a cuidar de mim. Criança idiota, agora fica aqui dentro me pedindo colo e atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo hoje uma excitação vista em filme de ficção. Tenho a capacidade de ressuscitar meus dinossauros mas morro de medo deles acabarem comigo. Sem eles não há lágrima, noites solitárias ou declarações cheias de babadinho. Só hedonismo. Foram dois anos satisfazendo apetites sexuais e exigências do ego. Na noite, homem decente é peça rara. Homem solteiro então, vale ouro. Conheci gente boa, gente fina, gentileza, gente só, que somem e aparecem. No final das contas, as companhias na boemia estão vivendo momentos passageiros de suas vidas e pegam carona em você até a próxima estação. Numa semana estão solteiras e disponíveis. Na outra, casadas e condescendentes. Resumindo: fiz da exceção da vida a regra destes meus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Deus ela apareceu e trouxe de volta a beleza das coisas simples.  É uma mulher com muitos valores e poucos pudores. Perfeita pra mim. Tem a malandragem da rua e a nobreza no mesmo ser e confunde meus faróis que nunca conseguem acompanhá-la. Sou antes de tudo seu admirador, seja pela fome que já passou ou pelas manias que até soam como certo mimo a si mesma. Me impressiona como ela conhece meus segredos e me desarma impiedosamente, como fazemos com os laços, por isso guardo sempre no bolso a meia-culpa, que utilizo sem dó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não é minha, digo sempre para mim como um mantra tibetano. Quando não convencido, abro sua foto acompanhada, no pc, e retalho minhas esperanças mais uma vez.  Hoje me sinto apaixonado pela grama do vizinho onde, a cada ausência sua, pulo a cerca e vou brincar.  Nosso relacionamento é intenso, verdadeiro, mas vive sob a vigilância do calendário, como uma menstruação. Poderia até te dizer que, como bom amante, acredito um dia assumir este cargo de confiança mas a descrença no amor também puxa meu outro braço rumo ao individualismo e a proteção de mim mesmo. Ainda não sei se sou o alpinista com fôlego infinito ou o cachorro que corre atrás do próprio rabo, na dúvida, dei um pause no meu coração e entreguei o controle remoto pra ela. Se vai acelerá-lo ou ejetá-lo, só ela poderá dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-4814881176540764152?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/4814881176540764152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=4814881176540764152' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4814881176540764152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4814881176540764152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/05/corao-em-pause.html' title='CORAÇÃO EM PAUSE'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7112846177158505436</id><published>2008-04-03T14:53:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T14:55:10.573-07:00</updated><title type='text'>CONSIDERAÇÕES PARA UM SOLITÁRIO</title><content type='html'>De vez em quando, ao descer uma rua movimentada, fixe os olhos na multidão. No meio de casais apressados, grupos de amigos barulhentos e famílias felizes, sempre existe um solitário. Ele é o único que vai olhar pra você, mesmo que seja com um olhar despretensioso ou desconfiado. Não que te considere especial mas porque talvez não tenha mais nada a fazer. Porém não o considere uma vítima, pois, tirando Vinícius de Morais, é possível qualquer um ser feliz ou, pelo menos, se virar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NO CINEMA – Nada de entrar depois do trailer. Um solitário de verdade chega com a luz acesa. Como não tem ninguém para conversar é interessante ocupar o tempo e o silêncio com o barulho no balde de pipoca. Coma sempre as do fundo primeiro e remexa bem, alegando para si mesmo que está salgando o lanche uniformemente. O segredo é fazer tudo aquilo que não faria se estivesse acompanhado. Se escangalhe de rir, coloque o pé para o alto ou durma quando estiver muito chato. Na saída, controle o ímpeto de comentar o filme e deboche, com risos abafados e balançar de cabeça, dos comentários absurdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NA BOATE – Cuidado, pois ali se trabalha sem retaguarda.  Chegou na gatinha e ela te esnobou? Você não tem o ombro amigo para praguejar e tem que ficar parado no mesmo lugar com cara de pastel. O bote é preciso. Finja que não está nem aí para ninguém. Segure uma cerveja mesmo que esteja vazia. Dance moderadamente, senão pode dar pinta de que não gosta da fruta. O segredo para escapar da tentação é curtir o som de olhos fechados. Te dá um ar meio esnobe, como se estivesse ouvindo algo que ninguém está,  e permite que te admirem mais calmamente. Se pintou o clima, negue-se a dizer que está sem ninguém. Não é que você vai dar uma de Pedro traíra não, mas é uma decisão estratégica. Mulheres nunca saem sozinhas e portanto suas amigas vão gostar se souberem que você tem um grupo de amigos disponíveis prestes a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CELULAR – Este é mais que um amigo. Ele é o portal para transformar as situações. Treine diálogos longos para falar sozinho, sobre assuntos variados que possam te aproximar ou afastar de uma situação. Importante é mostrar veracidade respeitando os tempos de chamada e resposta do amigo imaginário. Caso contrário parecerá que está contracenando com Tarcísio Meira. Um cuidado importante: quando estiver fingindo com o aparelho no ouvido mantenha-o desligado. Imagine se toca na hora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NO ESTÁDIO – O mais fácil de todos. Não vão faltar tapinhas das costas e comentários. Se estiver com a camisa do time, melhor ainda. Mesmo assim, o importante para se enturmar e ganhar confiança é esperar os minutos de silêncio e ofender alguém. Qualquer um. Xingue mesmo. É certo que conquistará risadas. Depois cante todas as músicas e  no final diga em alto e bom som que vai beber todas no bar da esquina para comemorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MOTEL – Teste final para quem tem coragem de andar sozinho. Preocupado em não sofrer retaliações encare um dos personagens: 1)bêbado feliz  2) empresário cansado  3) Amante ansioso. Lá dentro, ligue a TV com o canal pornô bem alto, deixe a porta entreaberta e fique apenas de toalha. Se pintar uma solidão, fique esperando o elevador no andar até alguém aparecer. Encare-o como se estivesse em uma fila do banco e só interrompa a conversa para dizer que vai voltar ao quarto porque sua mulher está impossível hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pôde ver, mesmo sendo trabalhoso, é perfeitamente possível se divertir sozinho. Um sintoma típico de sua mudança é quando, encarando-se no espelho, nas muitas madrugadas silenciosas, você revê seus atos e tenta simular aquilo que os outros pensaram de você. É neste momento que a lágrima desce e você chora. De rir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7112846177158505436?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7112846177158505436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7112846177158505436' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7112846177158505436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7112846177158505436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/04/consideraes-para-um-solitrio.html' title='CONSIDERAÇÕES PARA UM SOLITÁRIO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5420241412220260899</id><published>2008-03-20T13:32:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T13:34:12.604-07:00</updated><title type='text'>DONT RAVE MONEY</title><content type='html'>Como todo filme de terror o início é cativante. Eu e um mineiro contra quinhentos gaúchos barulhentos. A disputa?O título de melhor vídeo publicitário no Festival de Gramado. Perdemos, fique sabendo. Na saída, uma filipeta “festa de encerramento?Foda-se, estamos dentro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do sobe e desce de táxi, racha para pagar a entrada, lá estávamos. Era minha primeira vez numa RAVE e não sabia ao certo como me comportar. Despistei o amigo na primeira curva e fui me aventurar. Eu tinha namorada, era supervisor da agência, uma postura a zelar. Ficar ao lado do aluno era queimar o filme, já bastava ter perdido um prêmio que estava no maior clima de já ganhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na entrada fui entendendo o mapa do local: Lado esquerdo, dedicado ao som ao vivo, do lado direito, som mecânico e embaixo, o mais cheio, o underground. Tudo igual. A música que chacoalhava a galera era a mesma. Um bate estaca de compasso repetido no qual o DJ usava o mesmo recurso que eu nas festas juvenis. Ora baixava, ora escancarava o volume. Deixa estar. Fora da habitual pegação sulista, encostei-me no balcão como um quarentão recém-separado, preparado para rodar as pedrinhas de gelo com o dedo. Daí que tudo começa. No paga daqui, paga de lá, não sobrou nada na carteira e o lugar, pra variar, não aceitava cartão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pensar em sentir sede e a saliva logo sumiu e, não demorou muito, a língua começou a crescer na boca, como a de um camelo. Implorei, pedi, juntei as mãos, mas não rolou. A moça do caixa estava inflexível, com aquele complexo de pequena autoridade irritante, me pediu licença e continuou seu trabalho. Primeira alternativa: O aluno. Ele era quietinho, franzino, gente boa, não negaria emprestar um qualquer pro amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A incursão na multidão talvez tenha sido a melhor parte desta história. Eu, e um mar de loiras, sacudindo, dando e tomando beliscão na bunda. Pensar que eu poderia estar encaixado numa futura miss Brasil me deixou eufórico. Com tesão, vá lá. Aperta de um lado, afrouxa do outro e nada do meu camarada aparecer. A segunda tentativa seria usar a carioquice que Deus deu, mas logo vi que não dava. Com o pancadão comendo solto, eu poderia ser persa, judeu, iraniano, que ninguém conseguiria ouvir minha voz. Do nada, alguém pega na minha mão e um sorriso lindo – e úmido – apareceu na multidão. Acho que na RAVE é assim, na pescaria. Fui seguindo, muito mais de olho no seu copo de chopp que nos dotes físicos. Era na descida do underground e a fumaça já anunciava: aqui é chapa quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa é fulana, essa é ciclana”, nem perguntaram meu nome, e nem me deram bola. Até hoje acho que a moça me confundiu com alguém, afinal fiquei ali, sem lá nem cá, ignorado solenemente por umas meninas que dançavam alucinadas. Nunca vi animação assim. Filmei o ambiente e nenhuma bebida, agora, somente copos vazios. Do pouco que compreendi naquele festa do inferno foi “Quer uma bala?” Aceitei de imediato. Já que eu não podia dar uns beijos, pelo menos algo para estimular a salivação. Do nada, fui tomado por uma onda esquisita, como se eu tivesse engolido todos os agudos e graves do ambiente. O coração socava meu sangue para os quatro cantos do corpo, dava para ouvir, e fui ficando emocionado com a minha própria existência de ser. No primeiro esbarrão senti todo os meus pêlos do braço ouriçados e o bico do meu peito ficou duro. Cruz-credo. Queria ir embora mas senti tanto medo que comecei a chorar e rir num destempero de sal e doce. Não sei qual foi a hora que comecei a dançar mas talvez tenha sido a melhor saída. Batia o pé no chão feito índio e passava a mão pela cara e a cabeça, suado e despenteado. Minha alegria durou até o celular tocar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?Amor?Sou eu sua namorada...&lt;br /&gt; - E o prêmio?Você ta na farra. Dá pra me explicar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha percebido mas a minha mandíbula havia também travado com essa bala do capeta e nem conseguia falar nada. Quase babando, tentei escrever uma mensagem mas as teclas haviam triplicado e se mexiam conforme a música. Fui me escorando e descendo o corpo, lentamente, escorregando até o chão. Sentei, encolhi as penas, e percebi uns dois ou três malucos agarrados na caixa de som, tentando entrar pela corneta, pelo alto falante, completamente estranho, lembravam cupins na lâmpada em noite de verão. Com medo de ficar como eles, segui as paredes e depois de girar naquele buraco acabei encontrando o ar puro pela saída de emergência. Era demais pra mim. Descobri uma secura na boca como nunca havia visto e me peguei correndo a caminho de casa, de boca aberta, disposto a vencer quilômetros sozinho, a pé. Putz, começou a chover. Bom, agora o que não falta é água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5420241412220260899?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5420241412220260899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5420241412220260899' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5420241412220260899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5420241412220260899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/03/dont-rave-money.html' title='DONT RAVE MONEY'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5471485609424697771</id><published>2008-03-14T16:04:00.000-07:00</published><updated>2008-03-14T16:05:14.763-07:00</updated><title type='text'>PARAÍSO DE MIM</title><content type='html'>Tenho dias de rocha. Geralmente estes são motivados por notícias boas, expectativas ou conclusões pessoais. Mas também tenho dias de areia. Nestes me fragmento em mil e me dissolvo em ausências, discordâncias e saudades. Nos dias de rocha, sou pedregulho rolando ribanceira abaixo, não tenho dúvida nem medo. Aproveito a paisagem que passa na janela, sou o durante, não o antes, muito menos o depois. Nos dias de areia, não tenho rumo próprio, dependo do vento que me orienta e torço para encontrar a quina, o cantinho, onde a sujeira se acumula e o momento dá um tempo para eu ser feliz. Posso dizer que sublimes são os encontros onde alguém une seus dedos mágicos e, fazendo um punhado de mim, me faz sentir gigante. “Afinal basta cair um grãozinho no olho, que já era.” diz ela, se divertindo. Porém não há dúvida da decepção que rege os encontros destruidores de  castelos, com suas ondas de egoísmo e insensibilidade, arrastando canais e trincheiras de alga e conchinhas do mar. Não julgue. Taque a primeira pedra quem nunca foi areia, grãozinho qualquer que amanhece encolhido no cantinho do dedão, torcendo para não ser espanado. Varra a primeira areia quem nunca foi rocha, dando cabeçada no vazio, vendo a lágrima cair sem se mexer. Grande ou pequeno, volúvel ou inflexível, estes são os paradoxos do paraíso de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta praia que me tornei sobram espaços para ver o pôr do sol e os cocos saltam&lt;br /&gt;desanimados no chão. No entanto, com a soberba dos grandes resorts, insisto em limitar seu acesso, insistindo na segurança de ter dias completamente iguais. Às vezes, quando o frio bate, cato com um rastejar de lagarto as últimas pegadas que deixam sua identidade displicentemente, sem imaginar o quanto tatuadas elas ficaram na minha memória.&lt;br /&gt;Elas são esquecidas apenas quando os vaga-lumes invadem minhas terras. Sou apaixonado por eles. Lindos, matreiros e egocêntricos, que ofuscam as estrelas e me acordam de uma letargia infinita. São como as fadas que tocam minha esperança com suas mãos leves e me fazem acreditar em coisas mágicas, inimagináveis. Espero aqui sentado, o dia que me crescerão asas e aprenderei com eles o quanto de amor próprio é necessário para se fazer acender por completo. Por enquanto aproveito sua breve presença, fazendo troça do meu amor, fazendo me segui-los por horas até o momento que cansam e desaparecem na escuridão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, esta porção de terra, perdida no meio de tanto mar, já foi agarrada a outra porção, que por sua vez se agarrava a tantas outras que me davam um título de cidade ou país. Hoje bate um medo quando vejo as luzes da cidade no horizonte, se afastando de vento em popa e sempre me pergunto se não são mais felizes aqueles que se deixam habitar por qualquer trocado, colando cartazes de propaganda na porta do coração, acabando por criar uma superlotação sentimental. Acho que não. Afinal, ninguém paga pelo silêncio das manhãs sem culpa, da liberdade de ir, vir e ser. Quando esta nau em forma de ilha se encontrar com sua alma gêmea não pegará emprestado suas belezas naturais e sim as multiplicará, afinal, amor próprio é olhar para dentro de si e admirar sua própria paisagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5471485609424697771?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5471485609424697771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5471485609424697771' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5471485609424697771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5471485609424697771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/03/paraso-de-mim.html' title='PARAÍSO DE MIM'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8959278926953657792</id><published>2008-02-28T06:20:00.001-08:00</published><updated>2008-02-28T06:20:57.072-08:00</updated><title type='text'>FIGURINHAS REPETIDAS</title><content type='html'>O fato de estar escrevendo agora, antes do combinado, esconde uma verdade: eu não quero me despedir deste dia. Já amanhece na cidade, mas dentro de mim, estrobles e slide-flashs ainda se chacoalham como vaga-lumes apaixonados. No meio deles, ela. Na minha pele, outras lembranças também se misturam, ora sinto o cheiro da máquina de fumaça, ora sinto seu perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As calçadas estão vazias e sujas, quase silêncio. O homem que joga água na calçada para começar o dia de trabalho na loja, me olha com desprezo. Não sou vagabundo, apenas gosto de sair segunda feira. Caminho no sentido oposto, incomodado por virar de costas para o local onde tudo aconteceu. A paixão é como uma conjuntivite que não deixa dúvidas sobre seus sintomas. Vírus sacana, que me deu olhos turvos e por mais que tentasse olhar para outras, era ela que eu queria. Só ela, como se tivesse sempre me pertencido e todo o motivo pelo qual enfrentei corre-corre da chuva, caixa eletrônico, almoço em 30 minutos e ressaca inevitável, se compensasse naquele momento que cruzamos nossos sorrisos como duas gôndolas à passeio. Pelo reflexo na vitrine apagada da rua percebo que até agora ainda guardo parte desta alegria nos cantos da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos como velhos amigos e foi de forma tão natural que não conseguiria lembrar como me aproximei. Falei, falei, falei até o ponto de me sentir idiota, como uma menina que encontra seu pai pela primeira vez  e precisa mostrar urgentemente sua importância, sufocando um medo terrível de vê-lo partir novamente. No começo tentei desviar, blefar, minimizar, usar todos os artifícios que 18 meses de boemia e solidão me deram, mas bastou ouvir suas ironias e sentir sua mão delicada sob meus ombros, para deixar escapar elogios voadores e coloridos. Negar elogios a uma mulher é tão difícil quanto resistir a sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no umbral do portão, recebo o afago do meu cão, me revisitando com seu nariz gelado e rosa. Eu que sempre o critiquei, por seu amor incondicional, quase patético, me vejo dividindo com ele o mesmo olhar melancólico a cada vez que a porta se fecha. Quando a convidei para sair dali e o pedido foi negado, soou o alarme, o reservatório do coração encheu de orgulho, expulsando as expectativas pelo ladrão. Me afastei e fiquei de longe, como uma esposa de pescador na beira do cais, vendo minhas esperanças se afastarem a cada rapaz que se aproximava dela. Ainda me assusto com seu jeito de mulher resolvida, fumante irreversível, que nunca está com o copo vazio tamanha é a oferta masculina para enche-lo. Ainda não encontrei em mim o motivo pelo qual me atraio por mulheres assim, de sorrisos largos e perigosos. Definitivamente jogos de amor são para adultos. O cara se aproximou. Abraçou. Fungou. Acarinhou. Cochichou. Partiu. Opa, melhor eu voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nunca gostei de apostas e acho que quanto mais necessitado o homem está, mais ele sucumbe na esperança por uma vida melhor repentinamente, porém hoje a bola caiu no 22 preto, onde, sem perceber, eu escondi minhas fichas. Sinto um troço preso na garganta a cada vez  que penso nela, pois não consigo expulsar os pensamentos, muito menos engoli-los. Porém, mesmo com este refluxo, gozo de um prazer enorme ao relembrar este encaixe perfeito, geralmente encontrado nas peças de quebra-cabeças e nas rodinhas de caminhões de madeira. Sim, finalmente  nos beijamos e nos olhamos e nos sentimos, tão efusivamente, que me confundi com ela mesma, numa cumplicidade rara. Nem a luz fria e impessoal do salão principal nos separou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tenho que ir trabalhar e resisto para não dormir sentado aqui. O sol já acena no final da rua e o cheiro de café abraça minha casa anunciando uma avó com insônia. Tiro do bolso nossas figurinhas repetidas, que não canso de rever, talvez para reafirmar que na vida colecionamos o mesmo álbum. Somos de escorpião, vamos estudar em outro país, somos debochados e risonhos, cantamos as mesmas canções. Porém esta é apenas uma noite, não uma vida, como ela costuma dizer, e preciso controlar meu impulsos de homem-bala. Com o lamento de um devedor que precisa penhorar seus bens, abro as mãos e ela escapa entre meus dedos, sem promessas, nem juras. Nada.&lt;br /&gt;Estas são as regras da noite, onde o ideal e o desejado nem sempre andam de braços dados. O táxi amarelo some depois da curva à direita. Já amanhece na cidade, mas dentro de mim, estrobles e slide-flashs ainda se chacoalham como vaga-lumes apaixonados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8959278926953657792?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8959278926953657792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8959278926953657792' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8959278926953657792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8959278926953657792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/02/figurinhas-repetidas.html' title='FIGURINHAS REPETIDAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7039606695169071226</id><published>2008-02-14T15:16:00.000-08:00</published><updated>2008-02-14T15:24:09.635-08:00</updated><title type='text'>ACONCHEGO ENTRE JOBS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Sabe qual é a melhor coisa que Deus inventou depois da mulher?O fone de ouvido”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei a piada como um espirro inevitável que respingou mais longe que o previsto. Pior que falar demais no trabalho novo é perceber, só depois, que a maioria em sua volta é mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amasso e coloco meu comentário no bolso torcendo para não ter sido ouvido e dou graças a Deus quando o silêncio é interrompido pelo telefonema que gera uma série de perguntas e respostas paralelas. De rabo de olho admiro essa capacidade das mulheres de concatenarem tantos pensamentos, como se jogassem palavras cruzadas simultaneamente. Minha diretora de criação por exemplo, consegue atender, corrigir, orçar, ler, layoutar e trocar confidências com o namorado ao mesmo tempo. E neste meio tempo, se comento algo, ela responde prontamente. Diferente de  ambientes mistos, uma agencia dominada por mulheres tem temperos únicos. Chiliques, birras, tititis, são somados aos duros briefings e brainstorms dando um clima aconchegante a rotina mecânica da propaganda, como se, sempre que precisar, estarão à disposição um colo e um cafuné. As observo assim como fazia pequeno, da brecha da porta ou fingindo estar dormindo, para poder me aprofundar em seus mundos. O que mais me chama atenção são as piadas inocentes, que as acompanham desde a infância. Diferente dos homens que mandam tomar no cú pelo puro divertimento do desafio, as mulheres brincam com a delicadeza de um  pianista, zombando de seus pequenos poderes. A que senta aqui na frente um dia desses deixou o telefone tocar, tocar, fez cara de tolerância, respirou fundo, todas riram, só depois atendeu. Adoro essas coisas de menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando o mercado e fazendo um corte e colagem de tantas Meio &amp;amp; Mensagens que leio, posso decretar: agências presididas por homens vão acabar. O pensamento é simples. A propaganda deixou de ser a vedete e se viu a necessidade de trabalhar outras ferramentas de comunicação, funcionando de maneira conjunta. Em miúdos: o cara que lançava um produto ontem anunciando no jornal nacional, hoje é obrigado a  fazer uma ação no supermercado, desenvolver um site interativo e preparar uma promoção. No mínimo. Como administrar tudo isso ao mesmo tempo?Só usando saias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela faz pose. Ela dança, Ela chora, Ela faz o mundo parar para ver algo fofo em seu Mac. É assim com os clientes, fornecedores e funcionários. Tentar entender os pensamentos da minha chefe é como olhar para o céu e conseguir prever quais são os próximos desenhos que as nuvens vão formar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste primeiro mês tenho usufruído deliberadamente dos dengos, mesmo contidos, das minhas colegas de trabalho. Afinal faz muito tempo que alguém não leva uma gripe minha a sério, ou simplesmente nota o que tem desenhado na minha blusa. Confesso que passei virando algumas noites decifrando jobs com a obstinação de uma mãe que nina um bebê com cólicas, mas também tive o prazer de acompanhá-las em compras no meio do expediente ou me sentar para matar uma garrafa de champagne em plena quinta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabe porque as baratas resistem a tudo?Por que nunca foram casadas com um homem”. Putz, elas ouviram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7039606695169071226?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7039606695169071226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7039606695169071226' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7039606695169071226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7039606695169071226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/02/aconchego-entre-jobs.html' title='ACONCHEGO ENTRE JOBS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5668040818207623219</id><published>2008-02-06T21:19:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T05:31:43.049-08:00</updated><title type='text'>CRIA DO CARNAVAL</title><content type='html'>Pela janela do ônibus, Luciano viu os arcos no final da rua. Esse era o sinal para ele descer. Uma multidão se aboletava nas soleiras fugindo dos pingos, lotando ainda mais os bares. Estava começando mais um dia de trabalho e que seria até normal se não fosse terça-feira de carnaval. As fantasias multicoloridas e riso frouxo dos foliões resistiam com bravura ao mês de chuvas contínuas. Quando chove o Rio de Janeiro apaga suas velas e se torna tão sem graça quanto andar de carrossel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luciano já vinha com suas canelas molhadas e chinelo encardido, mesmo assim fugiu das poças com medo dos cacos de vidro disfarçados. Ainda tinha em sua lembrança a beiça que abriu na sola, quando matou a bola no peito e rachou com o goleiro no campinho da Barreira, onde morava. Não demorou muito alguém o abordou. Um real. Até que o dia começara bem. Pela Joaquim Silva, entrou na sinuca e sentou-se sem dar pinta. Era seu local preferido. Lembrava um pouco sua casa, cheia de irmãos barulhentos, amontoados em volta da mesa da cozinha, esperando a sopa de legumes com arroz no final da noite. Eram nove filhos, e, tirando a menor de dois anos, todos trabalhavam na rua. Lu vendia chiclete em tablete, de dois sabores, que a mãe organizava através de potes coloridos e transparentes. O do garoto era pequeno e azul, cabendo no máximo 15 unidades, isto é, 15 reais. Destes, cinco pratas ficarão para ele, que gostava de comprar pipa e figurinha para colar na cabeceira da cama coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu as luzes do poste acenarem da janela, teve que abandonar seus minutos de criança observadora, para garantir o ordenado. Caminhou pelas ruelas até se deparar com a multidão cantando atrás do bloco Quizomba, iniciando o desfile pelo bairro.&lt;br /&gt;Luciano se encantou com o carro de som que parecia um barco à deriva no meio de tantas cabecinhas saltitantes. Empurra ali, toma um pisão aqui e lá foi o pequeno, sentado no pára-choque, onde somente ele ficaria confortável devida à altura. De repente, entre seus pés, aparece uma máscara de bate-bola, com fitas prateadas, amarradas no topo da cabeleira e flores no lugar dos olhos. Havia caído, se salvado de um zilhão de pisões, atravessando entre as quatro rodas do caminhão para finalmente ser resgatada por Luciano. Com a nova aquisição poderia começar a juntar sua graninha e no ano seguinte comprar o resto das vestes de bate-bola, com saião rodado, bolero e guarda-chuva. Em sua fantasia, o dinheiro sempre daria para realizar tudo, apesar da realidade em sua volta falar o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bolso haviam dez reais, que usava para dar troco, e mais quatro, das vendas. Por isso precisou apelar para comer algo, depois da metade de um dia com estômago vazio. Já conhecia os locais onde poderia descolar um lanche. No china, entrou pela porta lateral e sentou no último lugar disponível no balcão. Ao seu lado, um cara de pano amarrado na cabeça detonava seu segundo salgado. Esse era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luciano me olhou e, ao invés, de fazer cara de coitado, me pediu seu lanche com naturalidade, enquanto encontrava uma posição mais confortável. O atendi prontamente e dali iniciei uma série de perguntas, para ele, meio bobas. Nunca fui fã de dar coisas na rua para não estimular os pedintes e tenho uma sisma pessoal com crianças dissimuladas, que aprendem a fazer cara de coitada e contar histórias tristes mas garanto que Luciano não era assim. Era espontâneo, autêntico, gostava de pentear o cabelo, tinha uma namorada que estava viajando e detestava coxinha com camarão. A maior lembrança que tenho é de sua soberba pedindo catchup. Talvez não fosse gente grande para assimilar isso, mas, antes de gostar do tempero, Luciano estava gostando de exercer sua dignidade, enfim estava em posição de ser servido depois de passar os últimos dez anos servindo a todos. Numa espécie de pré-vestibular em minutos testei sua personalidade, tomando emprestada sua máscara, pedindo que dividisse o refrigerante e inteirando o troco que eu havia dado para pagar o segundo salgado. Finalmente encontrei o menino que eu procurava. Fui ao banco, saquei uma quantidade estipulada nas minhas promessas e dei a ele, que deixou escapar olhinhos brilhantes como lantejoulas. Tentei aconselhá-lo quanto ao uso do dinheiro e os próximos passo de sua vida mas não consegui segurar as lágrimas quanto disse que ele teria a idade para ser meu filho.Tomamos destinos opostos na Rua Senador Dantas, ele com suas balas, máscara de bate-bola e um monte de desejos infantis a serem realizados; eu com o melhor dia de carnaval que alguém poderia ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5668040818207623219?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5668040818207623219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5668040818207623219' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5668040818207623219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5668040818207623219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/02/filhos-do-carnaval.html' title='CRIA DO CARNAVAL'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5012148245831325906</id><published>2008-01-31T14:20:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T14:29:10.064-08:00</updated><title type='text'>TODA MULHER GOSTA DE PODER</title><content type='html'>Toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder ficar diante do espelho&lt;br /&gt;Pintar, unha, pêlos e cabelo&lt;br /&gt;Mas dizer que estão sempre pra fazer&lt;br /&gt;Porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder rachar conta de motel&lt;br /&gt;e ser uma amante fiel&lt;br /&gt;mas ter um amigo pra poder lhe socorrer&lt;br /&gt;porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder tomar chopp com as amigas&lt;br /&gt;e ficar bem longe das intrigas&lt;br /&gt;mas saber tudo que passa na TV&lt;br /&gt;Porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder se livrar da TPM&lt;br /&gt;poder se encher de gel e creme&lt;br /&gt;pra dizer que está linda de morrer&lt;br /&gt;Porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder dormir só de calcinha&lt;br /&gt;Poder se vestir de menininha&lt;br /&gt;e dizer que o bonito é pra se ver&lt;br /&gt;porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder escolher o cara certo&lt;br /&gt;mas gostar do cara mais esperto&lt;br /&gt;elas gostam de se contradizer&lt;br /&gt;Porque toda mulher gosta de poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher gosta de poder&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5012148245831325906?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5012148245831325906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5012148245831325906' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5012148245831325906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5012148245831325906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/01/toda-mulher-gosta-de-poder.html' title='TODA MULHER GOSTA DE PODER'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2323811317898224144</id><published>2008-01-24T14:46:00.000-08:00</published><updated>2008-01-24T14:47:12.407-08:00</updated><title type='text'>O ANO QUE FICOU PRA LÁ</title><content type='html'>O ano que ficou pra lá começou com uma pilha de roupas na sala que finalmente tive coragem de abandonar. Quando elas caíram do armário embolando-se no chão foi o sinal. Eu realmente deveria me despir de coisas do passado se quisesse começar um novo ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei pelas camisas velhas, que muitas visitas já usaram para dormir, e pelas amizades, que já sofreram inúmeras lavagens. Depois de meia vida sofrendo para reunir pessoas que fizeram parte da minha história, escondendo um medo de perder as referências de quem eu sou, finalmente organizei os arquivos, privatizei o sistema e instalei uma balança que não mede o tempo de convívio e sim sua intensidade. Saem amigos que trocam cumplicidade por um porta-retrato e entram camaradas que vão explorar o mundo e me carregam na mala.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As metas profissionais também ganharam nova roupagem, principalmente depois do final de uma relação sem tesão com a agência que ajudei a tocar por dois anos. Culpa da profissão, nada mais, que necessita injetar adrenalina na tinta da caneta para os títulos realmente saírem com emoção. Reunidos os cacos e algumas peças do portifólio saí com o fôlego de estagiário, relembrado pela página da agenda de 2001 emoldurada na parede, disposto a reconquistar uma nova vaga no mercado. 24h depois eu estava empregado e fortalecido da minha capacidade de fazer o que gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em preferência salvei da trouxa a camisa que mais gosto de vestir ultimamente. Mesmo suada de tantos ensaios de madrugada e discussões desnecessárias por egos exacerbados, minha banda foi responsável pelas maiores alegrias que tive, me proporcionando um aprendizado técnico e pessoal de convívio e aceitação das diferenças. Através dela me tornei da noite pro dia um cantor e até hoje me surpreendo com elogios de gente que dedica a sua vida a fazer isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano que ficou pra lá foi marcado pela instabilidade de um náufrago em plena calmaria. O amor até mandou suas marolas mas nada que me fizesse enxergar terra à vista. No meio da imensidão azul, sem tubarões ou sereias, pude curtir minhas particularidades e conhecer cada ruga e cutícula da minha alma.  Foi um ano que finalmente aprendi a boiar e descobri que melhor que tentar dominar o mundo é deixar que ele te empurre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto outras coisas permaneceram-se intactas como as camisas do flamengo que eu não ouso tirar do armário. O carro é o mesmo. Os quilos também. Nenhuma doença nem morte por perto. Continuo saindo segunda, usando costeleta, jogando vídeo-game e ouvindo que pareço o Rogério Flausino. Razoável para quem acredita que a nostalgia seja o primeiro sintoma da velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminada a separação das peças, parto finalmente para a lavagem da roupa suja mas antes salvo do bolso das calças os confetes do melhor carnaval que já tive, os tickets não trocados por cerveja no west show, os conselhos da primeira e única mulher que fui apenas amigo, o orgulho de me ver espelhado nas atitudes da minha afilhada e finalmente as novas metas escritas em um guardanapo,  que irei entregar ao mar em uma oração silenciosa e sincera com os pés molhados. Mas não antes de curtir o o eco deste armário quase vazio e sonhar com as mil coisas que poderão morar nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2323811317898224144?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2323811317898224144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2323811317898224144' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2323811317898224144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2323811317898224144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2008/01/o-ano-que-ficou-pra-l.html' title='O ANO QUE FICOU PRA LÁ'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-7441653583608303106</id><published>2007-12-19T22:25:00.000-08:00</published><updated>2007-12-19T22:28:07.790-08:00</updated><title type='text'>PALAVRAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;crônica publicada no site do CCRJ em 2003. última do ano. Agradeço aos meus amigos que acompanharam o primeiro ano deste blog, os desejo um 2008 bem bacana e espero contar com todos ano que vem. Volto em janeiro!bjs&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam os papéis na mesa. Tinham gráficos em disco, barra e coluna ao lado de números cheios de zero e sublinhados de bic. Era o fim de uma agência que tinha dado tantas pequenas alegrias aos seus funcionários. Não eram grandes contas mas sempre pintavam tijolinhos camaradas nos classificados e até um short-list  na Semana Internacional de Koala Lampur.   Sugeriu-se de tudo – até trabalho voluntário – mas a dona estava decidida a guardar os estiletes e réguas e começar nova vida em outro lugar. Propaganda é isso aí.&lt;br /&gt;Na segunda estariam todos com a pastinha na mão novamente, esbarrando com colegas nas salas de espera, puxando sardinha do amigo que acabou de virar sênior. O problema é que as salas estavam cada vez mais cheias de garotos com gel no cabelo,  de brincos e tatuagens, donos de uma autoconfiança  intimadora. Ao ligar para os amigos, o velho redator viu que, apesar da crise, cada um se virou como pôde. Atendimento como recepcionista, RTV em festa de 15 anos, diretor de arte fazendo silk-screen, todos com o mesmo discurso “Pelo menos estou trabalhando na área”. Mas ele não estava preocupado com isso e sim para onde iria. Quem quer um redator velho?&lt;br /&gt;Foram 40 anos criando rimas, trocadilhos e joguinhos que agora não servem para nada. Escrever livros não era sua pretensão, ser copy-desk também não, ser digitador muito menos. Aparentemente nada o daria força o suficiente para levantar da cama de manhã e achar que o dia vale a pena.  &lt;br /&gt;Para quem passou a vida lidando com problemas insolúveis era constrangedor não resolver o seu. Pensou, pensou, queimou a mufa e o um dia,  tomando uma média, surgiu o insight. Pendurou seu gancho coberto de papeizinhos no corrimão do ônibus e deu início ao  novo desafio: venderia as palavras. Dentro da sua estratégia, as categorizou como especiais – aquelas que nunca lembramos quando precisamos – e usuais – aquela que não esquecemos até sem querer lembrar.  Cada pacote tinha cinco palavras que poderiam ser sortidas ou agrupadas pelo assunto. Por exemplo, a categoria Escritório continha: “Atenciosamente”, “primeiro momento”,  “aguarde um minuto” e “estarei verificando”. Já a categoria Amante: “segunda a sexta”,  “motel”, “você é muito melhor que ela”.&lt;br /&gt;Mesmo com a idéia original passou o mês sem vender uma palavrinha sequer até que descobriu que era preciso experimentar pois as palavras também têm sabor e só quanto saem da boca temos noção do quanto são gostosas. Deu  ao motorista o “pusilânime” para ser usado com os barbeiros no trânsito e ao trocador deu  “o cash”, produto importado para renovar seu vocabulário sobre moedas e notas. Entre os passageiros distribuiu “cordialidade”, “compaixão” e  “perseverança”. A princípio alguns se negavam a receber mas ele andava com a  “insistência” no bolso e foi assim que conseguiu progredir. Vendia “pa-pai” e “ma-mãe”  nas creches, faturando uma nota com os bebês  além das  encomendas  de  “vai”, “assim”,” rápido” e “tô gozando” que as prostitutas faziam. Seu faturamento estava indo tão bem que doou “dignidade”  aos mendigos e “fiiu-fiiuu” a mulher feia. “Esperança”, “amor”, saúde” e “paz”  por mais que fossem fáceis de encontrar sempre tinha alguém precisando... Topou o desafio e melhorou a qualidade do produto. Produziu “pôr-do-sol” para os que não enxergavam e “folhas no vento” para os que não ouviam e se viu multinacional quando um inglês encomendou “o calor das praias e das mulatas cariocas” via sedex. Logo descobriu a concorrência e se apaixonou por ela. Fizeram uma sociedade com seus corações e completaram suas reticências. Ela vendia verbos, artigos e preposições, ele palavras. Surgiram no mercado “olhos brilhando”. “fascinado por ti”, “nunca te esquecerei” e outras tão meladas que só podiam ser vendidas se embaladas em papel filme.&lt;br /&gt;Esse ano o casal promete estar em Copacabana, vendendo “adeus ano-velho, feliz ano-novo”, “esse ano vou parar de fumar” e “meu regime começa na segunda”, mas de antemão deixou a quem interessar uma cortesia para 2004:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”,&lt;br /&gt;“Sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”,&lt;br /&gt;“Sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”,&lt;br /&gt;“Sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”, “sucesso”,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-7441653583608303106?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/7441653583608303106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=7441653583608303106' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7441653583608303106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/7441653583608303106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/12/palavras.html' title='PALAVRAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3200211448058723470</id><published>2007-12-13T20:29:00.000-08:00</published><updated>2007-12-13T20:35:31.787-08:00</updated><title type='text'>FÉ DE ANINHA</title><content type='html'>Com 32 anos, valia a pena apelar, acreditar, despachar, rezar, orar, ou seja lá o que for preciso para ser mãe. Foi um ano cumprindo rituais, visitando cartomantes, participando de correntes positivas e mais um final de ano frustrante chegou sem notícias boas para Aninha. Tadinha. Vivia só num sobrado e apesar de saber que seu sobrenome Souza nunca sumiria da terra, queria perpetuar o da família. Mas nunca pensou que era tão difícil ser comida, abusada, bagunçada por um cara legal.  Queria apenas que fosse alguém digno para seu futuro pimpolho se orgulhar, alguém  fotogênico suficiente para ficar num porta-retrato em cima da estante.  “Com A?... Aviador, Astronauta.  B? pode ser bicheiro mesmo. C? Caixa de banco, corista, carteiro, cozinheiro, corredor, cigano, caralho, o que não falta é homem...”. Investiu  o esperado décimo terceiro salário na sua fé em bibelôs e presentinhos coloridos que valorizavam sua esperança, também pôs em jogo a aliança de ouro da falecida avó, a peça mais valiosa do seu tesouro de chapeados;  desta vez Yemanjá não teria desculpas. Também deu um jeito no cabelo, catucou as cutículas, foi ao ginecologista - que era casado - e verificou seu problema de inflamação, um corrimento natural. Tudo OK.&lt;br /&gt; Quando os primeiros filetes de rojão romperam no céu, Aninha pulou sete ondinhas, comeu lentilha, pitou cachimbo, jogou sal pra trás, rezou para São Judas Tadeu, Maria desatadora dos Nós e Santo Antônio, ofereceu flores, molhou a testa, energizou o Karma, escreveu na areia, tocou sininho, bebeu champagne, , só faltava a embarcação para Yemanjá. Era tão grande e enfeitada que seus espelhos e perfumes da Avon refletiam a metros de distância como um globo de discoteca. Nem havia molhado seu casco por completo quando a primeira onda já arremessou a oferenda de volta. Ajeitou com carinho as alegorias  e teve que molhar o joelho para dar partida ao Cruzeiro da esperança.  Mas ele voltou.  Recolhidos seus trintetantos itens, foi novamente posto em serviço. Aninha se virou sem dar uma olhadinha, mas o menino a alertou “Tia, posso ficar com esse seu brinquedo?” Tomou coragem, encarou a maré até a cintura e teria conseguido se não fosse a onda recheada de palmas que ela jura até hoje  ter pedacinhos agarrados na garganta. Andou com seu ebó procurando um lugar mais calmo quando enfim alguém apontou a alma caridosa que levava os agrados até a escuridão do mar. Entrou na fila e viu satisfeita quando seu presente caprichado se esvaiu no horizonte. Que alma caridosa. Que homem bom. Opa! Aninha se viu vermelhinha quando o mar descobriu os cabelos loiros do moço e seus olhos verdes apontavam para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...”É ele. Meu deus, igualzinho eu pensava. Que cabeleira linda. Deve ser turista pagando promessa. Imagina meu filho, todo ano indo passar férias com o pai na Europa, falando igual gringo ...”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vinha submergindo devagar, em passos pequenos e sorriso contido. Gritou ainda longe algo como “o próximo” e no instante seguinte, se benzeu. Estava de blusa azul bem clara, agora transparente pela água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...Que nada, brasileiríssimo e temente a Deus. Quem sabe já esbarramos na Catedral de Aparecida? Olha  que sorriso bonito, gente, deve ser dentista.  Vai dar para consertar o pivô de graça e tudo.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais perto, já dava para notar a ausência do molar e de qualquer postura profissional . Mas mostrou-se disposto, com o corpo riscado por músculos bem feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Descobri! Ele é militar! Obrigado Yemanjá, não precisava ser tão gostoso. Paraquedista, piloto, marinheiro, macho... Sempre sonhei passar a farda do meu filho).&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;Ele vinha na direção de Aninha, que fez uma moldurinha improvisada com a mão para imaginar como ficaria bonito lá na sala. Pediu um trago do cigarro do amigo, baforejou para o alto contra os últimos fogos que refletiram seu bigode bem aparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Deve ser caminhoneiro. Tá no jeitão dele.  Vai chegar meu filho pela porta e eu aflita, depois de esperar meses, vou preparar aquele almoço... Olha a tatuagem dele. Pode ser também que seja motoqueiro. Essa é boa. Jaquetão e pé na estrada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava bem perto agora, a menos de 5 metros, com medalhão no pescoço e pulseira. Ele vinha falar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ai, meu Deus, tô nervosa. Que ele seja pelo menos um polícial direito ou um pagodeiro em ascensão...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-         Ficou satisfeita, Dona?&lt;br /&gt;-         Ainda não... desculpe. Fiquei, obrigada.&lt;br /&gt;-         O que você pediu no despacho?&lt;br /&gt;-         Um filho.&lt;br /&gt;-         Isso a gente resolve né? Brincadeira. Não quis faltar o respeito. Mas quando quiser alguma coisa, eu tô por aqui.&lt;br /&gt;-         Como eu te acho?&lt;br /&gt;-         Fácil. Sou o catador de latinha oficial da praia, com colete e tudo.&lt;br /&gt;-         É,... Muito honrado né?. Hoje está de folga?&lt;br /&gt;-         Não, tô de freelancer. Sou uma espécie de tesoureiro de Yemanjá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na condução, triste por ver mais uma conquista naufragar, lembrou do seu cheiro, do corpo, dos olhos verdes e aquele último sorriso de lado antes de pular novamente na água. Certamente da próxima vez que o visse, estaria ainda mais bonito, com um pivô de ouro no lugar da janelinha, no quilate exato da aliança da avozinha de aninha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3200211448058723470?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3200211448058723470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3200211448058723470' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3200211448058723470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3200211448058723470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/12/f-de-aninha.html' title='FÉ DE ANINHA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2499825636621066592</id><published>2007-12-06T05:49:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T05:51:07.008-08:00</updated><title type='text'>O ABANDONO DA MULHER QUE NUNCA TIVE</title><content type='html'>Foi no dia que a nostalgia me acordou com sussurros abafados pelo travesseiro que eu pensei nela. Sob a desculpa de ter encontrado a simetria que formava a primeira letra do seu nome nas estrelas de papel coladas no teto do quarto, me permiti desvirar o porta-retrato do coração para descobrir nós dois em um único sorriso cercados de uma paisagem qualquer. Poderia ser no primeiro chopp da minha vida ou assistindo o despretensioso filme francês de uma quinta-feira úmida. Não importa. O que estivesse projetado atrás de nós seria apenas uma justificativa, um cenário projetado em croma que escondia nosso orgulho azul de mostrar as verdadeiras cores de uma saudade sazonal. Ora desaparecia, ora invadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no meu casulo de escuridão, sem mexer as pupilas, revirei quinquilharias em mochilas e armários na necessidade de tangibilizar sua pontual presença na minha vida, mas nada restou, apenas algumas impessoais notas fiscais. Todo aquele sentimento, que pelo menos neste momento de abandono de si, eu considerava o mais valioso da minha breve história de amante, estava sob a vigilância das traças do esquecimento que já começaram a roer as datas e nomes. O contrário de sua imagem. Esta será imaculada, carimbada e catalogada nos arquivos da eternidade particular, mesmo que só retorne a ser protagonista quanto Deus me sentar na cadeira dos réus e passar toda minha história em seu cineminha particular. Caso estejamos juntos Ele irá gostar de ver nosso último encontro pois, mesmo contrário aos seus princípios – que criou o sexo com a única função de reprodução, o todo-poderoso se renderá a engenhosidade do ser humano de recriar objetos, atos e emoções, a ponto de transformar gemidos e suor em prova constante de amor. Mais que uma parceira de cama, que perde a validade quanto o dia vem, ela foi cúmplice e adversária, alternando seus coringas feitos de sorrisos, ironias e afetos, jogados numa cama apertada abaixo da janela que emoldurava uma favela carioca na plenitude de sua beleza noturna. Assim como nesta noite que aperta minha jugular sem piedade, eu também abri os olhos quando dormíamos e tentei em vão ler os recados de seu quadro desorganizado logo em frente, e deveria ter entendido ali a minha proporção minúscula no seu destino, pois no mar de papeizinhos coloridos não havia qualquer citação sobre mim. Burro que fui, no êxtase provocado pela imagem mais bonita que já vi na vida – uma mulher nua adormecida em meu peito, não fui capaz de entender que seu ressonar não eram espasmos de euforia pela conquista e sim suspiros do dever cumprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram quatro estações, um punhado de encontros, algumas dezenas de beijos e um, ou no máximo dois orgasmos, porém a distância tornava cada oportunidade de estar junto em algo inédito que devorávamos com a mesma ansiedade e lamento das últimas pipocas da tigela. A cada vez que me despedia sabia o quanto eu demoraria a vê-la mesmo tendo celebrado horas atrás uma cumplicidade gritante. Na minha intimidade eu fingia entender seu labirinto sentimental e conseguia conviver em silêncio, batendo cabeça em suas paredes até que uma coincidência ao dobrar na esquina ou esbarrar no bloco nos faria achar o rumo novamente. Foi lá, entre seus corredores intermináveis, que escondi um homem que não sou mais. Com ela, só com ela, morava a minha última esperança de voltar a ser alguém apaixonado e correto, que freqüentava roda de amigos e casa de parentes, passando finais de semana redescobrindo programas de TV, pratos de comida e novas marquinhas na pele, numa paz interior que só quem encontrou o amor da sua vida é capaz de ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a companhia das estrelinhas de papel fluorescentes que se renderam ao noturno da casa, corri com as mãos o entorno da TV até achar o celular que iluminou meu rosto amassado e revelou, no fichário virtual, seu último eco numa mensagem escrita sem emoção. “Seja feliz com ele”.Respondi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2499825636621066592?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2499825636621066592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2499825636621066592' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2499825636621066592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2499825636621066592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/12/o-abandono-da-mulher-que-nunca-tive.html' title='O ABANDONO DA MULHER QUE NUNCA TIVE'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8977283978454466408</id><published>2007-11-29T05:05:00.000-08:00</published><updated>2007-11-29T05:24:11.728-08:00</updated><title type='text'>DIAS CASUAIS</title><content type='html'>Encontro não marcado também pode acontecer&lt;br /&gt;Janela do destino que se abre com o vento dos temporais.&lt;br /&gt;Foi bom te conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligações de madrugada nem sempre são tão más&lt;br /&gt;Se tiverem acompanhadas por saudade disfarçada de preocupação.&lt;br /&gt;Vamos dormir em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconto minhas histórias, troco palavras de lugar&lt;br /&gt;Ponho aspas nas mentiras pra não te ferir, só pra te poupar.&lt;br /&gt;Meu passado é de ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os dias que nos restam sejam sempre casuais&lt;br /&gt;de carinhos mais sinceros, momentos divertidos e conquistas pontuais.&lt;br /&gt;Isso sim é amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir. É mais que uma aposta.&lt;br /&gt;Não é dizer só que gosta.&lt;br /&gt;Sentir, é outra parada.&lt;br /&gt;É saber que para ser feliz é preciso ter você e mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8977283978454466408?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8977283978454466408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8977283978454466408' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8977283978454466408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8977283978454466408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/11/dias-casuais.html' title='DIAS CASUAIS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6658046512163357825</id><published>2007-11-22T12:32:00.000-08:00</published><updated>2007-11-22T12:33:01.233-08:00</updated><title type='text'>ALMA DE SUNGA</title><content type='html'>Péssima idéia não ter bebido nada antes de começar. Agora estou aqui, fugindo dos olhos que me fuzilam, me cobram a responsabilidade de estar à frente destes cavaleiros que esperam a ordem para atacar. O tempo que demoram para afinar suas armas é interminável, irritante e preciso conter a ansiedade afinal, hoje, como todos os dias, enfrento o mundo com a voz e uma pandeirola na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio que antecede nossa primeira música parece alagar o espaço, umedecendo as costas e as mãos, e, assim como na infância, fecho os olhos e fico de costas para este mar, aguardando o golpe misericordioso da onda fresca e sonora que irá me jogar sem rumo na direção do público que assiste. Tec.Tec.Tec. É o som que mais gosto de ouvir ultimamente. Quando lá detrás Xande dá a ordem para começar, estalando suas baquetas, meu coração se precipita, entra no ritmo, dando a pista de como meu organismo deve funcionar pelas próximas horas. Penso “agora fudeu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto as primeiras palavras no microfone, repetindo mecanicamente as sílabas para, na intimidade, experimentar o próprio som da minha voz pela primeira vez na noite, repetida e potencializada, e me sinto como uma criança recém-nascida assustada ao ouvir seu próprio choro cheio de fôlego. Neste momento que aguardo a chegada daquele sujeito que fuma, com o rosto escondido na sombra do chapéu, que me chamará a sua mesa e dirá em alto e bom som para todos que sou uma farsa e minhas habilidades vocais se limitam a variações nasais de pato no cio. Só assim sairia das costas esta responsabilidade, mais pesada que a caixa de retorno e de voz, que carregamos entre resmungos e acusações de comodismo a cada show. Enquanto o homem não vem, sinalizo em gesto de jogador de futebol americano, por trás do corpo, longe dos olhares curiosos, meu descontentamento com a regulagem do reverbe, do delay, do ganho, ou de qualquer outra coisa que um dia destes aprendi o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neurastemia continua, e se mexe um botão de um lado, se vira a caixa de outro, no incômodo de pacientes na sala de espera, que dura até as primeiras palmas. A partir delas me vendo barato ao público, que oferece sorrisos a este stripper que precisa despir toda sua timidez sob luzes e lentes deixando a alma exposta, de sunga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem nos dias adolescentes de verão que abdiquei de amigas cheias de espinha e tesão para ficar trancado com o violão e algumas folhas cifradas no quarto, cheguei a sonhar em ser vocalista de uma banda, no entanto, hoje acho difícil viver sem ela. Sinto saudade destes cinco estranhos que invadem minha varanda para guardar os instrumentos, que me tiram do colo perfumado de uma mulher tatuada para encarar ensaios domingueiros numa casa que o teto cospe poeira avisando que está prestes a cair. Possivelmente se não tivéssemos tal compromisso entraríamos todos em algum elevador da vida e nem lembraríamos da gentileza de desejar um bom-dia na saída, tamanha é a nossa diferença de personalidade, porém, o único fio de lã que nos conduz ao mesmo objetivo transforma bárbaros de instrumento na mão em lordes corteses que esperam a entrada de um solo, a virada de uma bateria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos perto do fim do set e me sinto levemente embriagado com o coquetel de holofotes e acordes. O público, sempre impassível antes das primeiras garrafas de cerveja, teve mesmo tardia, uma reação espontânea e animada. Depois de tantas brigas, de tanta disputa entre MPB, rock dos anos 80 e a pauleira hard core, entendi, mais uma vez que diversidade enriquece e a unanimidade emburrece. Fizemos um som digno, criativo, particular, e respondemos a expectativa de uma estréia que faz o estômago roncar de vontade. Agradeço, apresento a todos, digo o meu nome rapidamente e os deixo finalmente se deliciar com as harmonias antes de devolver o silêncio que pegamos emprestado no início da noite. Mas ainda de costas ouço seus cochichos e uma nova canção começa. Sem uma palavra a banda diz “Aru não pára não”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6658046512163357825?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6658046512163357825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6658046512163357825' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6658046512163357825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6658046512163357825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/11/alma-de-sunga.html' title='ALMA DE SUNGA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3645077291619738802</id><published>2007-11-08T05:21:00.000-08:00</published><updated>2007-11-08T05:22:06.645-08:00</updated><title type='text'>CAIXINHA DE SURPRESAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por Héllen Dutra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Sábado à noite, iluminado pelo pratear da lua cheia no céu, convidativo ao prazer. Dá aquela vontade de sair, tomar um chopp, reunir os amigos, dançar a noite inteira, fazer qualquer coisa que permita sentir o pulsar da vida. Com o controle remoto, rodeio canal a canal da tv aberta, da tv fechada, a diferença é nenhuma, em todos eles a programação é a mesma. Passo por filmes que parecem bons, apesar de estarem sempre pela metade, novelas que não se acompanham durante a semana, mas que é possível compreender a trama assistindo a um único capítulo, e programas trash, do tipo mais Silvio Santos, impossível. É, parece que será mais um sábado perdido. Eis que acende o celular e faz aquele barulhinho delicioso. (Só quem já perdeu sábados inteiros compartilha do prazer deste momento) Oba! É convite, alguém lembrou de mim e antes mesmo de atender eu já vou correndo trocar de roupa, passar a maquiagem, encontrar a chave do carro, contabilizar a micharia que me resta para diversão...  ao abrir o aparelho, a constatação de que se trata de uma mensagem e não de uma ligação, anuncia um possível desapontamento, que não demora para que se comprove. Vamos à praia amanhã? Bj Jane. Maneiro, vamos sim, mas e hoje, não vamos fazer nada? Escrevo imediatamente. A resposta demora a chegar. Ficar olhando aquele aparelhinho mudo, esperando o bendito sinal da resposta, enlouquece qualquer pessoa. Amiga, hoje tenho uma festa de família, não vai dar, mas amanhã tá de pé?&lt;br /&gt;            Existe alguma coisa mais terrível do que o quase? Acontecer ou não acontecer, tudo bem, mas quase acontecer é terrível, deixa um travo de decepção amargando na boca e na alma. Aproveito a caixa de entrada em aberto e apertando a tecla do celular, começo a reler as mensagens antigas.“Compra sim, depois te dou o dinheiro”;  “Tá em casa? Não consigo te ligar”; “Saudades”, “Vamos sim... quando chegar, te ligo”. “Ontem foi d+, precisamos repetir em breve...” É impressionante como cada mensagem traz, com uma força quase que violenta, momentos cotidianos que por vezes até nos esquecemos de que existiram.   Como por exemplo, aquele show do monobloco que, aliás, foi divertidíssimo e movimentou celulares por pelos menos três dias consecutivos: o anterior, prefigurando a organização e a compra dos ingressos – “vamos quebrar tudo no monobloco?”, “eu compro, depois tu me dá”, “te pego às 23 h.”; o dia propriamente dito, – “Caralho, ta aonde? To cansado de te esperar”, “To passando na tua rua” –; e o depois – “Agüentou ir pra pós?”&lt;br /&gt;            Pois é, eu não tinha me dado conta de como este aparelhinho podia guardar em sua memória eletrônica tanta história de vida: a frieza da tecnologia a serviço das calorosas relações de amizade e de amor. (O que o filósofo da pós-modernidade, Bauman, acharia disso?) Os torpedos se alicerçam num pacto cúmplice onde a presença e a ausência da palavra é fundamental, pois no espaço intervalar entre o que está escrito e a lacuna que se cria no silêncio das intenções que só os correspondentes entendem, existe um imenso universo de sensações individuais, que ficam no escrito e no que ficou por dizer. Basta ler “pegar o 260 e soltar na C&amp;amp;A.”, para lembrar daquele domingo chuvoso no Méier com a Janaína que foi engraçadíssimo; ou ainda ler “põe o vinho pra gelar!”, (seguindo de uma carinha de animação) para lembrar do coração apertado, ansioso pra contar um segredo para o Ralph. E apenas um “saiu”, vago e reticente, enviado pela amiga no meio do expediente, é capaz de te fazer dar saltos de alegria. Poxa! É aquela promoção que ela tanto esperava... saiu... e ela quis dividir este momento único comigo. Me impressiono com o quanto de intimidade estes pequenos escritos escondem.&lt;br /&gt;            Fico a pensar em como os amigos se entendem perfeitamente, em como as palavras são insuficientes para expressar momentos, em como o vazio é significativo, em como é bom ter vivido problemas, pois eles nos dão a possibilidade de receber verdadeiras declarações de amor em ônibus, na sala de aula, no mercado, em qualquer lugar, que se tenha um celular com créditos. Ler um “to do seu lado, te ajudo a vender bala no trem”, enviado pelo Aru, no momento de desespero em que se jogou o mestrado pro alto, acalma o coração; assim como ler um “vamos pra Lapa hoje?”, anima a noite porvir; ou ainda um simples “eu te amo”, da irmã que acaba de compartilhar com você a comprar de seu primeiro carro, pode te fazer disfarçar as lágrimas em pleno calçadão de Madureira.  E ainda quantas lembranças amorosas guardam o verbo “cheguei”, enviado de madrugada para o amante? Como um mosaico, a caixinha de entrada do celular é capaz de contar o mais essencial da vida de cada um de nós, guardada nesta memória que ninguém duvida que seja quase humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3645077291619738802?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3645077291619738802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3645077291619738802' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3645077291619738802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3645077291619738802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/11/caixinha-de-surpresas.html' title='CAIXINHA DE SURPRESAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-4805085466603524273</id><published>2007-11-01T12:07:00.000-07:00</published><updated>2007-11-01T12:09:04.739-07:00</updated><title type='text'>BICUDOS QUE SE BEIJAM</title><content type='html'>Quando ele disse que não tinham nada a ver, ela chorou porque sabia disso. O signo, os gostos, os valores, com o tempo tudo foi ficando diferente. A única coisa em que combinavam naquela terça-feira de carnaval, era a fantasia de cupido com asas, túnicas e flechas, que ela até desejou que fossem verdadeiras, para que o atingisse sumindo na multidão. Mas era tarde demais para agir, e lá foi ele abraçado à amigos e garrafas. Presa fácil para a diaba que cobrava pedágio de quem passasse. Deu um beijo sarrado nela, que saiu consertando o batom e recontando o vigésimo do dia. Ainda zonza, esbarrou no garçom negão estreante no carnaval depois de anos de celibato. Faziam poucos dias que havia abandonado a vida de seminarista, o que não tirou sua habilidade de tê-las de bandeja. Na verdade, quando encarou o desejo de chifre e rabo, nem teve tempo para se benzer, gostou tanto que ainda terminando a bitoca já avistou a segunda freguesa. Não tardou para ir atrás da enfermeira de shortinho que passeava com suas amigas. A estrutura frágil, de menina rica e protegida, pôde sentir pela primeira vez o tal sangue quente dos negros. Sua brancura imaculada foi explorada como nunca, e o sexo se tornou questão de tempo - mas não com ele. Girou entre os blocos, escolheu o mais bonito dos índios que desfilavam na rua principal e, os últimos minutos da virgindade ficaram na sua cabeça por muito tempo, assim como os grãos de areia embolados entre os cabelos. Não estranhou quando o índio galã saiu para mijar e não voltou pois sabia que ele procuraria outras com mais experiência. Na verdade, sexo fazia parte da sua rotina de gigolô e, aquele dia era o único que não cobrava. O ritmo de trabalho viciou o homem e, mesmo somando carícias, beijos e chupões ainda faltava caçar alguém. O índio a achou quando foi comprar cachaça no quiosque, bêbada, atrás do balcão. A galega, mulher do português, afogava sua frustração de estar trabalhando enquanto o marido se perdia por aí e nem percebeu que era uma desculpa, daquele Deus Tupã, a reclamação sobre a porta do banheiro. Foi empurrada para dentro, derrubando o cesto de papel higiênico e sua postura de mulher casada. Deixou ser explorada até o ponto certo que garantiria a volta dele por muitas vezes. Enquanto isso, foi saciando seus pequenos desejos e, ali mesmo, dez minutos depois, na frente dos clientes, a lusitana agarrou o cabeludo vestido de Tarzan e, com direito a pegadinha no cipó e tudo, o descartou em seguida. Mal sabia o quanto era carente aquele homem, retirado em casa quase todo o ano, vivendo sem qualquer vício urbano, aliás tinha apenas um, o Flamengo era sua maior alegria, tanto que havia andado atrás das jogadoras ninfetas por toda noite. A única a lhe dar bola era a baixinha botafoguense que o surpreendeu na primeira oportunidade, com delicadeza e inteligência. Logo, o escudo rubro negro tatuado no seu peito, beijou a estrela solitária do uniforme, quando se abraçaram pela primeira vez. Namoraram anos, se casaram e o Tarzan Flamenguista, até hoje não sabe que nos únicos segundos em que esteve distante do amor da sua vida para comprar cachorro quente, alguém lhe roubou um beijo, alguém com três vezes mais altura e nem a metade da sua paixão. Um Sujeito magricelo, que combinava com a fantasia de morte, tinha dedos de juntas grossas e carinhos rápidos que deixaram a menina imóvel. Sumiu pela sombra do trio elétrico todo bobo, pois nunca, nos seus 15 anos, havia beijado alguém. A cara maquiada ajudou a disfarçar o excesso de espinha, preencher a falta de barba e esconder seus olhos curiosos e infantis. Mesmo tomando bronca da mãe por ultrapassar o horário marcado, tinha prometido pra ele mesmo que tudo seria diferente do ano passado, quando era muitos centímetros menor. Tomou o caminho de casa pensativo, contando pra si as aventuras e só foi interrompido pelo próprio coração, ao ver os olhinhos molhados de um anjo. Com palavras sinceras a acolheu e recebeu um beijo lento e sôfrego de recompensa. Se distanciou encantado pelo momento, enxotado por ela que queria ficar só. Por mais que tentasse esconder, ainda era uma mulher apaixonada e, só ele a faria feliz, com suas asas desencaixadas e auréola de arame. Enquanto beijava a morte, pensou nele, e jurou ter sentido o gosto da sua boca. Tarde demais para lembranças, já tinha se convencido que a diferença era grande e que os opostos nunca se atraem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-4805085466603524273?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/4805085466603524273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=4805085466603524273' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4805085466603524273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/4805085466603524273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/11/bicudos-que-se-beijam.html' title='BICUDOS QUE SE BEIJAM'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5240981155786033186</id><published>2007-10-25T05:13:00.000-07:00</published><updated>2007-10-25T05:15:00.660-07:00</updated><title type='text'>A IMAGEM DE VÊNUS</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Héllen Dutra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O vento crispava na vidraça, Rebeca percorria o salão principal, não a olhar, mas a sentir o cair da chuva, martelando na calçada de cimento. O balé das árvores lá fora dava a ela a impressão de uma dança macabra, ritmada pelo assoviar agudo da tempestade. Toda paisagem era molhada, de uma umidade doce que trazia o cheiro de manacá, impregnando os póros de uma saudade, era mais melancolia de uma planta roxinha que enfeitava a fachada da casa de vovó. Como era linda aquela arvorezinha, quando florida, alegrava todo o jardim e fazia a festa dos primos que arrancavam uma a uma as flores para presentear as primas mais jovens. Já que primos não eram irmãos e podiam namorar. Isso era o que pensava a criançada, diferentemente dos adultos que sempre espreitando a brincadeira, preocupavam-se com os beijos escondidos atrás dos rotundos troncos. Sempre era possível rolar na grama ou abrigar-se à sombra das imensas árvores que cruzavam seus galhos no ar. Era bonito ver o apoiar de um galho no outro que roçando de vez em quando as folhas, confundiam-se como uma coisa só. Havia várias trilhas cortando o jardim, caminhos tortos, irregulares que sempre nos levavam a lugares iguais, mas ao mesmo tempo diferentes; caminhos que convidavam a deliciosa tarefa de perder-se e achar-se a qualquer hora do dia. &lt;br /&gt;Ao ocasional toque no braço, Rebeca voltou a observar o quadro de Velázquez, aquela imagem de Vênus, a deusa do amor e da sensualidade, mirando-se no espelho quebrou em fragmentos eternos a memória da infância. Como o estridente barulho do despertador cessa a noite tranqüila de sono, a realidade intimou a volta. A imagem das curvas sinuosas, das costas alvas e brilhantes, das nádegas de uma perfeição algébrica da deusa grega, levaram Rebeca a querer tatear os becos íntimos de seu próprio corpo. Ao primeiro toque, suas mãos não ousaram prosseguir, a sobressalência do rosto enrugado era desanimadora. Com a língua provou, nas comissuras dos lábios, o amargo do passar do tempo. Continuou a caminhar e se deparou com um espelho imenso que parecia multiplicar em mil vezes sua imagem. Agora, não mais a Afrodite, mas apenas ela, Rebeca, a olhar-se no espelho.  Olhou, olhou, olhou de novo. Em que milímetro de seu corpo estaria aquela menina solta, alegre da vida? Aquela moça rendida a amores? Não achava vestígio algum, nem de longe. Seu olhar percorreu o cabelo acaju, as maçãs do rosto, se reteve um pouco mais no pescoço e escorregou até a banal silhueta criada pela blusa social preta e a saia jeans. Parecia outra ou era outra? Aquela imagem a repugnava. Como uma estranha, pegou o casaco, o guarda-chuva, olhou-se uma vez mais e caminhou resignada em direção à saída. Fora da galeria, seguiu reto, dobrou a esquerda, parou em frente ao sinal de trânsito e esperou o vermelho virar verde.  Lembrou ainda que não tinha descongelado o frango e, por isso, o jantar daria mais trabalho para ser preparado. Talvez fosse melhor ir ao mercado, comprar algo pronto, um enlatado qualquer, ou poderia fazer um lanche. Para que jantar? Queria mesmo era ficar ali a vagar pela rua, observando os pingos de chuva a tilintarem no asfalto.&lt;br /&gt;Não agüentava mais aquele insuportável cheiro azedo de mofo que emanava de tudo em sua casa. Os móveis, testemunhas do tempo, descascavam como pele estriada de cascavel. O ranger do assoalho em ruínas denunciava cada passo que ousasse interromper o silêncio mórbido. Desde a janela impregnada de gordura humana até as teias de aranha que decoravam as paredes pardas, tudo ali lembrava abandono. O marido, mais um acessório da mobília, confundia-se com os bibelôs da estante na impassividade e na cafonice. Não se sabe se por asco ou, apenas, por impotência exitava em tocá-la. Seu corpo magro, enrugado e fedorento de mulher passada do prazo de validade, há muito não recebia o bom quente do calor de nenhum outro. Não se incomodava com isso, não precisar assistir ao espetáculo de sua flacidez generalizada era mais um prêmio do que um fardo.&lt;br /&gt;Mesmo ao verdear do semáforo, Rebeca permanecia estática, inebriada pelo tom limão florescente que criava uma iluminação toda diferente nas poças de água, quando foi surpreendida por um gelado na nuca e um sussurro no ouvido. Segue sem olhar pra trás, foi a ordem que ela imediatamente atendeu. O coração aos pulos, quase arrebentava as veias que recebiam o forte bombear de sangue nervoso, a respiração ofegante fazia os seios arquearem pra cima e pra baixo na blusa molhada, num ritmo quase latino. Seguiu por uma viela e foi atirada contra uma parede pichada, num beco escuro que ela nem sabia que existia naquela cidade. Uma mão com violência arrebentou todos os botões de sua blusa, mostrando o velho sutiã bege. Com uma voracidade de animal no cio, sentiu o sugar no bico do peito que começava a irrijecer-se não mais pelo frio, do que pelo toque da língua molhada e quente que subia e descia numa fricção louca. Fez tenção de gritar, tentar correr, pedir ajuda, mas um puxão de cabelo e um soco a fizeram calar.&lt;br /&gt;Caída no chão, arrastou-se o que pôde, mas a força do outro a impedia de qualquer fuga.  Molhada, sentiu o entrar violento que fendia sua carne, a principio relutante, mas que, ao contato abrasador da pele do outro, relaxou desejosa. Num preenchimento quase que total, sentiu agulhas picarem todos os espaços de seu corpo, criando uma dormência que paralisava a alma. Foi envolvida por um cheiro acre de cachaça misturada com perfume barato e suor operário – cheiro de macho. Abriu os olhos e contemplou a barba por fazer e a achou bonita tanto quanto à cicatriz do braço direito. A cada arremetida, sentia o abrir de seu corpo exatamente na mesma proporção da ferida em seu ventre, que rasgado pelo canivete, fazia jorrar um sangue grosso, fervente, vermelho-negro que pintava sensualmente suas coxas. O cheiro de manacá a embriagou, quase como um ópio, ficou de novo menina, deitada na relva fresca do jardim de vovó, olhando a infinitude azul do céu. Na última investida do membro, que coincidiu com a facada fatal, foi toda ela banhada por um líquido viscoso que encharcava da cintura para baixo. Experimentou o vazio da saída. Ainda teve tempo para encurvar um pouco a cabeça para o lado na tentativa de gravar na memória a última imagem daquele homem, deparou-se, no entanto, com seu reflexo na poça d’água, como um espelho, fixou o olhar já turvado e confuso pela perda de sangue e pode ainda ver a imagem de Vênus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5240981155786033186?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5240981155786033186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5240981155786033186' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5240981155786033186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5240981155786033186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/10/imagem-de-vnus.html' title='A IMAGEM DE VÊNUS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8240356717862995789</id><published>2007-10-18T06:15:00.001-07:00</published><updated>2007-10-18T06:15:59.263-07:00</updated><title type='text'>O SÓTÃO DE NINA</title><content type='html'>Nina nunca teve gato, nem cachorro nem peixinho. Mas teve marido, que considerava seu melhor companheiro até que o descobriu chumbado ao corpo de outra, numa cama suja qualquer, surpreendido no meio do papai-mamãe, cujo rosto da dona ninguém jamais voltou a ver, tamanho foi o estrago feito pelas balas do revólver de seu amante ciumento. Para Nina, sobraram além da notícia impressa no jornal popular e uma pensão micha de cabo do exército reformado, o arrependimento de não ter filhos com ele, e agora, em seus quase cinqüenta, com mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito difícil para a mulher que entrega seu destino na mão de um homem, reencontrá-lo novamente no meio dos escombros de um falecimento. A casa e rotina construída por ele eram as únicas coisas que Nina tinha e tratou de preservá-las. Repetia a arrumação das roupas, as marcas de shampoo e os horários de evacuar, como se pudesse guardar dentro da caixa de sapato o eco de suas ordens. Durante três anos, oito meses e dois dias foi assim, até que Deus resolveu mostrar para Nina que somente Ele podia controlar o tempo e as coisas e mandou a natureza fazer-lhe uma visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitada sob a manta azul quadriculada, de olhos arregalados mirando o lustre do quarto que pendia do teto como um brinco gigante no meio do breu, a senhora sentia o pulsar do seu sangue cutucar-lhe os tímpanos, tamanho foi o susto quando ouviu barulhos no telhado. Sua primeira impressão foram passos de um ladrão estabanado, mas a intermitência do ruído e o agudo estridente não deixavam dúvida: tinha uma ratazana no sótão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina sempre foi pobre, mas como única filha de uma leva de rapazes, recebeu tratamento de condessa, naquela época resumido a um pouco mais que presentes só para ela e um quarto com detalhes rosas e bonecas de olhos de botão. Nunca fora educada a ter atitude, pelo contrário, sua mãe cansava de repetir-lhe que a mulher na sociedade nunca deveria destacar-se mais que o homem. Por isso, aquela mulher solitária, prostrada em uma cama de ferro, com olhos arregalados como dois camafeus, simplesmente ignorou as evidências do bicho asqueroso no telhado, assim como fez com o batom no colarinho e o cheiro de conhaque barato no ronco do seu marido. Desta vez, porém, não havia amantes ciumentos em seu sótão e a ratazana parecia cada vez mais à vontade em sua nova casa. Sapateava com as unhas afiadas pelo forro de madeira a ponto de vazar-lhe poeira pelas juntas, que desciam do teto como a areia escoa pelas ampulhetas, sujando os bibelôs da cama. Também arrastava seus alimentos encarniçados durante o dia lá pra cima, tornando as madrugadas de calor pestilentas em qualquer cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os calouros que moram nas repúblicas precisam se ajeitar às novas regras de convívio, Nina foi abrindo mão dos prazeres que tinha perante a ameaça indestrutível no telhado. Sem seus hábitos, último dos quesitos que lhe davam uma certa individualidade, a moça anulou-se completamente, pois, se existia algo mais impenetrável que a rotina conservada após a viuvez, era seu papel de vítima indefesa praticado por toda a vida, com voz fraquinha, cor pálida e sorriso sem firmeza em qualquer fotografia. As orações, as 12 horas bem dormidas e a esperança diária de sonhar com as mãos quentes do seu homem entre o ventre a coberta foram substituídas por calmantes, antes cortados com a faca, agora mastigados como chicletes. A limpeza da casa, indiferente frente ao futum que o bicho deixava, foi substituída pelo spray desodorizador de ambientes tornando o ar tão grosso que era difícil entrar pelas narinas. O sol também foi expulso da casa, graças ao papel pardo colado nos vidros que impediam o despertar prematuro do sono quando este finalmente chegava. Nina não dormia mais no quarto, mas em qualquer lugar que pudesse recostar. A falta de pudor, que temos mais pelos outros do que por nós mesmos, fazia da moça um maltrapilho vestido apenas com pijamas velhos todo o tempo, jantando e almoçando enlatados que nem percebia estar fora da validade, por estes não exprimirem nem cheiro nem gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior repugnância que poderia existir naquela casa de fundos tão igual a qualquer outra casa de fundos em qualquer bairro de qualquer periferia do mundo, não morava no sótão da casa de Nina, mas sim dentro de algum cômodo escuro de sua consciência, pois, durante toda a existência, não percebeu os andares de sua personalidade, a bipolaridade de seus sentimentos. Ao mesmo tempo que sentia um ódio colérico pelo animal,  por atrapalhar seus dias iguais, cagando e roendo seu vestido de noiva e outra lembranças que entocou no local, sentia gratidão por ele, a quem pôde novamente entregar as rédeas de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina despediu-se do mundo no dia do 5o aniversário de falecimento de seu marido, dando a ela o falso status de mulher que morreu por amar demais. Indiferente, a ratazana teve filhotes e seguiu seu rumo, instintivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8240356717862995789?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8240356717862995789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8240356717862995789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8240356717862995789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8240356717862995789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/10/o-sto-de-nina.html' title='O SÓTÃO DE NINA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-315554101393632887</id><published>2007-10-11T06:47:00.000-07:00</published><updated>2007-10-11T06:50:06.261-07:00</updated><title type='text'>MICROONDAS, TALVEZ NÃO</title><content type='html'>Por Héllen Dutra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Só se passaram 91 dias do meu último adeus. Marcado por lágrimas, soluços e súplicas que não foram suficientes para reter, a areia a escorrer pelos meus dedos, o homem que, há mais ou menos nove anos, eu escolhera como o parceiro da minha vida. Desde então o que faço é me adaptar. Me adaptar a morar sozinha, me adaptar a fazer compras, equilibrar contas, cozinhar para uma pessoa só, escutar o silêncio da noite que não passa,do fim de semana que não se agita, da televisão monótona na sala, dos latidos estridentes e reconfortantes dos meus cães que denunciam haver vida além da minha, me adaptar ao telefone que não toca, ao barulho do rato no forro da casa, me adaptar a torneira que pinga e cadencia o escorrer das minhas horas vazias, me adaptar a estar sozinha com os meus dias, sozinha comigo.&lt;br /&gt;            Aprender a me conhecer tem sido um desafio diário: dormir até a hora quero, lavar a louça, se der vontade, sair sem hora pra chegar, não dar satisfações, dançar na Lapa até cair ou sair para beber em plena segunda-feira. Nesse mar de coisas novas a que eu preciso me adaptar, está o fantástico mundo dos solteiros. Trocar um olhar, trocar um beijo, pode virar telefonema no dia seguinte ou apenas sexo na mesma noite. De uma forma ou de outra, vai ser difícil mais do que isso. Me pergunto: por que essas pessoas têm tanto medo de se relacionar de verdade? Conhecer o outro mais do que no superficial, se permitir embrenhar no labiríntico ser que cada um de nós se constitui, se decepcionar sim, por que não? Faz parte do que chamamos de vida.  Conhecer a si mesmo é um processo que necessita da presença do outro, pois é no intermédio entre o que sou e o que o outro é, que nos encontramos.&lt;br /&gt;Os homens com quem eu tenho cruzado ou que têm cruzado o meu caminho, nesta minha solteirice, parecem sair de uma escola, cuja cartilha prega que o prazer está na novidade e não na intimidade. Intimidade requer a paciência de conhecer o outro. O maior número possível de parceiros vai trazer experiências fugazes. Experiência vem de experimentar e experimentar várias coisas pode ser menos instrutivo do que experimentar a mesma coisa, buscando diferentes ângulos de apreciação. Me parece, e isso serve para homens e mulheres, que a única coisa que se quer dos relacionamentos são os bônus, o que mostra uma extrema imaturidade de nossa geração, já que todos sabemos que os ônus são intrínsecos aos bônus, inclusive na materialidade física das duas palavras. Eu, na minha ainda cabeça de mulher recém-divorciada, custo a entender como a aquisição de experiência se funda na quantidade e não na qualidade. Experiência que eu chamo de líquida, volátil, pouco aproveitável.&lt;br /&gt;            Como curiosa investigadora dos comportamentos afetivos na pós-modernidade, com base numa filosofia, discutida geralmente em botecos às tantas da madrugada de sábado com bastante cevada nos neurônios, percebo uma diferença natural entre homens e mulheres. Nós não temos medo de nos apaixonar, aliás, acho que a progesterona causa amolecimento agudo do miocárdio. Se gostamos do carinha, esperamos o telefonema no dia seguinte, repassamos mentalmente os detalhes do último encontro, não exitamos em pensar nele quando toca uma música romântica; se temos programa para o fim de semana, queremos convidá-lo e convidamos (ou tentamos se o telefone não der desligado ou se ele simplesmente não  atender porque é fim de semana). Mandamos mensagens carentes em manhãs de chuva ou excitantes em noites de luar. Para ficarmos assim totalmente apaixonadas não precisa de muito tempo, uma semana, às vezes, é suficiente. Isso porque não somos apenas ansiosas, temos a urgência da paixão. Até corremos o risco de sofrermos mais, porém este é o preço que se paga por ter um útero. Ou acham que não faz diferença na vida de um ser humano o poder de gerar um outro ser nas entranhas. Somos naturalmente intensas. Sabemos, porque trazemos na veia o antigo ofício de cozinhar de nossas ancestrais avós, que é preciso, para apurar o sabor dos alimentos, cozinhar em fogo brando, porém nunca deixando de mexer. Mexer é fundamental, provar também. Toda cozinheira sabe que nada melhor do que aguardar ansiosa o prato ficar pronto.&lt;br /&gt;            Ter vários encontros numa mesma semana pode ser legal. Até quando?  O namoro acontece naturalmente? Sim, mas eu não conheço rosa que brote em jardim algum (mesmo com a melhor terra) sem que primeiro seja plantada uma sementinha e que se regue todos os dias. Para que se descubra namorando, é necessário um mínimo de investimento, senão o que se tem são relacionamentos de finais de semana, que deixam um vazio na segunda-feira. Com medo de monótonos domingos de casado, tem-se apostado em monótonos sábados de solteiro.&lt;br /&gt;Meu bom de verdade, e não tenho medo de assumir, é dvd rolando, pipoca estourando e intimidade no edredom. É ligar com saudade, abandonar o orgulho e pedir desculpas, passar a noite em claro ensaiando um sermão ou passar o dia refletindo sobre a ultima bronca. Transar no elevador ou no carro também é legal, mas é a paixão, e não a aventura, que garante o prazer.&lt;br /&gt;Se passaram 91 dias que eu perdi o último amor, mesmo com o coração sangrando ainda e com uma marca indissolúvel que só um grande amor deixa na alma, não abro mão de sentir o friozinho na barriga, de ficar ansiosa por um telefonema, de comprar um vestido decotado e uma lingerie preta para o próximo encontro. Não abdico do prazer de me apaixonar sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-315554101393632887?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/315554101393632887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=315554101393632887' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/315554101393632887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/315554101393632887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/10/microondas-talvez-no.html' title='MICROONDAS, TALVEZ NÃO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-2688814847361260665</id><published>2007-10-04T11:22:00.000-07:00</published><updated>2007-10-04T12:45:11.784-07:00</updated><title type='text'>MULHER MICROONDAS</title><content type='html'>Já se passaram 365 dias depois daquele fatídico adeus. O último namoro foi embora e levou com ele qualquer vontade de recomeçar tudo de novo. Se a ressaca de bebedeira fosse tão marcante quanto o fim de um relacionamento, não existiria o A.A. Terminar uma relação, abandonar uma mulher com olhos afogados e o coração no final da efervescência, sem ao menos poder confortá-la, fica no sangue, dói na alma para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser dono da minha própria órbita foi a grande lição. Abusar da falta de planejamento e sair e chegar sem rumo, sabendo que o único comprometimento que tenho é comigo mesmo, foi o primeiro passo para me conhecer. Como uma adolescente que apalpa seu corpo na procura de novas sensações, palmo-a-palmo me deparei com as debilidades e exclusividades que carrego, mapeando quem realmente sou e não apenas quem eu achava que era. O romântico inveterado, que expunha seus sentimentos no varal da janela, cedeu lugar para becos úmidos e mal iluminados onde nem todo mundo tem coragem de entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o amor agora se disfarça com capa-preta e se mostra tão difícil de acertar quanto cesta de três pontos, a lucidez escancara os prós e contras de cada relacionamento. Assim como o flash da máquina fotográfica revela as rugas e acnes, a racionalidade deixa tudo tão sem graça quanto os muros das fábricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último movimento de translação da terra, muitas foram as tentativas, porém as poucas que valiam a pena esbarraram na natureza cronológica das mulheres. Penso que as moças da minha idade, em sua maioria, possuem uma pressa de não sei o quê, como o coelho do país das maravilhas. Na idade da afirmação, onde o trem de pouso começa a fazer menção a subir, o mundo feminino se vê de frente ao desafio de equilibrar suas prioridades na ilusão de deixar para a próxima década de sua vida tudo tão arrumado quanto armário de militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o tempo do casamento com seu espreguiçar lento de domingo de manhã e o tempo da adolescência, tão cítrico e contrastante com suas emoções, a geração pré-balzaquiana erra a medida dos seus ternos, a fermentação de seus vinhos e transforma a procura pela pessoa certa em um jogo cronometrado de programa de auditório. Mesmo vislumbrando um horizonte infinito de novas mentalidades, estas deveriam aprender com suas avós, no antigo ofício do simples cozinhar, o procedimento necessário para reencontrar o amor. Já fui congelado por elas. Já fui engolido por elas. Já fui raspado do prato por elas, que se alimentam das minhas intenções em pé no balcão. Será que não existirá mais ninguém capaz de perceber que as pessoas são como bacalhaus e quanto mais relacionamentos frustrados viveram, mais se preservam chafurdando os sentimentos no sal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada fim de relacionamento destes, me sinto recém-saído do microondas, que deixa tudo torrado por fora e cru por dentro. Prometi a mim mesmo que nunca mais ensinaria a lição básica que deveria vir ilustrada nos cadernos do primeiro grau. Namoro não é uma esmola, é uma conquista. Não se pede ninguém em namoro, simplesmente descobre-se já namorando. Diferente da época que eu acendia um novo amor no outro, hoje vejo que relacionamento não é um título na bolsa de valores e sim uma experiência acumulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tempo de amolecimento, de cozimento em banho-maria, é tão necessário quanto o girar completo que o boxeador faz para estudar seu adversário, afinal é ali, no travesseiro ao lado, que você pretende ancorar sua nau, descer seus mantimentos e explorar as regiões mais íntimas do seu companheiro, e nesta eterna procura pela ilha certa, a ansiedade crispa o mar, chacoalha as velas e afasta as esperanças do cais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto este alguém não toca a campainha, não cruza as avenidas dos meus olhos nem tropeça nas sinuosidades das minhas palavras eu fico aqui, como uma estação de metrô das grandes cidades, que ora existe deserta, ora não consegue comportar tudo em seus vagões que nunca esperam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-2688814847361260665?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/2688814847361260665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=2688814847361260665' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2688814847361260665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/2688814847361260665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/10/mulher-microondas.html' title='MULHER MICROONDAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6122272067858773097</id><published>2007-09-27T12:10:00.000-07:00</published><updated>2007-09-27T12:11:23.965-07:00</updated><title type='text'>VULGARMENTE SECRETÁRIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto resgatado de 06/08/2002.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tempo em tempo, minha tia passa o dedo nos cantos inóspitos da estante e descobre trilhas de poeira, faz uma cara de reprovação e vai andando e reclamando até sumir pela imensidão da casa. “E não tem jeito”, digo pacificando “empregada é assim mesmo”. Elas chegam por indicações das mais variadas, no entanto, reúnem as mesmas qualificações de currículo: “É honesta e trabalhadeira”; “é superlimpa e discreta”; “acho até que é crente”. E numa mistura de critério de admissão e mercado negreiro, são contratadas. A partir daí segue uma trama de competição e traição que acirram mais a rivalidade. É a mulher moderna que aprendeu a valorizar seu trabalho e desvalorizar o dos outros contra a menina que vê tudo e não tem nada. Na verdade está em jogo a vaidade feminina e a ignorância do homem em achar que só da sua maneira é que dá. “São profissionais”, lamenta a moça no caixa me contando seus infortúnios. A dela foi pega em flagrante, tinha um mini-mercado na bolsa: limpeza, cama, mesa e banho, alimentação, perfumaria, tava tudo ali. E quando questionada, estufou o peito com o restante da dignidade e disse: “o papel higiênico eu trouxe de casa”, pegou as coisas e foi, sem remorso, em busca da próxima vítima. Levam orégano, porta-retrato, CD do Belo, vale até roubar o pedigree da patroa, se passando por ela na hora de atender o vendedor . A mesma que pode tornar a vida das patroas num inferno, pode levar almas cheias de espinha e vergonha aos céus. Nada de caridade com o rapazinho, afinal para ser rainha é preciso começar a investir no príncipe, que mal levantou do troninho e já quer encarar o banquete. E a mulher que cabia nos buracos das fechaduras se mostra perigosamente insaciável, querendo mais e mais... Faz parte da vida ficar febril por elas, seja que idade for. Com a vida já encaminhada e o coração abrasado, o marido faz sua dieta sexual com sucesso, relê na cama o álbum de figurinha repetida na esperança de encontrar o detalhe que faça a diferença, suas formas também perderam a imponência grega de antigamente e as brigas acrescentam diariamente uma parede para o labirinto chamado esposa. Então aparece dentro de casa a solução, boa bonita e barata, e lá se vai o marido, o pai das crianças, rebocado pela mulata reboladeira. É inexplicável a complacência do homem com a empregada, se arranhar o esmalte do dente da esposa o cara já olha para ela meio atravessado, em compensação, se a moça tiver uma janelinha no sorriso, tudo bem, ninguém é perfeito. “Cravo, celulite, verruga e perna cabeluda só a esposa que tem” finalizou minha prima, novamente solteira. Passado o período de experiência, implicância, cleptomania, sexo, suor e lágrima, começa-se a colher frutos da erva daninha. Tudo funciona direito e seus dotes passam a ter admiração da família, vira pauta nos jantares, e com o tempo ninguém consegue viver sem a secretária do lar. Os pares de meia, a baixela, o vestido azul, só elas conhecem seu paradeiro. Também tem a malandragem, em casa de nanico não se limpa em cima do armário, de míope não precisa desembaçar os vidros, de solteiro é só por tudo no lugar e jogar um cheiro. Assim seguem felizes. Mal acabou de limpar o dedo sujo de poeira, minha tia foi abordada pela secretária lá de casa, que contava com empolgação, as últimas notícias da vida alheia. Tática, nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6122272067858773097?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6122272067858773097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6122272067858773097' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6122272067858773097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6122272067858773097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/09/vulgarmente-secretria.html' title='VULGARMENTE SECRETÁRIA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-803083718161723390</id><published>2007-09-20T06:31:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T06:34:04.962-07:00</updated><title type='text'>CASA NA ÁRVORE</title><content type='html'>Ufa, acabei de despachar o último job às 18:30. Tirei disfarçadamente o tênis, malocando-o entre as CPUs e arrisquei uma caminhada até a recepção. Tudo tranqüilo. Sem clientes e diretores por perto, foi fácil me presentear com um pequeno capricho. Jornal sensacionalista na mão e, na primeira risada que dei, Plin! Chegou trabalho novo pelo email. Acabou a farra, malandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrida pelo próximo centavo do varejo transformou as agências - especialmente as pequenas – em empresas mais burocráticas que fechamento de conta corrente. Funcionando no gargalo dos custos fixos e variados, o ritmo interno é ditado pelo bumbo que puxa o bloco na ladeira. Em todos estes ambientes de trabalho, redator e diretor de arte sentam juntos. Na hora do almoço, claro, que já consta na planilha do tráfego como “processo de criação”. Infelizmente o que sai na ponta da máquina em geral é trabalho pasteurizado, tão indistinguível um do outro como o doce e o salgado do biscoito Globo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica do quanto-mais-melhor afasta muito o criador do seu instinto natural, o mesmo que levava os ratinhos para o local certo no livro “quem mexeu no meu queijo?”. As visitas em site são podadas, os horários seguidos na risca e, na verificação do celular que grita uma mensagem de pagamento, sente-se a ameaça silenciosa da mão-de-ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem dera o futuro da profissão se resumisse a maquiavelice de um ou outro diretor de propaganda. O que se configura no horizonte é uma nuvem ainda mais negra. Na ausência de gente de negócio disposta a apostar suas economias no longo e árduo processo de construção de marca, sobram atendimentos obedientes que transcrevem à risca os pedidos de “leve agora”, “quem ganha o presente é você” e “qualidade e menor preço”. Como contrapeso de tanta poluição visual e auditiva veiculada, as agências investem em si, no espaço físico, nas inovações high-techs, nos prêmios perecíveis e na mudança do seu próprio discurso a cada vez que a bússola varia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um destino certo: quanto mais se busca solidez nessa área, mais engessado os trabalhos ficam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado a traduzir seus valores para os olhos de São Tomé dos empresários de hoje em dia, o diretor de propaganda não vê saída e se tangibiliza. Abre escritórios em outros estados. Contrata nomes de peso. Aluga andares inteiros de um prédio comercial. Tudo para fazer vista ao mercado e, no entanto, acaba esquecendo de algo, que diz pelos quatro cantos, ser o maior ativo de qualquer negócio: sua própria marca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos áureos sonhos de garoto em busca da profissão, imaginava os escritórios da minha área como uma casa na árvore e não como um quarto de menino criado por vó. Saem os brinquedos de pilha e entram as idéias, saem os joguinhos de vídeo-game com começo, meio e fim, e entram as travessuras de rua, cheias de riscos e êxitos. Na casa da árvore nem é preciso dar ordem pois todos fazem pelo tesão de se manter ali, no topo. Não existem cargos e funções, todos colaboram com sua vocação natural. Os prazos são dados pela noite que cai ou pela chuva que invade as ripas mal emendadas. Se a casa desmorona, reconstroem-se quantas vezes for necessário, pois a crença daquele ser o melhor lugar no mundo já mora no coração de cada criança ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novidades invadem a nossa praia em propaganda, que surfa nos conhecimentos de marketing e suas ferramentas. Marketing de guerrilha, viral, comunicação interdisciplinar, por conteúdo, integrada, assim como a volta dos modelos hot shops, bureaus criativos mais preocupados com resultados que inserções, trazem aquela brisa de renovação idêntica a que soprava no barraco de madeira em cima da mangueira. Naquele tempo, o tal vento fresco era sinônimo de pipa em ascensão em um céu de brigadeiro. Que faça o mesmo por nossas agências de propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal sensacionalista eu tive que deixar novamente na recepção e calçar depressa meu tênis. O tal email anunciava reunião geral com o pessoal da criação para uma comunicação não convencional de uma grande marca de canetas. Oba, casa na árvore aí vamos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-803083718161723390?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/803083718161723390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=803083718161723390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/803083718161723390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/803083718161723390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/09/casa-na-rvore.html' title='CASA NA ÁRVORE'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5180662441428850760</id><published>2007-09-13T11:02:00.000-07:00</published><updated>2007-09-13T13:23:59.589-07:00</updated><title type='text'>WORKSHOP DO INFERNO</title><content type='html'>Um homem muito bom, talvez nunca enriqueceu por isso. Amava a mulher e considerava a fidelidade coisa séria. Nunca trocou de casa e nem deixou os filhos na pendenga. Foi a melhor educação. Tocava seus negócios a moda antiga. Assim, montou fábrica, comprou terreno, alugou imóveis e morreu. Benedito foi na paz de Deus. Na noite do acontecido, a esposa chorosa ligou para as três filhas, deu o ultimato e todos chegaram antes de amanhecer, inclusive a mais nova com o antigo namorado. A senhora fez chá e contou do silêncio que sondava o velho homem, parecia a cada dia se fechar para o mundo num autismo espiritual. Depois da rodada de histórias de família o namorado da filhinha, até então mudo, se dispôs a homenageá-lo, algo que a cidade nunca viu. " Jamais, seu aproveitador." - Pensou a sogra, "Sim. Quem sabe." - Respondeu. A família não gozava de fartura depois do patriarca se afastar dos negócios, inclusive muitos na mão do genro. Por um lado, seria bom deixar as responsabilidades na mão dele, os gastos e as burocracias como forma de retribuição. "Não vamos gastar um tostão. Já está tudo arranjado" disse após desligar o telefone. O velório aconteceria durante o dia inteiro na casa do morto. Como manda a tradição, a mulher já preparava o doce de abóbora com coco para receber os convidados, quando teve a interrupção. O genro dizia ter contratado um buffet com salgadinhos e barquetas, nada de docinho, "a vida é amarga igual ao Wisky". Dava vontade de deitar na urna, forrada de veludo e bem quentinha, era um convite no inverno do Mendanha. Leões dourados seguravam com a boca as alças, a madeira era a melhor já vista ali, diziam até ser carvalho. Realmente o rapaz fez um grande trabalho, organizou tudo, pôs alguém para atender os telefones e agendar as visitas, esticou um tapete vermelho na porta, encomendou o melhor terno do lugar. Tudo rapidinho. A casa sempre tranqüila era agora um entra e sai, com gente esticando cortinas tricolores, acertando o foco de luz no centro da sala, encantando a todos. A esposa assustada não tinha como frear os exageros, imaginava cerimônia simples, mas tudo girava rápido; nem podia tomar as rédeas das coisas. Chamou as filhas e no momento particular foram vestir o pai. Estava durinho o homem, tão gelado quanto a pia da cozinha, ele sorria sereno, parecia bem. Então fizeram as orações e desembrulharam o terno, que carregava um dizer bordado no bolso do paletó: - Tô Na Night Aluguel de roupas. Sua melhor companhia . Uma choradeira rompeu a sala e a esposa foi como um bicho no pescoço do rapaz, que explicou: - O dono da loja cedeu a roupa e vai vir aqui, temos que fazer um agrado. Muito blablablá e acabou assim mesmo, puseram um lenço e ficou tudo bem. Mas desconfiada a mulher foi direto nas coroas de flores: "Faça como Seu benedito. Durma em paz - Colchões Clarim"; "Não deixe seu carro morrer como Seu benedito - Oficina do Luís" ; "Faça como seu benedito, conquiste seus sete palmos de terra - financiamentos Mourão" Tudo na casa estava sendo patrocinado, como o defunto era conhecido não faltariam convidados e empresa querendo aparecer. E já era tarde para qualquer reação, o pessoal estava chegando. Só a família já era bem grande, apareceu primo distante, vizinho, amigos, gente de tudo quanto foi lado. Um som ambiente recepcionava os convidados, que ganhavam lencinhos com a marca da decoradora de ambientes, um botão de rosas da floricultura vizinha e todos admiravam as fotos de Seu benedito em banners cheios de logomarcas das pequenas empresas. Um workshop do inferno. Foram horas de negociações, discussões, jogadas políticas e risadas até a hora do cortejo. E lá foi o defunto, no trio elétrico do deputado amigo da família ao som de We are the Champion. Parou o bairro e quase o coração da velha esposa, vendo a multidão se arrastando, mães levando os filhos na porta para ver o carro cheio de néon passar. Lá do alto alguém gritava do microfone: "Pára o Benedito nada?" "Tudo!!" A Galera respondia prontamente. O cemitério estava bonito e reservado, aparentemente sem nenhuma empresa por perto eles teriam paz. Um segurança autorizava somente as pessoas com credenciais no pescoço e o número de convidados diminuiu. Rezaram e choraram muitas vezes. O padre disse coisas bonitas e não deixou de convidar a todos presentes para uma visita na paróquia; as filhas cantaram juntas a música que o pai as ninava, a esposa por fim agradeceu. Humilde, o genro falou de boa intenção e emoção. E foi ele que assumiu a pior das responsabilidades: fechar o caixão. Cada vez que ameaçava, alguém pedia para ver o presunto pela última vez, até que chegou a hora. Bem no centro da tampa, em letras garrafais a funerária também havia deixado sua marca, com anjinhos sacanas carregando-as para o céu. E antes de recomeçar a choradeira alguém gritou: "Já que está embrulhado vai assim mesmo". Desceram o caixão e terminou o desespero. O genro justificava que as lembranças ficam, a publicidade morre e que ninguém lembraria de quem patrocinou e sim de quem se foi. Acabou sendo conhecido no lugar e foi próspero nos negócios. Graças ao garoto-propaganda Benedito que morreu sem entender a alma do negócio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5180662441428850760?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5180662441428850760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5180662441428850760' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5180662441428850760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5180662441428850760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/09/workshop-do-inferno.html' title='WORKSHOP DO INFERNO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-6979161581833668031</id><published>2007-09-06T07:06:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T07:07:33.635-07:00</updated><title type='text'>SE EU TIVESSE UM FILHO AGORA</title><content type='html'>Se eu tivesse um filho agora talvez ele ficasse sentado ali na cama me ajudando a decidir se uso a camisa verde com estampa preta ou a camisa preta de estampa verde. Se ele já existisse, a tv estaria ligada em algum desenho animado que esqueço de ver. Sairíamos juntos nesta manhã azul de outono, depois de comer biscoito de maisena com leite, e suas mãos repetiriam os meus gestos ao fazer sinal para o ônibus parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria para ele que eu ensinaria minhas infinitas teorias, minha falta de crença e o revelaria os mais incrustados segredos da minha alma. Um filho tem o tamanho certo de qualquer solidão, inclusive aquelas que nascem com a gente, quando pai e mãe não fazem seu papel e deixam o eco do vazio falar mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um filho teria o poder de meter os bedelhos no meu trabalho sem me dar chance de defesa. Sei que seria meu maior fã, presente em meus pensamentos quando canto com a banda ou quando dou palestra na faculdade. Quem sabe não seriam dos próprios anúncios que crio que retiraríamos as primeiras letras de seu trabalhinho de alfabetização?Ou quem sabe com um outdoor gigante do seu herói preferido que eu arrancaria dele o sorriso mais sincero do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria que meu filho tivesse os olhos da Ângela e seu jeito todo próprio de dormir sorrindo. Porém não abro mão da altivez da Renata, da garra da Polyana, da amizade da Danúbia e muito menos da espontaneidade da Lílian. Na bibliografia de seu DNA também poderiam estar a genialidade do bisavô e a libido dos tios, amantes incorrigíveis.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;Se fosse um moleque me ensinaria já velho a jogar bola de gude e andar de carrinho de rolimã, afinal não seria criado pela avó, soltando pipa no ventilador. Eu ficaria feliz em ajoelhar na areia para aprender sobre bulicas e mata-matas e resgatar dibiques e cabrestos do meu vocabulário burocrático. Vindo menina adoraria brincar de pai bravo, com poltrona própria e bigode, olhando de cara feia para seus rompantes adolescentes mesmo rindo por dentro. Teríamos conversas longas na cozinha enquanto à duas mãos o jantar improvisado estaria sendo feito. Por ela, tiraria os pêlos do nariz, depilaria a sobrancelha e a deixaria espremer meus cravos das costas com as unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter um filho é a oportunidade que todo adulto tem de se reinventar, sem ouvir questionamento do chefe ou da vizinhança. Assistir novela, mudar de time e parar de fumar podem ser atitudes que precisem de uma forcinha extra para acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cria crescerá em uma casa arejada como foi a minha, de janelas grandes de vidro onde o sol entra colorido pelo vitral. Terá um cachorro que poderá escolher o nome, uma enorme varanda com rede onde brincará de voar e uma praça arborizada na frente, onde todos o conhecerão. Falando nisso, seu nome será tão esquisito quanto o do pai para um dia discutirmos os sabores e dissabores que provocamos a cada vez que a professora faz a chamada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com tanto para oferecer, sei que ainda esquecerei de lhe dar uma coisa básica: o direito dele ser ele mesmo. Afinal ainda projeto na criança tudo aquilo que fui ou que gostaria de ser. Talvez por isso meu filho ainda more nos meus sonhos, mesmo acenando, de vez em quando, que está próximo o seu dia de chegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-6979161581833668031?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/6979161581833668031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=6979161581833668031' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6979161581833668031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/6979161581833668031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/09/se-eu-tivesse-um-filho-agora.html' title='SE EU TIVESSE UM FILHO AGORA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1619246502007214268</id><published>2007-08-30T07:06:00.001-07:00</published><updated>2007-08-30T07:19:55.994-07:00</updated><title type='text'>AMORES FÚTEIS</title><content type='html'>Amores fúteis me perseguem&lt;br /&gt;são como frutas podres de um pomar.&lt;br /&gt;De longe todos a querem,&lt;br /&gt;Mas são poucas que se pode aproveitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha inconveniência&lt;br /&gt;é que o mundo é conivente com você,&lt;br /&gt;com seus mimos de criança&lt;br /&gt;que nem sempre sou obrigado a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os buracos da sua estrada&lt;br /&gt;todo dia mudam de direção&lt;br /&gt;distanciamos um do outro&lt;br /&gt;cansados de andar na contra-mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria era uma aposta&lt;br /&gt;mas esqueci, se chamam jogos de azar,&lt;br /&gt;minha vida são dois dados&lt;br /&gt;nas mãos de quem não sabe brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor a casa caiu, amor o sol já sumiu, amor foi tudo ilusão,&lt;br /&gt;fiquei vazio de você mas fiquei cheio de razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor a casa caiu, amor o sol já sumiu, amor foi tudo ilusão,&lt;br /&gt;eu só queria ter você e um pouquinho de atenção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1619246502007214268?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1619246502007214268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1619246502007214268' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1619246502007214268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1619246502007214268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/08/amores-fteis.html' title='AMORES FÚTEIS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-5265209426877468852</id><published>2007-08-23T10:08:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T13:11:45.874-07:00</updated><title type='text'>TENTATIVAS</title><content type='html'>Será que um dia eu consigo entender&lt;br /&gt;O que seu sorriso alheio quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que eu dia eu consigo escutar&lt;br /&gt;O que foi que seu silêncio quis falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento entrar no seu ritmo pra não dançar.&lt;br /&gt;(ela sabe sambar, eu não consigo acertar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento andar nos seus passos pra não tropeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu quero acordar com você.&lt;br /&gt;Edredon, pipoca e filme na TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me desculpe se eu falo demais&lt;br /&gt;Só quero te fazer o bem que você me faz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-5265209426877468852?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/5265209426877468852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=5265209426877468852' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5265209426877468852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/5265209426877468852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/08/tentativas.html' title='TENTATIVAS'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-3394600388903333664</id><published>2007-08-16T14:59:00.000-07:00</published><updated>2007-08-16T15:00:10.776-07:00</updated><title type='text'>JOGOS DA MEMÓRIA</title><content type='html'>Não era uma casa muito engraçada. Sinistra até. Entre o portão e o imóvel, um terreno mal iluminado dava poucas pistas sobre o dono. Onde seria um antigo jardim, o mato e a trepadeira deitavam sua soberania verde-escura, cobrindo anões e sapos de gesso.  Ela abriu o portão em um só golpe, como nenhum cachorro ladrou, seguiu as pedras no chão pouco visíveis naquele horário lusco-fusco. Via-se uma luz fraca pela portilhola e nada mais. Chamou baixinho e nada de resposta. Entrou na varanda, tentou de novo. Viu um bilhete preso: “Por favor cuide dele. Não posso mais.” Não se assustou. Como enfermeira em tantos asilos, já estava acostumada com abandono e mal-trato. Abriu a porta de madeira detalhada e foi tentando se encontrar. Entre móveis velhos identificou a entrada de onde vinha a luz. No banheiro de azulejos detalhados, chamava atenção o espelho quebrado com marca de sangue seco, onde Luzia se viu pela primeira vez. Estava despenteada e suada depois de tantos ônibus lotados. Começou o procedimento de assepsia, colocando luvas, gorro e jaleco distraída com as notícias de terremoto em Lima que havia lido cedo, mas foi surpreendida pelo vulto estranho entrando no banheiro, esbarrando na porta, com o pênis na mão. O observou sem ser notada. Tinha textura de um pão de queijo, sem um pêlo cobrindo o corpo de tom amarelado, coberto de pintas. Era tão alto que precisava abaixar a cabeça para passar sobre o umbral que revelava marcas de antigas pancadas. Esperou que voltasse e o seguiu. No quarto fétido, sem luz, o velho deitou-se novamente resmungando coisas indecifráveis e logo adormeceu. Luzia catou a indicação que recebera, tentando relembrar o histórico do paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco sabia-se dele. Estrangeiro, vindo de uma família de poloneses, estruturou sua vida trabalhando no serviço de correios e telégrafos mas perdeu tudo por causa do jogo. Os vizinhos juravam que já havia sucumbido pela presença de urubus no quintal, mas foi visto por estudantes que fumavam baseado em sua varanda. Dele, era impossível saber algo, afinal, o mal de Alzheimer em estágio avançado nem o permitia lembrar como mijar direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzia sentou-se ao seu lado numa cadeira e aos poucos se aproximou. No exame de toque detectou anemia pelas pálpebras e alguma chagas nas costas e nas pernas. O paciente imóvel, parecia morto. Seguiu conferindo ossos e veias, até que, ao seu lado, uma velha caixinha de música dá seu alarde, despertando o velho que levanta-se gritando, indo de um cômodo ao outro, como se procurasse uma saída. Sentindo o sangue gelar, Luzia refugiou-se no quarto ao lado, onde adormece vencida pelo dia estranho. Muitos pensamentos a seguiram naquela noite porém o que prevaleceu foi seu compromisso assumido como aluna exemplar na Escola de Enfermagem Dra. Adair Teixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do dia seguinte revelou cômodos repletos de bibelôs coloridos, calendários antigos e sofás e camas de madeira Luis XV. Seu paciente também parecia mais calmo, sentado na cadeira de balanço, fingindo ler um jornal de 15 de abril de 1988, de cabeça para baixo. Mesmo contra sua vontade deu uma geral na casa, arrastando móveis e abrindo janelas. Aos poucos tudo voltaria ao normal. Chamou sua atenção os inúmeros porta-retratos espalhados por todos os lugares, sempre com paisagens incríveis de recantos desconhecidos. Ora ou outra, o velho levantava-se, escolhia uma das fotos e a contemplava longamente, por vezes chorando em silêncio. Luzia lembrou da caixinha de música e foi desarmá-la evitando novos sustos. Na penteadeira de pernas arcadas e tampo redondo meio rococó, ela repousava no centro, sozinha. Com cuidado a enfermeira a pegou nos braços. Era grande e pesada, do tamanho de uma caixa de sapato e, em cima , marcado com algo pontiagudo, lia-se “Herança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sentimento estranho tomou conta dela, que viu naqueles segundos a oportunidade da sua vida mudar. “Depois de limpar tanto velho cagão, eu mereço”. Pela porta dos fundos, foi até o limite do terreno e, numa distância onde o dono não pudesse ouvir, a abriu. Um par de óculos, uma caneta tinteiro e muitos bilhetes de loteria preenchido. Sentiu-se burra em lembrar que o velho havia perdido tudo em apostas e, desanimada, analisou os papéis, na esperança de alguma dica que a fizesse ganhar dinheiro. Os números eram desencontrados e sem qualquer lógica. Mesmo assim, anotou alguns e foi fazer sua fezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orgulhava-se de sua natureza cigana, explicada em uma regressão feita quando jovem. Por isso mesmo Luzia adaptou-se rapidamente ao seu novo lar, decorando-o com flores e determinando hábitos. O velho, um pouco mais sadio, vestia conjuntos floridos de viscose, única coisa que ela sabia costurar, e passeava pelo jardim diariamente para tomar sol. Seguiam os dois, num pacto de silêncio, interrompido pelo radio baixinho na cozinha, que um dia anunciou o resultado da Loterj.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se merda fosse dinheiro, pobre nascia sem cú”, repetia Luzia várias vezes naquele dia. Ficou tão indignada com a falta de sorte do velho que não se conteve. Pegou a caixinha e, derramando sobre a cama o perguntou sobre a herança. Ele a observava de olhos arregalados sem entender, até que identificou seu bilhete. Correu desesperado para a sala e, numa braçada, recolheu seus porta-retratos, que caíam no chão, quebrando seus vidros. Com os pés cortados, o polonês tentava fugir pela casa, escorregando em seu próprio sangue. Luzia arrependida, pedia calma aos berros, tentando arrumar a bagunça. Passou a noite limpando a sujeirada e pensando nos números. Não era possível. Precisava entender que herança era aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao copiá-los repetidas vezes, percebeu algumas coincidências numéricas. Estava chegando lá. Lembrou dos retratos. Lembrou da Polônia, dos jogos, da família abandonada, da profissão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com os primeiros raios da manhã, Luzia deu um salto da mesa da cozinha. Depois de consultar o mapa de ruas e bairros, recolheu alguns itens na bolsa, inclusive algumas peças de roupa de ambos, todos os bilhetes e acordou o velho de súbito. Com dificuldade em carregá-lo, tomou um ônibus até a rodoviária e, antes do meio-dia já se encontrava a quilômetros da casa. No ponto que desceram consultou os números novamente e determinou a direção. Subiram a ladeira escorando-se com muita dificuldade e após muitas horas de sacrifício, finalmente chegaram ao local. Uma praça com muito verde,  mesinhas e caramanchão. O velho, sem reação até ali, seguiu andando até um mirante invisível daquele ângulo. De lá os dois viram as montanhas do Mendanha, a plantação de laranja e e o mar da restinga da Marambaia. O velho, antigo carteiro da cidade, pode rever os lugares que andou e nunca gostaria de ter esquecido. Anotar o CEP com os números do bilhete da loteria foi sua forma de lembrar sua maior lição, que algumas coisas da vida, não há dinheiro que compre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-3394600388903333664?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/3394600388903333664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=3394600388903333664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3394600388903333664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/3394600388903333664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/08/jogos-da-memria.html' title='JOGOS DA MEMÓRIA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-8396645013409186935</id><published>2007-08-09T06:40:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T06:47:51.690-07:00</updated><title type='text'>AMOR ENTRE IMAGEM E PALAVRA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Mais uma tentativa de compor uma canção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Imagem descia a ladeira&lt;br /&gt;mini-saia, decote e batom&lt;br /&gt;a Palavra falou da janela&lt;br /&gt;"Que coisa mais bela", ganhou atenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Imagem era exibida&lt;br /&gt;fez de tudo para aparecer&lt;br /&gt;chamou a palavra pro samba&lt;br /&gt;que disse "Caramba, essa eu pago pra ver".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra na ponta da língua&lt;br /&gt;Imagem na ponta do pé&lt;br /&gt;sairam as duas da quadra&lt;br /&gt;andando abraçada, jurando amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra era mais animada,&lt;br /&gt;fez juras, pediu pra casar&lt;br /&gt;Imagem estava calada, mostrou-se empolgada&lt;br /&gt;em subir no altar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra ficou engasgada&lt;br /&gt;quando viu a Imagem dizer&lt;br /&gt;que valia mil vezes a outra&lt;br /&gt;palavra nenhuma vai a descrever&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem ficou arranhada&lt;br /&gt;Palavra foi quem agrediu&lt;br /&gt;Sem ofensas ou xingamentos                    2x&lt;br /&gt;se fez o silêncio e Palavra sumiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-8396645013409186935?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/8396645013409186935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=8396645013409186935' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8396645013409186935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/8396645013409186935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/08/amor-entre-imagem-e-palavra.html' title='AMOR ENTRE IMAGEM E PALAVRA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1890808846822664703</id><published>2007-08-02T11:49:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T11:51:48.547-07:00</updated><title type='text'>OS PASSARINHOS QUE MORAM NA MINHA AGÊNCIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Crônica publicada no site do CCRJ (site do Clube de Criação do RJ em 16/08/2005&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finjo que não ouço as bitocas dadas no final da sala, senão seria obrigado a moralizar algo imoralizável, que é o beijo. Apesar de estar compenetrado nos organogramas de mil pernas, que aprendi a fazer já nos primeiros computadores, sei de onde partiram os carinhos. Observo, entrincheirado entre os dois macintoch da agência, e lá está o casal, amontoado como mochilas, em cima de uma única cadeira.&lt;br /&gt;Seguem seus estalinhos, seguidos de risos, como se o mundo se resumisse ao metro quadrado que habitavam. Desde o dia em que leram um e-mail, se beijam em locais inusitados pois acreditam que cada lugar tem seu significado, além daqueles tradicionais que conhecemos. Na mão, admiração, no rosto, amizade, na testa, respeito, e por aí vai. Fica claro a qualquer estagiário, colaborador ou visitante, que nada que fazem naquele momento, nenhuma ação, é destinada a outra pessoa senão eles próprios. Existe um alinhamento olho-no-olho, parecido com monitoramento GPS, que não permite mais que alguns centímetros saiam fora do eixo. Ela, uma moça de seus 20 anos, usa um rabo-de-cavalo pretinho, intrépido, na parte de trás da cabeça e uns brincos tão grandes que parecem ser de sua mãe. Veste um casaco moderno, de cortes futuristas, vermelho e branco, calça jeans, cuidadosamente desgastada na fábrica e um chinelo de borracha repousado entre os dedos. Está recostada no ombro direito dele, com as mãos se apoiando no esquerdo e o nariz fuxicando seu pescoço. Ele, mais moreno que ela, tem olhos verdes e o cabelo ainda com a mesma forma da sua infância, usa camisa de malha com detalhes amarelos, calça azul e tênis combinando. De repente, o rapaz a faz levantar de seu colo numa atitude brusca que quase a leva ao chão. Ela xinga alguma coisa, dá um beliscão na perna dele e seguem se ferindo até que tudo termina em cócegas e, conseqüentemente, beijos. Já os observo há tempo e também não me espantam com seus rompantes, pois existe uma sincronia em seus movimentos, humores e objetivos, que mais parecem amestrados em algum circo do amor.&lt;br /&gt;Profissionalmente, também se acertam. A moça escolheu ser atendimento da agência - aos menos informados sobre propaganda, é a pessoa responsável por saber do cliente quais serão os problemas a serem resolvidos -, mas também quer o planejamento, onde se faz pesquisa e mostra-se caminhos. O rapaz, segue meus passos e doa-se ao ofício de redator publicitário. Dificilmente estão juntos trabalhando, pois onde termina o trabalho de um, começa o do outro, são como elos de uma corrente esticada, cada um sendo puxado para um lado. Mesmo assim, não é raro vê-los como passarinhos na cobertura, um ajudando o outro, no difícil esculpir do ofício, ou cada um no extremo da sala na mesma semana, por conta de uma maior concentração nos trabalhos que encerram seus prazos.&lt;br /&gt;São tão donos de si, tão cheios de razão, que dificilmente sucumbirão por causa do amor, seja juntos ou separados. Nunca deixarão os pesares do macro-ambiente atrapalhar, nem a falta de criatividade transformá-los em qualquer coisa igual. Farão análise SWOT para ver quais são os pontos forte, fracos, ameaças e oportunidades, para morarem juntos e futuramente montarem um escritório no quartinho de empregada. Não faltarão bilhetinhos escondidos pela casa e teasers criando uma expectativa para mais tarde.&lt;br /&gt;Como supervisor, admito em vistas grossas o namoro pois acredito na sinergia, que somam um mais um e dão três. Mas como pessoa, respeito-os como casal, por talvez achar que são uma evolução de mim mesmo ou, no mínimo, porque gostaria que fossem...&lt;br /&gt;Eles acabaram de vir a minha mesa entregar o planejamento que deviam e fui surpreendido também com um beijo. Na testa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1890808846822664703?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/1890808846822664703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=1890808846822664703' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1890808846822664703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/1890808846822664703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/08/os-passarinhos-que-moram-na-minha.html' title='OS PASSARINHOS QUE MORAM NA MINHA AGÊNCIA'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-564585213432232141</id><published>2007-07-26T11:46:00.000-07:00</published><updated>2007-07-26T13:17:54.644-07:00</updated><title type='text'>ADOTE UM CARRO VELHO</title><content type='html'>Quem dirige sabe: todo carro tem alma. Mesmo que seja alma penada. Quando passo na frente do Ceará Automóveis eles me olham com faróis baixos, mendigando atenção. Estão abandonados, fadados ao esquecimento. Porém a esperança se renova: Se as pessoas estão sendo capazes de usar calça legging e ouvir ursinho blau-blau novamente, quem sabe andar de Fiat 147 volte a ser onda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que estão engajados neste movimento de ressocialização das banheiras e caixote com roda ou que simplesmente são simpatizantes, aperte o cinto – ou, se o encaixe estiver com defeito, deixe ele por cima do corpo, só pra polícia não encrencar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERMINOLOGIA - Antes de qualquer coisa esteja por dentro da linguagem. Carros com Injeção eletrônica e direção hidráulica são heresias por aqui. Peça um fusca joaninha ou fafá de Belém ou até um gol chaleira ou batedeira. As peças também acompanham o modelo, por isso prepare-se para encomendar uma cebolinha, um brinco de crioulo ou focinho de porco na loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESIGN E TECNOLOGIA – Uma preocupação a menos: quase todos são quadrados, portanto concentre-se nas cores. Estereótipos como brasília amarela e fuscão preto não estão com nada. Prefira tons ousados como azul-cor-de-geladeira e abóbora-siri-cozido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INVESTIMENTO – Carro velho é fácil de negociar. Na loja, o décimo terceiro cobre, porém a melhor barganha é comprar de um amigo podendo pagar as parcelas com bicicleta de corrida sem pneu, impressora com defeito e gaiola de passarinho sem o bicho dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACESSÓRIOS – Qualquer peça você encontra, menos as originais. Portanto a ordem é soltar a imaginação. Numa emergência substitua tanque por garrafa pet, cabo de aço por verganhão, gasolina por conhaque. Faça uma pesquisa rápida de mercado e também adapte acessórios extras, agregando valores ao veículo. Aos poucos você vai perceber que criou modelos exclusivos como CheVectra, MonzAstra e FusKa. Status garantido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONFORTO – Não tem muito, porém compensa na hora da pegação. Primeiro: fica fácil pular para o carona alegando que o banco não reclina mais, sendo muitas vezes uma verdade. Segundo: Qualquer dano no estofado, no retrovisor ou amasso do caput é barato consertar. Terceiro: o desembaçador está sempre quebrado e a privacidade garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAÚDE – De três em três meses ele pára de funcionar te fazendo caminhar obrigatoriamente ou esbandalha peças inimagináveis, te colocando em posições constrangedoras, bem parecido com pilates. Por último, charanga que se preze sempre pega no tranco, o que te deixa sarado de empurrar, principalmente se estiver na frente da boate ou na hora do rush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último foi um Escort 89 vermelho-cereja que piscou pra mim. Já vem com motor refeito e muitas ausências de série, como maçaneta, bateria e esguicho d’água. Já foram quatro até hoje, afinal como diria meu pai, carro-velho só te dá uma alegria maior que a hora de comprar: a hora de vender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-564585213432232141?l=sentimentocoletivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/feeds/564585213432232141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6598467542790694963&amp;postID=564585213432232141' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/564585213432232141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6598467542790694963/posts/default/564585213432232141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sentimentocoletivo.blogspot.com/2007/07/adote-um-carro-velho.html' title='ADOTE UM CARRO VELHO'/><author><name>aruanã bento</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14413139108173127463</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_9YmEMOQXnms/TJDljN0g6RI/AAAAAAAABHY/w064Oop-bOo/S220/aru01.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6598467542790694963.post-1004684454108771457</id><published>2007-07-19T09:42:00.000-07:00</published><updated>2007-07-19T09:45:23.519-07:00</updated><title type='text'>SENTIMENTO COLETIVO</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Minha primeira crônica, escrita exatamente há 5 anos atrás.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheio daquela multidão suarenta, ameaçadora da tranqüilidade alheia que sarra e é sarrada, o coletivo rebola, treme, bagunça nossa relação com a condução do dia-a-dia. Mais que meio de transporte, ele é palco, é praça, é pedacinho da vida para muita gente. Não existe opinião pública que exclua a de dentro dos ônibus. Naquela de mentirinha, formada por quem diariamente lê jornal, destrincha o caderno de economia e discute sobre o plano de governo dos candidatos a presidência, não existe espaço para erro, ninguém acrescenta nada, no máximo, diverge opinião. Ao contrário do vox populi, mais conhecido como opinião de geral. “Anda geral dizendo”, assim começa todo caô. No entanto a gente acaba acreditando, ora por falta de saber mesmo; ora por ceder a insistência. Pouco importa que seja uma fórmula da bomba atômica, DNA, estratégias, geral sabe de tudo. Alguém diz que viu, que tem parente que estava lá, outro jura pela felicidade dos filhos, cada um tentando convencer de sua maneira. Os mais assustadores são os loroteiros de morro, reféns das inversões de valores, que falam dos bandidos como as tietes de seus ídolos. “Tinha que vê Elias, ali na banguela, trepado com uma bereta, escoltado por Boquinha e Leitão”. É sinistro amigo. O amor também pega carona nessa caravela contemporânea e as metades andam juntas, apertadinhas. Principalmente quando a garganta coça e o dinheiro da passagem paga a gelada. Passar os dois agarrados no mesmo espaço da roleta, também é uma forma de amar. E se ama muito, duas, três pessoas... a fidelidade está entre o indicador parando ônibus e a cigarra laranja soando a despedida. Se pula a roleta, ou melhor a cerca, inclusive nos frescões executivos de vidro fumê. Nele se ama no colo, de lado, com a cortina fechada e até se ama sozinho, espiando e imaginando pelas janelas da Zona Sul. No ônibus muitos amam calado, se olham por entre os reflexos dos vidros, desafiando maridos ou esperam pacientemente no último segundo da partida, o agradecimento de rabo de olho. São perseguições de mãos, sorrisos e carinhos gratuitos, declarações de amor quase desapercebidas. Assim foi o trocador que observava a menina todo dia, e quando ninguém viu, chamou o ambulante para oferecer anonimamente a balinha do coração a ela. A moça iludida procurou seu sonho, olhou para trás e passou a vista direto do galã, que nem se importou, valeu ser o admirador sem rosto. Desdigo quase tudo que disse ao comentar de viagens longas na condução. Os relacionamentos são monogâmicos, se constitui outra família. Na sexta sempre tem pagode, a celebração ao fim de semana, o motorista pára certo no botequim que a rapaziada gosta de calibrar, também fazem tática, guardando o lugar para os amigos. São personagens que falam alto, xingam, liberam toda opressão sofrida durante o dia. O pessoal da limpeza, a menina do sacolão, o segurança, estão todos reunidos espantando a descrença por dias melhores. Parecem crianças cortando a rotina numa excursão barulhenta . E chamar de família não é exagerar, já tive presente em aniversários de trocador, fiscal e passageiro, com direito a bola, salgado, bolo e parabéns. Tudo negociado na vaquinha, sorte de quem faz aniversário no começo do mês quando dá para arrancar mais dinheiro da galera. Um coro para quem se despede reforça a aliança coletiva e diz nas entrelinhas “amanhã tem mais” e apesar de querer paz para admirar a escuridão das ruas e descriminar a turba, dá uma inveja quando desço sozinho na Estrada do Monteiro e nem ouço, pelo menos, tchau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6598467542790694963-1004684454108771457?l=sentimentocoletivo.blogsp
